BRASIL – A conversa entre Lula e Trump pode ocorrer na próxima semana e deverá abordar temas que elevaram a tensão entre Brasil e Estados Unidos nas últimas semanas. Segundo aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o objetivo é aproveitar o contato para tentar reduzir a crise diplomática entre os dois países.
Ainda não há uma data definida para o telefonema. A possibilidade foi sinalizada por Lula a aliados de partidos de esquerda na quarta-feira (5), conforme relatos de pessoas que acompanharam as conversas.
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Entre os principais assuntos que podem entrar na pauta estão o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a revogação temporária do visto da embaixadora do Brasil em Washington e a guerra na Ucrânia.
Tarifaço deve ser um dos principais temas
O governo brasileiro pretende utilizar a conversa entre Lula e Trump para discutir as tarifas anunciadas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.
A medida foi criticada pelo Palácio do Planalto, que já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e mantém negociações diplomáticas para tentar reduzir os impactos das novas tarifas sobre as exportações nacionais.
A expectativa é que Lula reforce a posição do governo brasileiro durante o diálogo com o presidente norte-americano.
Revogação do visto da embaixadora também deve ser discutida
Outro assunto previsto para a conversa entre Lula e Trump é a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar temporariamente o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a medida foi adotada em reciprocidade porque o governo brasileiro ainda não concedeu o agrément — autorização diplomática — ao indicado pelos Estados Unidos para assumir a embaixada em Brasília.
De acordo com interlocutores do presidente, Lula indicou que não pretende conceder o agrément antes do fim das eleições deste ano.
Guerra na Ucrânia pode entrar na pauta
Aliados também afirmam que a guerra na Ucrânia poderá ser discutida durante o telefonema.
Na quarta-feira, Lula voltou a defender o fim do conflito e criticou a atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que o órgão não tem conseguido promover uma solução para a guerra.
Embora o presidente não tenha detalhado todos os assuntos que pretende abordar, integrantes do governo acreditam que o cenário internacional deverá fazer parte da conversa.
Governo vê motivação política nas medidas dos EUA
No Palácio do Planalto, auxiliares avaliam que as recentes medidas adotadas pelo governo norte-americano possuem motivação política.
Segundo interlocutores de Lula, o governo entende que tanto o tarifaço quanto a revogação do visto da embaixadora podem influenciar o ambiente eleitoral brasileiro e favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente nas eleições de 2026.
Diante desse cenário, a estratégia do governo é reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e associar as medidas norte-americanas à tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.
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