ELEIÇÕES 2026

PT discute mudanças na campanha de Lula após crise no STF e empate em pesquisa

Após empate de 41% com Flávio Bolsonaro e crise no STF, PT organiza reunião decisiva para realinhar estratégias e intensificar mobilização nas ruas.

Ipolítica, com informações de O Globo

PT discute mudanças na campanha de Lula após crise no STF e empate em pesquisa (GABRIEL SILVA/E.FOTOGRAFIA/ESTADÃO)

BRASIL – A direção do PT se reúne nesta quinta-feira para discutir mudanças na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio a críticas internas sobre a estratégia eleitoral, ao empate com Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisa e à preocupação com os impactos da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).

Edinho Silva convocou o encontro para ajustar a campanha presidencial. Integrantes da cúpula da legenda reclamam da condução da campanha e da falta de participação do partido nas decisões sobre as estratégias eleitorais.

Segundo relatos de petistas que integram o comando da sigla, Edinho teria conduzido a campanha sem ouvir suficientemente aliados do próprio PT e de outras legendas. Também há críticas à concentração das decisões e à atuação do dirigente em sua campanha a deputado federal por São Paulo.

Empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

A preocupação interna aumentou após pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira apontar empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Os dois aparecem com 41% das intenções de voto.

Parte dos dirigentes defende uma mudança na estratégia para ampliar a mobilização partidária e aproximar a coordenação das bases. Também existem reclamações entre partidos aliados sobre a falta de diálogo com a campanha.

Cada legenda indicou ao menos um integrante para um grupo que participaria da coordenação, mas, segundo os relatos, esse núcleo foi chamado poucas vezes para discutir a estratégia. Lula conta com apoio de PSB, PDT, PSOL-Rede, PV e PC do B.

Apesar das críticas, integrantes do PT reconhecem a atuação de Edinho nas articulações para evitar que PP, União Brasil e Republicanos permanecessem neutros na disputa presidencial ou aderissem à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Crise no STF preocupa campanha

A crise institucional no STF também entrou no centro das preocupações da campanha. A avaliação entre aliados é que o cenário pode produzir efeitos eleitorais e ocupar o debate nacional, reduzindo o espaço para temas que Lula pretendia explorar, como a PEC do fim da jornada de trabalho 6x1 e outras medidas de seu mandato.

Nos últimos dias, Lula conversou com ministros do Supremo em busca de uma saída para a crise. O presidente também manifestou a interlocutores preocupação com os efeitos de um cenário em que o Judiciário esteja sob suspeita.

A reunião da executiva ocorre na sede do PT em Brasília. Entre os participantes estão o ministro José Guimarães (PT-CE), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

Ao deixar o encontro, Guimarães defendeu uma mudança de postura na campanha.

“Essa reunião é decisiva para realinhar e apresentar a campanha a partir de agora numa linha de radicalismo que a conjuntura exige. É ir para o enfrentamento. Nas ruas e mudança no programa de TV”, afirmou.

Teresa Leitão também defendeu maior mobilização e disse que a estratégia deve intensificar o debate político sem recorrer à agressão.

“A linha de fato é dar um gás na campanha. Vamos fazer mobilização no domingo. Gás é isso, radicalizar, ir na política, não na agressão”, declarou.

Campanha busca ampliar mobilização

Além da reunião da executiva, integrantes da campanha discutem formas de aumentar o engajamento da militância. A equipe jurídica também se reuniu nesta quinta-feira com membros da coordenação para avaliar o cenário e os próximos passos.

Aliados reconhecem lentidão na campanha e apontam problemas na distribuição de materiais. Segundo um integrante da coordenação, a dificuldade ocorreu por causa da demora na liberação de recursos do fundo eleitoral.

Também está prevista para a tarde desta sexta-feira, em São Paulo, uma reunião com integrantes de centrais sindicais e movimentos sociais. O encontro havia sido marcado cerca de dez dias antes, mas ganhou maior importância diante do atual cenário eleitoral.

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