OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Vorcaro trocou advogado após prisão do pai e crise na delação

Banqueiro demonstrou irritação com avanço das investigações, rejeição da delação premiada e prisão de familiares durante operação da PF.

Ipolítica, com informações do Estadão

Daniel Vorcaro trocou advogado após prisão do pai, rejeição da delação premiada e avanço das investigações da PF.
Daniel Vorcaro trocou advogado após prisão do pai, rejeição da delação premiada e avanço das investigações da PF. (Reprodução)

BRASIL - O banqueiro Daniel Vorcaro decidiu trocar sua defesa após uma sequência de episódios de irritação relacionados ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, à prisão do pai e à rejeição inicial de sua proposta de delação premiada.

A saída do advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, foi anunciada oficialmente como resultado de um acordo entre as partes. Nos bastidores, porém, interlocutores ligados ao banqueiro apontam desgaste crescente na relação entre cliente e defesa.

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Prisão do pai agravou crise de Vorcaro

Segundo relatos de interlocutores, um dos momentos de maior tensão ocorreu após a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 14 de maio.

Daniel Vorcaro teria interpretado a operação como uma quebra de confiança durante as negociações de delação premiada.

Ele acreditava que, com a negociação do acordo, seria poupado pela PF, mas acabou vendo o cerco se fechar à sua família”, relataram interlocutores.

A prisão do pai foi vista por pessoas próximas como um indicativo de que a proposta de colaboração apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) era considerada insuficiente.

Delação premiada foi rejeitada

De acordo com pessoas ligadas à investigação, a proposta inicial de delação apresentada por Vorcaro teria omitido informações já conhecidas pelos investigadores por meio de celulares apreendidos e outras diligências.

Interlocutores admitem que a primeira proposta era considerada uma “delação light”.

O próprio Vorcaro teve receio de aprofundar os relatos sem garantia de que sairia rapidamente da prisão”, afirmaram fontes ligadas ao caso.

Na última quarta-feira (20), a Polícia Federal rejeitou formalmente a proposta apresentada. A PGR também recusou os termos iniciais, mas autorizou a continuidade das negociações e concedeu prazo para complementação das informações.

Troca de defesa ocorreu após desgaste

Outro fator que aumentou a insatisfação do banqueiro foi a transferência de sua cela especial para uma cela comum na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Durante visita da irmã, Natália Vorcaro, o banqueiro também reclamou das condições da prisão e da condução da estratégia jurídica.

Segundo interlocutores, Vorcaro avaliava que o embate entre seu então advogado e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estaria agravando sua situação processual.

A troca da defesa passou então a ser vista como um gesto para facilitar o avanço de uma colaboração mais ampla com as autoridades.

Novo advogado assume negociações

Com a saída de José Luís de Oliveira Lima, a defesa de Daniel Vorcaro seguirá sob responsabilidade do advogado Sérgio Leonardo, que já acompanhava o caso desde o início das investigações.

Ainda existe a possibilidade de contratação de outro advogado para atuar especificamente nas tratativas da delação premiada.

Após a mudança na defesa, André Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro para a cela especial da Polícia Federal, uma sala de Estado-Maior localizada em Brasília.

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