Bastidores

Lula busca reduzir atritos entre diretor da PF e ministro André Mendonça

Presidente Lula defende reunião entre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro do STF André Mendonça para diminuir tensões institucionais.

Ipolítica, com informações do O Globo

Lula articula encontro entre André Mendonça e Andrei Rodrigues para reduzir tensão entre o STF e a Polícia Federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que se reúna com o ministro André Mend (Brenno Carvalho/Agência O Globo)

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que se reúna com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para reduzir a tensão entre o comando da corporação e o integrante da Corte.

Segundo interlocutores do presidente, Lula está preocupado com o nível da crise institucional entre os dois. A expectativa de auxiliares do governo é que o encontro ocorra nos próximos dias, com mediação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

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A relação entre Mendonça e Andrei Rodrigues é marcada por desconfianças de ambos os lados. O ministro suspeita que o diretor-geral da PF possa dificultar investigações sob sua relatoria. Já o chefe da corporação desconfia de uma atuação política de Mendonça para prejudicar Lula e favorecer o senador Flávio Bolsonaro.

Investigações aumentam tensão

André Mendonça é relator de dois dos três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

O ministro também conduz investigações relacionadas ao caso Dark Horse, que apura repasses de Daniel Vorcaro para um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As apurações são consideradas por aliados de Lula como assuntos de grande potencial de impacto eleitoral durante a campanha presidencial.

A tensão aumentou nos últimos dias após a divulgação de novas mensagens que integram as investigações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha.

PF recorreu contra decisões de Mendonça

Em julho, a Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para recorrer de decisões tomadas por Mendonça em investigações sobre as fraudes no INSS e as suspeitas envolvendo Lulinha.

A corporação apresentou dez pontos de divergência, entre eles questionamentos sobre a exigência de comunicação prévia ao ministro para alterações nas equipes responsáveis pelas investigações e sobre a determinação de delimitar o acesso judicial ao material produzido pelos investigadores.

O chefe da AGU, Jorge Messias, porém, tem evitado confrontar formalmente as decisões de Mendonça e busca uma solução política para o impasse.

A possibilidade de uma conversa direta entre o ministro do STF e o diretor-geral da PF já havia sido discutida no início de agosto. Na ocasião, Messias intermediou uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça.

Durante o encontro, Wellington afirmou que a autonomia da Polícia Federal seria preservada e que não haveria interferência no trabalho dos investigadores. A data para a reunião entre Mendonça e Andrei, no entanto, ainda não foi definida.

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