Deputada mais votada do país é acusada de cobrar R$ 5 mil de candidato à Assembléia Legislativa

GloboNews.com

- Atualizada em 27/03/2022 às 15h26

São Paulo - O telejornal da Rede Globo SPTV mostrou hoje gravações em que a deputada estadual mais votada do Brasil, Havanir Nimitz, aparece exigindo dinheiro de um candidato à Assembléia Legislativa de São Paulo. Havanir, presidente do diretório paulista do Prona, o partido do Doutor Enéas, pediu R$ 5 mil a um microempresário filiado ao partido.

O advogado Luciano Pereira dos Santos, especialista em Direito Eleitoral, disse que a legislação não considera crime pedir dinheiro em troca de uma vaga de candidato, mas considera imoral essa atitude.

O Ministério Público investiga o caso, mas pediu mais tempo para se manifestar. Na declaração à Justiça eleitoral, não há registro de que o Prona tenha recebido doações. A Procuradoria Eleitoral adiantou que, em tese, casos como esse podem resultar na cassação do mandato.

A conversa gravada ocorreu na sede do partido, na capital paulista, segundo o microempresário Jorge Roberto Leite, morador de Santos, no Litoral paulista. Ele afirmou que chegou a aceitar as regras impostas pelo Prona, de comprar livretos do Doutor Enéas por cerca de R$ 700.

- Na primeira vez que eu me candidatei a vereador, ela (Havanir) me cobrou a cartilha. Então dessa vez eu levei um gravador - afirmou Leite.

Em determinado momento, a gravação revela a seguinte frase dita por Havanir:

- Se for para parcelar, é de R$ 5 mil - afirmou a deputada eleita.

Jorge disse que se negou a dar o dinheiro e afirmou que voltou a conversar com Havanir. Naquela oportunidade, ela chegou a comparar eleição com loteria.

- Você está pleiteando uma candidatura, um poder de quatro anos. Até para concorrer na loteria precisa comprar o bilhete - disse a presidente do Prona.

Na gravação, ela também afirma que um outro candidato teria negociado uma vaga de candidato do Prona. As fitas foram analisadas pelo perito em fonética da Unicamp, Ricardo Molina. Segundo ele, a gravação é autêntica.

- O fato precisa ser apurado, porque neste país tem de ter partido sério - afirmou o microempresário.

A deputada eleita pelo Prona foi procurada várias vezes pela reportagem do SPTV, mas se negou a falar sobre o assunto.

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