Aproximação diplomática

Netanyahu convida Flávio Bolsonaro para visitar Israel

Após o primeiro turno, Netanyahu convidou Flávio Bolsonaro para visitar Israel e reforçar laços bilaterais, enquanto o senador busca alianças regionais.

Ipolítica, com informações de O Globo

Benjamin Netanyahu convida Flávio Bolsonaro para visitar Israel e renovar a relação entre os dois países após o primeiro turno. (Divulgação)

BRASIL – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversou por telefone com o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e o convidou a visitar o país para renovar a relação entre as duas nações. A ligação ocorreu na noite de quinta-feira (8), segundo comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu nesta sexta-feira (9).

Durante a conversa, o primeiro-ministro parabenizou Flávio pelo resultado no primeiro turno das eleições presidenciais. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, também participou da ligação.

De acordo com o comunicado, Netanyahu convidou o senador a visitar Israel, enquanto Flávio convidou o primeiro-ministro a ir ao Brasil. A nota afirma que os dois pretendem “renovar a profunda amizade entre os dois países”, em meio à aproximação de Israel com nações sul-americanas.

Flávio Bolsonaro já visitou Israel

Em dezembro, Flávio Bolsonaro viajou a Israel naquela que foi sua primeira agenda internacional como pré-candidato à Presidência. Ele e Eduardo Bolsonaro haviam sido convidados para a Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo.

Na ocasião, o senador publicou uma mensagem em que destacou os vínculos entre os dois países e defendeu o combate ao antissemitismo.

“Brasil e Israel compartilham um laço histórico, humano e civilizacional sólido, construído sobre valores comuns como a liberdade, a democracia e o respeito à dignidade humana”, escreveu.

Flávio também afirmou que condena todas as formas de antissemitismo, intolerância e ódio.

O senador é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que manteve uma relação próxima com Netanyahu durante seu governo.

Lula critica atuação de Netanyahu em Gaza

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro israelense é marcada por divergências sobre a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.

Em outubro do ano passado, Lula afirmou que o Brasil não tinha problemas com Israel, mas com Netanyahu.

“A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá nenhum problema entre Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa”, declarou o presidente na ocasião.

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno pode representar uma mudança na posição brasileira em relação a Israel.

Os brasileiros voltam às urnas em 25 de outubro para escolher o presidente da República. A votação ocorrerá dois dias antes das eleições gerais israelenses.

Flávio conversa com presidente da Colômbia

Além do contato com Netanyahu, Flávio Bolsonaro fez uma videochamada nesta semana com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella. Durante a conversa, o senador pediu cooperação no combate ao tráfico de drogas, uma das propostas de sua campanha.

“Vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil e vou precisar muito conversar com o senhor para a gente ter esse intercâmbio de informações [sobre traficantes]”, afirmou Flávio.

O candidato também convidou Espriella para a posse presidencial em janeiro, caso vença o segundo turno.

Na conversa, Flávio defendeu a cooperação entre os países para a captura e a entrega de criminosos que estejam fora de seu território. Espriella concordou que o tráfico de drogas é um problema global e defendeu um acordo entre países que compartilham fronteiras.

Brasil e Colômbia dividem uma fronteira de aproximadamente 1,6 mil quilômetros na região amazônica.

Candidato cita aliança de segurança dos Estados Unidos

Durante a videochamada, Flávio também afirmou que, se for eleito, pretende participar do Escudo das Américas, iniciativa de defesa lançada pelos Estados Unidos para combater facções criminosas.

O acordo reúne países da região e prevê medidas contra 24 organizações criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.

A iniciativa deixou o Brasil fora desse alinhamento e provocou preocupações sobre a possibilidade de intervenção dos Estados Unidos na região.

A conversa com o presidente colombiano foi transmitida pelo canal de Eduardo Bolsonaro no YouTube. O ex-deputado, que vive nos Estados Unidos desde 2025, fez a apresentação dos participantes.

Líderes de direita manifestam apoio a Flávio

A aproximação com Netanyahu e Espriella ocorre em um contexto de crescimento de lideranças de direita na América Latina. O presidente argentino Javier Milei também parabenizou Flávio Bolsonaro pelo resultado no primeiro turno.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, saudou na segunda-feira (5) a “grande vitória” do senador, filho de seu aliado Jair Bolsonaro, e afirmou que o segundo turno seria “muito disputado”. Trump, no entanto, não declarou apoio direto ao candidato.

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