ICATU - Um peixe-boi foi encontrado morto nesta sexta-feira (7), no rio Munim, em Icatu, município localizado a cerca de 116 quilômetros de São Luís. O caso ocorreu um dia após um boto também ser encontrado sem vida na mesma região. Pescadores afirmam que as mortes têm se tornado frequentes e atribuem os casos ao uso de redes de pesca.
Em vídeos gravados pelos próprios pescadores, é possível ver os dois animais já sem vida. No caso do boto, moradores afirmam que o corpo apresentava marcas de rede e que o animal seria uma fêmea.
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Ao registrar o peixe-boi encontrado nesta sexta-feira, um pescador atribuiu a morte à pesca predatória e demonstrou preocupação com a sobrevivência das espécies na região.
"Olha o que essa pesca predatória tá fazendo com as espécies em extinção", afirmou.
No vídeo publicado na quinta-feira (6), quando o boto foi encontrado, outro pescador também chamou atenção para as marcas deixadas no animal.
"Toda marcada de rede, tão acabando com os botos de Icatu", disse.
Pesca está entre as principais ameaças aos botos, diz Sema
Em nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que o boto-cinza (Sotalia guianensis) integra a Lista Estadual de Fauna Ameaçada de Extinção, conforme a Resolução Consema nº 082/2025.
O órgão informou que não possui um levantamento sobre a quantidade de encalhes registrados em Icatu. Apesar disso, estudos ambientais confirmam a presença da espécie nas baías de São Marcos e de São José, além de diferentes pontos dos litorais Ocidental e Oriental do Maranhão.
Ainda segundo a secretaria, a literatura científica aponta que a interação com a atividade pesqueira está entre as principais causas de morte desses animais. A perda da qualidade dos ecossistemas costeiros e estuarinos também é apontada como um fator que ameaça a sobrevivência da espécie.
Além do monitoramento, a Sema informou que desenvolve ações de educação ambiental em comunidades costeiras, colônias e sindicatos de pescadores, além de promover capacitações para técnicos municipais e atividades em escolas com foco na conservação das espécies ameaçadas e de seus habitats.
Educação ambiental é apontada como caminho para reduzir casos
Para o biólogo Eldevan Barbosa, a morte de animais como o boto-cinza e o peixe-boi também está relacionada a uma cultura ainda presente em algumas comunidades, onde a caça e a pesca ilegais continuam causando impactos sobre espécies ameaçadas.
Segundo ele, em determinados locais, a captura desses animais ainda é vista como demonstração de habilidade ou prestígio, o que contribui para a manutenção da prática.
"Ainda existe uma cultura muito forte de caça e pesca ilegais, o que causa impactos significativos tanto na fauna terrestre quanto na aquática. Esse problema se torna ainda mais preocupante quando envolve espécies raras ou ameaçadas de extinção, como o boto-cinza", afirma.
O especialista avalia que o enfrentamento desse cenário passa, principalmente, pelo fortalecimento das ações de educação ambiental.
"O trabalho agora é de sensibilização. Todos têm consciência de que a captura dessas espécies é errada, mas é preciso mostrar a importância que esses animais têm para o equilíbrio dos ecossistemas e promover uma mudança de percepção. O verdadeiro valor está na conservação da biodiversidade, e não na captura desses animais", explica.
Para Eldevan Barbosa, quanto maior for a conscientização das comunidades costeiras, maiores serão as chances de reduzir essas práticas e garantir a preservação das espécies para as futuras gerações.
Órgãos orientam como agir em casos de encalhe
A secretaria orienta que, ao encontrar mamíferos marinhos encalhados ou mortos, a população acione o Corpo de Bombeiros, o Batalhão de Polícia Ambiental ou os órgãos ambientais responsáveis.
O Instituto Amares, licenciado pela Sema para atuar no resgate e na reabilitação de animais costeiros e marinhos, também pode ser acionado. A secretaria recomenda ainda que casos envolvendo essas espécies sejam comunicados ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
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