ACESSO AO VOTO

Justiça Eleitoral nega transporte para indígenas no Amazonas no 2° turno

Justiça Eleitoral rejeitou pedido de apoio a indígenas de 43 aldeias do Vale do Javari para o segundo turno; entidade teme aumento da abstenção.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Justiça Eleitoral nega transporte para indígenas (Bruno Kelly/Amazônia Real)

BRASIL – A Justiça Eleitoral do Amazonas negou um pedido para fornecer transporte fluvial gratuito, água e alimentação a indígenas de 43 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari durante o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). A decisão foi tomada sob a justificativa de falta de recursos financeiros e de que a solicitação foi apresentada fora do prazo necessário para organizar a operação.

O pedido havia sido encaminhado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que buscava garantir condições de deslocamento e acesso aos locais de votação para as comunidades indígenas da região.

A decisão foi assinada pela juíza Dálethe Borges Messias, responsável pela 42ª Zona Eleitoral do Amazonas, localizada em Atalaia do Norte.

Justiça Eleitoral alega falta de recursos

Ao analisar a solicitação, a magistrada reconheceu a importância das medidas propostas pela Univaja e destacou que o exercício do voto em condições de igualdade é um direito assegurado constitucionalmente aos povos indígenas.

Apesar disso, a juíza argumentou que o pedido chegou após o prazo previsto para o planejamento da logística eleitoral.

A decisão também apontou que a Justiça Eleitoral não dispõe de recursos suficientes para financiar o transporte e a alimentação dos eleitores indígenas.

Abstenção indígena chegou a 35% no primeiro turno

A Univaja manifestou preocupação com a negativa e alertou para as dificuldades enfrentadas pelos indígenas para participar da votação.

Segundo a organização, em eleições anteriores houve uma articulação com a Justiça Eleitoral para organizar o deslocamento dos eleitores das aldeias até os locais de votação.

Neste ano, entretanto, a entidade afirma que essa estrutura não foi disponibilizada, o que teria contribuído para uma abstenção elevada no primeiro turno, estimada entre 30% e 35% dos eleitores indígenas.

Para a Univaja, cabe ao poder público assegurar as condições necessárias para que as comunidades possam exercer o direito ao voto.

Vale do Javari reúne mais de 6 mil indígenas

Localizada no Amazonas, na região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, a Terra Indígena Vale do Javari possui aproximadamente 8,5 milhões de hectares e é considerada a segunda maior terra indígena do país.

Homologado em 2001, o território reúne 74 aldeias, sete povos e uma população superior a 6 mil indígenas. A região também concentra o maior número de povos indígenas isolados do mundo.

O território enfrenta problemas relacionados à atuação de organizações criminosas envolvidas com narcotráfico, garimpo ilegal, exploração irregular de madeira e biopirataria.

Em 2022, a região foi cenário dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, mortos em uma emboscada no Rio Itaquaí.

A negativa de apoio logístico para o segundo turno mantém a preocupação da Univaja com a participação eleitoral das comunidades indígenas do Vale do Javari.

Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.