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Lula se reúne com Republicanos e Podemos antes de partidos anunciarem neutralidade

Encontros ocorreram na véspera de as duas siglas oficializarem posição neutra na eleição presidencial e frustraram investidas de Flávio Bolsonaro.

Ipolítica, com informações de O Globo

Lula se reuniu com dirigentes do Republicanos e do Podemos antes de os partidos anunciarem neutralidade na eleição presidencial. (Ricardo Stuckert / PR)

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com integrantes das cúpulas do Republicanos e do Podemos, um dia antes de as duas siglas oficializarem posição de neutralidade na eleição presidencial. Os encontros ocorreram em Brasília e aconteceram em meio às investidas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, para formar uma aliança com os partidos.

As conversas foram realizadas separadamente. Pela manhã, Lula se encontrou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Mais tarde, o presidente conversou com a presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP).

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Segundo relatos de pessoas que acompanharam as negociações, Lula foi informado sobre a decisão das duas siglas de permanecerem neutras na disputa nacional.

A movimentação foi considerada uma vitória para o governo, diante das tentativas de Flávio Bolsonaro de ampliar sua aliança para a eleição. O senador chegou a oferecer a vaga de vice em sua chapa a Republicanos, PP, União Brasil e Podemos, mas não conseguiu fechar os acordos.

Republicanos mantém neutralidade

Aliados de Hugo Motta afirmam que a reunião com Lula não teve como objetivo discutir um eventual apoio do presidente, do PT ou do governo federal à reeleição do deputado para a presidência da Câmara em 2027.

Os interlocutores, porém, avaliam que a articulação política em torno da neutralidade do Republicanos também envolveu Motta e pode ter reflexos nas negociações para a eleição da presidência da Câmara, prevista para fevereiro de 2027.

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, é apontado por pessoas que participaram ou acompanharam as conversas como outro integrante do encontro. Ele nega ter participado da reunião.

Apesar da neutralidade oficial do partido, Pereira afirmou, durante a convenção do Republicanos, que pretende colaborar pessoalmente com a campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a legenda não irá "emprestar" seu tempo de televisão ao candidato.

Lula sinaliza novas conversas

Na conversa com dirigentes das duas siglas, Lula teria pedido que novos diálogos fossem realizados em um eventual segundo turno.

De acordo com relatos obtidos pela reportagem, o presidente também pediu que os partidos não definissem eventuais apoios antes de novas conversas.

Dois políticos que tiveram acesso aos relatos afirmaram que Lula sinalizou que, em uma nova rodada de negociações, poderiam ser discutidos apoios futuros, incluindo uma eventual participação dos partidos em uma nova candidatura do petista.

Os encontros ocorreram depois de dirigentes do Republicanos e do Podemos terem mantido conversas, separadamente, com integrantes do entorno de Lula nas últimas semanas.

Articulação com partidos de centro

Integrantes do PT destacam a atuação de Edinho Silva e José Guimarães nas negociações com partidos de centro e centro-direita para garantir a neutralidade das siglas na eleição presidencial.

Os dois possuem interlocução com integrantes do chamado Centrão, o que teria facilitado as conversas.

Nas articulações envolvendo a federação União Brasil-PP, são citados os líderes das duas legendas na Câmara, Doutor Luizinho (PP-RJ) e Pedro Lucas (União Brasil-MA). No Republicanos, também é destacada a atuação do ex-ministro Silvio Costa Filho (PE), aliado de longa data de Lula.

Com a dificuldade para ampliar sua aliança, Flávio Bolsonaro anunciou, na quarta-feira (5), o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice em sua chapa.

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