Investigação

Relatório da PF diz que blogueiro do MA não cometeu crime apontado por Moraes

Relatorio da PF não encontra provas de que o blogueiro maranhense Luís Pablo tenha recebido pagamentos ou violado sigilo em matérias sobre Flávio Dino.

Ipolítica, com informações de O Globo

Relatório da PF afirma que Luís Pablo não cometeu crime de violação de sigilo e não aponta certeza de pagamento por reportagens sobre Flávio Dino. (Antonio Augusto / STF)

BRASIL – Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) afirma que não foram identificados indícios de que o blogueiro maranhense Luís Pablo tenha cometido crime de violação de sigilo funcional ou que tenha recebido dinheiro para produzir reportagens sobre o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento serviu de base para diligências determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes contra pessoas relacionadas ao jornalista.

Em contraste com as conclusões da PF, o ministro Alexandre de Moraes mantém a investigação aberta, afirmando haver “indícios relevantes” de que o jornalista teria praticado o crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino. O ministro citou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia se posicionado favoravelmente às diligências.

Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp

Luís Pablo é proprietário de um blog voltado à política do Maranhão e publicou, a partir de novembro de 2025, reportagens questionando o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por Dino e familiares. O ministro afirma que não houve uso irregular do automóvel.

PF diferencia atuação de Luís Pablo e da fonte

O relatório analisado pelos investigadores teve como foco mensagens e documentos encontrados em equipamentos apreendidos durante as investigações. Segundo a PF, as conversas mostram que a fonte do blogueiro, o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim, enviava documentos e imagens ao jornalista por meio do WhatsApp.

Os investigadores também registraram que Luís Pablo se encontrou pessoalmente com a fonte e recebeu o material encaminhado por ela. No entanto, a PF não apontou a participação do blogueiro em atos de perseguição.

O delegado Alberto Knoll fez uma distinção entre a conduta do jornalista e a de sua fonte ao encaminhar o relatório ao STF.

Segundo o documento, Luís Pablo estaria, em tese, protegido pelo direito à liberdade de imprensa. Já a conduta de um eventual agente público que acessasse informações restritas e as repassasse para publicação poderia, segundo a PF, configurar violação de sigilo funcional, prevista no artigo 325 do Código Penal.

A investigação apontou ainda que Luís Pablo mantinha uma postura crítica em relação a Flávio Dino e produzia reportagens que apresentavam o ministro como um político influente contrário ao governo do Maranhão. A PF, porém, não relacionou essa postura ao cometimento de crime.

Operação apreendeu equipamentos do blogueiro

A investigação foi aberta a pedido de Flávio Dino. Inicialmente, o caso foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin, mas acabou sendo redistribuído após o presidente do STF, Edson Fachin, considerar que havia relação com investigações já relatadas por Moraes.

Em março deste ano, uma operação autorizada por Moraes apreendeu dois celulares, um notebook e um pen drive de Luís Pablo. A análise dos equipamentos permitiu aos investigadores identificar a fonte das informações publicadas pelo blogueiro.

A partir da identificação de Raimundo Cutrim, a PF solicitou uma segunda operação de busca e apreensão, realizada na semana passada.

Cutrim também é investigado em outro procedimento relacionado ao assassinato de um funcionário da Secretaria de Educação do Maranhão. Esse caso está sob relatoria de Flávio Dino.

PF não confirma pagamento por reportagens

O relatório também analisou suspeitas de que Luís Pablo pudesse ter recebido recursos para produzir conteúdos sobre Flávio Dino.

Os investigadores encontraram conversas e movimentações financeiras que levantaram questionamentos, mas afirmaram não ser possível apontar “com máxima certeza” que o jornalista tenha recebido dinheiro para publicar as reportagens.

Entre os elementos analisados está a compra de um imóvel rural pelo blogueiro, avaliado em R$ 461 mil. Parte dos pagamentos foi feita por diferentes fontes, incluindo o advogado Diogo Lima, que ocupou o cargo de secretário de Habitação de São Luís durante a gestão de Edivaldo Holanda Júnior.

Em uma das conversas, Lima enviou a Luís Pablo o comprovante de um depósito de R$ 100 mil feito para Danilo Cutrim Bezerra, identificado como vendedor do terreno.

A PF registrou que não foi possível determinar se Danilo Cutrim Bezerra possui parentesco com Raimundo Cutrim. Segundo o relatório, o sobrenome Cutrim é comum no Maranhão e seria utilizado por aproximadamente 14,7 mil pessoas, de acordo com dados citados do IBGE.

Conversas com advogado também foram analisadas

Os investigadores encontraram ainda diálogos entre Luís Pablo e Diogo Lima relacionados a reportagens críticas a Flávio Dino.

Nas mensagens, o jornalista encaminhava textos ao advogado, que fazia comentários e chegou a sugerir alterações no conteúdo.

Lima também foi alvo das buscas determinadas por Moraes na semana passada.

A PF analisou as conversas, mas não apontou que a atuação do jornalista nesses diálogos configurasse crime de perseguição.

Notas fiscais da Assembleia Legislativa

Outro ponto identificado durante a análise dos equipamentos foram notas fiscais emitidas em nome da Assembleia Legislativa do Maranhão para o Blog Luís Pablo.

Os documentos registravam valores que variavam de R$ 12 mil a R$ 17,5 mil.

Questionado sobre a origem dos pagamentos, Luís Pablo afirmou que os valores correspondiam à veiculação de banners publicitários em seu blog.

Segundo o jornalista, os pagamentos eram realizados por uma agência de marketing contratada pela Assembleia Legislativa e também destinados a outros veículos de comunicação, como blogs, rádios e emissoras de televisão.

Luís Pablo afirmou ainda que os pagamentos foram suspensos no mês anterior em razão das regras relacionadas às eleições.

Decisão de Moraes apontou suspeita de perseguição

Embora o relatório da PF não tenha identificado elementos suficientes para atribuir ao jornalista os crimes analisados pelos investigadores, a decisão de Moraes apontou uma interpretação diferente sobre o caso.

O ministro afirmou ter identificado indícios relevantes de que Luís Pablo teria praticado perseguição contra Flávio Dino.

Na decisão que autorizou diligências, Moraes mencionou suposto suporte material e financeiro ao jornalista, além de possíveis tentativas de excluir mensagens consideradas relevantes para a investigação.

O relatório produzido posteriormente pela PF, contudo, fez ressalvas sobre a responsabilização do blogueiro e destacou a proteção constitucional à liberdade de imprensa.

A investigação segue sob análise do Supremo Tribunal Federal.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.