BRASIL – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que os ataques de Milei a Lula fazem parte de uma estratégia do presidente da Argentina para se consolidar como principal liderança da extrema direita na América Latina e ampliar sua popularidade. Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a postura do mandatário argentino busca fortalecer uma "onda azul" na região e alinhá-lo politicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com interlocutores do governo, essa avaliação também explica a decisão de Lula de não responder diretamente às declarações feitas por Javier Milei nas últimas semanas.
Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp
Planalto evita confronto direto com Milei
A estratégia do governo brasileiro é evitar que Milei ganhe protagonismo político a partir dos ataques ao presidente brasileiro.
Segundo aliados de Lula, responder diretamente às provocações poderia contribuir para fortalecer a imagem que o presidente argentino tenta construir como principal representante da direita latino-americana.
Na semana passada, ao comentar a participação de Milei na convenção nacional do PL, Lula ironizou ao ser questionado sobre o argentino.
"Eu? Quem é esse cara?"
Ainda segundo auxiliares do presidente, a expectativa é que Milei mantenha as críticas durante o período eleitoral brasileiro.
Governo atribui declarações a interesses eleitorais
No entendimento do entorno de Lula, os ataques de Milei também têm relação com a própria disputa política na Argentina.
Interlocutores do presidente afirmam que uma eventual reeleição de Lula poderia estimular setores progressistas argentinos e dificultar os planos de reeleição do presidente do país vizinho, que enfrenta desgaste político e queda de popularidade.
Durante a convenção do PL, realizada em 25 de julho, em São Paulo, Milei chamou Lula de "presidiário". Dias depois, em entrevista à emissora argentina LN+, voltou a atacar o presidente brasileiro, chamando-o de "ladrão" e "corrupto".
Na ocasião, também defendeu o tom adotado nas declarações.
Relações diplomáticas foram rebaixadas
Em resposta à escalada da crise diplomática, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações com a Argentina.
Com a medida:
- o embaixador brasileiro Julio Bitelli não retornará a Buenos Aires;
- a representação do Brasil na Argentina passará a ser comandada por um encarregado de negócios;
- o embaixador argentino no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, perde, na prática, suas funções diplomáticas como representante oficial do país.
Apesar disso, o governo brasileiro não declarou Raimondi persona non grata nem determinou prazo para sua saída do Brasil.
Mauro Vieira cobra respeito nas relações entre os países
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que Javier Milei promoveu sucessivos ataques ao governo brasileiro, às instituições nacionais e ao presidente Lula.
Segundo o chanceler, enquanto não houver explicações consideradas satisfatórias por parte do governo argentino, o Brasil manterá a atual configuração diplomática.
Vieira ressaltou ainda que as relações internacionais do Brasil devem ser conduzidas com base no respeito mútuo e na defesa dos interesses nacionais, independentemente de diferenças ideológicas.
"A educação e o respeito são fundamentais, sem isso não pode haver diálogo", afirmou o ministro.
Crise entre Brasil e Argentina permanece
A avaliação do Palácio do Planalto é que os ataques de Milei a Lula devem continuar ao longo da campanha eleitoral brasileira.
Enquanto isso, o governo brasileiro mantém a estratégia de evitar confrontos diretos com o presidente argentino e sustenta que as relações diplomáticas somente poderão ser plenamente restabelecidas caso haja mudanças no tom adotado por Javier Milei nas declarações dirigidas ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Leia outras notícias em Imirante.com.