Eleições 2026

Flávio Bolsonaro evita detalhar propostas e faz acusações sem provas em sabatina

Em sabatina, Flávio Bolsonaro nega irregularidades no filme Dark Horse, defende fim da escala 6x1 e propõe reduzir dívida pública em R$ 200 bilhões.

Imirante, com informações da Agência Brasil

Flávio Bolsonaro foi sabatinado na TV Globo, falou sobre economia e segurança pública e voltou a negar irregularidades no financiamento de Dark Horse. (Evaristo Sá / AFP)

BRASIL – O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi sabatinado pela TV Globo na noite desta sexta-feira (16). Durante pouco mais de 40 minutos, ele falou sobre propostas para um eventual governo, negou que os atos de 8 de janeiro de 2023 tenham representado uma tentativa de golpe de Estado, defendeu mudanças na legislação sobre segurança pública e voltou a negar irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.

Na entrevista, Flávio também se posicionou a favor do fim da escala de trabalho 6x1, após meses de manifestações contrárias à medida. O candidato afirmou que defende a liberdade para o trabalhador escolher sua jornada, mas não detalhou como pretende implementar a proposta.

Outros temas abordados foram a possibilidade de acabar com a reeleição presidencial, a redução da dívida pública, a exploração de petróleo na Margem Equatorial e as relações do candidato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio Bolsonaro nega tentativa de golpe em 8 de janeiro

Questionado sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de pessoas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, Flávio Bolsonaro negou que os episódios tenham configurado uma tentativa de golpe de Estado.

O candidato chamou de “farsa” o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.

“Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, afirmou.

Flávio minimizou a participação dos envolvidos nos ataques ao citar o caso de uma mulher que estava com uma Bíblia durante os atos.

O candidato também afirmou que não discutiu com o pai uma eventual participação dele em seu governo, caso seja eleito. Embora tenha declarado anteriormente que concederia indulto a Jair Bolsonaro, não confirmou se o ex-presidente ocuparia um cargo no Executivo.

Sobre o irmão, Eduardo Bolsonaro, disse que ele não será ministro das Relações Exteriores em um eventual governo do PL.

“Ele é um perseguido político”, declarou. “Um dia será reconhecido como alguém que se sacrificou para defender a democracia”, acrescentou.

Eduardo mora nos Estados Unidos e foi condenado pela Justiça brasileira por coação no curso do processo. A decisão considerou sua atuação contra os interesses do Brasil, incluindo o estímulo à aplicação de tarifas pelo governo norte-americano como forma de pressão relacionada ao julgamento de Jair Bolsonaro.

Candidato muda posição sobre o fim da escala 6x1

Após meses de manifestações contrárias ao fim da escala 6x1, Flávio Bolsonaro declarou apoio à medida durante a sabatina. A proposta foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14) e promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16).

O senador afirmou que ouviu trabalhadores em diferentes regiões do país e que isso influenciou seu voto favorável. Ao mesmo tempo, defendeu que os trabalhadores tenham liberdade para definir a própria jornada.

“Eu sempre defendi mais liberdade, inclusive para os trabalhadores montarem sua jornada de trabalho. Isso pressupõe que a escala 6x1 seja extinta”, afirmou.

Questionado sobre as regras trabalhistas, Flávio disse que pretende manter a legislação em vigor, mas não apresentou detalhes adicionais sobre como a mudança seria aplicada em um eventual governo.

A emenda promulgada pelo Congresso prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso remunerado por semana.

Segurança pública: Flávio defende mudanças na legislação

Na área de segurança pública, Flávio Bolsonaro voltou a defender a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Durante a entrevista, porém, não detalhou como a medida alteraria, na prática, o combate ao crime organizado.

O candidato também defendeu mudanças na legislação sobre desarmamento para facilitar o acesso da população a armas.

“O problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas”, disse.

Questionado sobre seu apoio a um projeto que retiraria a marcação de cápsulas de munição utilizadas pelas forças de segurança, Flávio evitou aprofundar o assunto. A identificação das munições auxilia na investigação de crimes e na prevenção de desvios.

O candidato também foi questionado sobre suas relações com políticos do Rio de Janeiro investigados por supostos vínculos com o crime organizado, entre eles o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella.

Flávio afirmou ter ficado surpreso com as relações atribuídas aos aliados com o Comando Vermelho. Disse ainda que eles têm direito à ampla defesa, mas que a Justiça não deve poupar quem for considerado culpado.

Flávio volta a negar irregularidades no financiamento de Dark Horse

O financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, também foi abordado na sabatina. Flávio voltou a afirmar que não houve irregularidades nos recursos destinados à produção.

O caso envolve pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, estimados em cerca de R$ 60 milhões, relacionados ao financiamento do longa-metragem.

Flávio afirmou que chegou ao nome de Vorcaro enquanto procurava possíveis investidores para o projeto. Segundo o candidato, o empresário concordou em participar do financiamento quando ainda não havia suspeitas relacionadas ao Banco Master.

A investigação da Polícia Federal busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos. A corporação apontou uma divergência entre os valores enviados ao exterior e os que retornaram ao Brasil e pediu a prorrogação do inquérito por 90 dias.

Candidato promete acabar com a reeleição presidencial

Flávio Bolsonaro reiterou a intenção de apresentar uma proposta para acabar com a possibilidade de reeleição para a Presidência da República. Ele deixou em aberto a duração do mandato, afirmando que a definição caberia ao Congresso Nacional.

“Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do Congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”, afirmou.

Segundo o candidato, a proposta também impediria que parentes do presidente da República até o terceiro grau se candidatassem na sequência.

Flávio disse que não tem apego ao poder. Aos 45 anos, soma 23 anos de mandatos como deputado estadual e senador.

Economia: venda de imóveis e exploração de petróleo

Na área econômica, Flávio defendeu a redução da dívida da União em mais de R$ 200 bilhões. Para alcançar esse objetivo, afirmou que pretende vender imóveis públicos abandonados.

O candidato também declarou que poderia arrecadar “R$ 100 bilhões de largada” com a exploração de petróleo na Margem Equatorial. A previsão, contudo, contrasta com o cronograma citado na entrevista, segundo o qual a exploração não começaria antes de 2033, de acordo com a Petrobras.

Flávio também prometeu extinguir pelo menos dez ministérios. Ao falar sobre a administração do pai, afirmou que Jair Bolsonaro havia reduzido milhares de cargos em comissão, de livre indicação.

Uma checagem do UOL citada no material da Agência Brasil, no entanto, apontou aumento no número desses cargos durante o governo de Jair Bolsonaro: de 31,8 mil em 2019 para 46,2 mil em 2022.

Flávio almoçou com diretores da Globo antes da sabatina

Horas antes da entrevista, Flávio Bolsonaro participou de um almoço com diretores do Grupo Globo, no Rio de Janeiro. A emissora confirmou o encontro, que reuniu o presidente do grupo, João Roberto Marinho, e o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet.

Em nota, a Globo informou que nenhum integrante da área de jornalismo participou da reunião e afirmou que visitas institucionais de candidatos fazem parte da rotina dos executivos da empresa.

Segundo a emissora, é usual que candidatos participem de encontros de cortesia.

O encontro também foi comentado por Lula, adversário de Flávio no segundo turno. O presidente demonstrou incômodo com a notícia, já que havia participado de sua sabatina na emissora no dia anterior, sem almoço prévio com os diretores.

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