Em Balsas

Vendedor de lanches relata constrangimento após clientes recusarem produtos por ele ser petista em Balsas

Seu Careca afirma que não sabia que estava sendo filmado; ACIB e CDL divulgaram carta de repúdio à divulgação de listas que incentivam boicotes a estabelecimentos por preferências políticas.

Imirante.com

Seu Antônio trabalha há 37 anos vendendo lanches em Balsas. Foto: Reprodução

BALSAS - O vendedor de lanches Antônio Pereira, conhecido popularmente como seu Careca, relatou ter ficado surpreso e triste após clientes recusarem seus produtos em Balsas, no sul do Maranhão. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo em que pessoas afirmam que deixariam de comprar os lanches dele por ser petista.

Em um novo vídeo enviado ao Imirante, seu Careca contou como foi a situação e afirmou que não sabia que estava sendo filmado. Segundo ele, a abordagem ocorreu durante a rotina de trabalho, quando foi aos escritórios onde costuma atender clientes e oferecer seus produtos.

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“Eu acho assim, é uma covardia muito grande, porque não deram nenhuma [oportunidade] para me entrevistar. Fui levado nas minhas costas”, afirmou o vendedor, ao reclamar de não ter sido avisado sobre a gravação.

Vendedor conta como foi a situação

Seu Careca relatou que chegou ao local pela manhã, buzinou e, como ninguém apareceu, seguiu com o trabalho. Mais tarde, vendeu um pastel a um rapaz e foi até um escritório onde costuma cumprimentar as pessoas e oferecer lanches.

De acordo com o relato, os funcionários responderam ao cumprimento, mas, quando ele perguntou se queriam lanchar, disseram que já tinham comido. Em seguida, o vendedor foi a outro escritório, onde também costuma atender clientes, e ouviu uma resposta semelhante.

Ele contou que saiu do local e seguiu para outros fregueses. Segundo seu Careca, algumas pessoas que compram seus lanches habitualmente decidiram levar duas unidades cada uma, em vez de uma, como costumam fazer, porque acreditavam que ele não voltaria mais tarde.

O vendedor afirmou que ainda ficou com cerca de 30 lanches para vender depois de deixar o local. Ele só soube da repercussão do episódio quando chegou em casa e uma conhecida o avisou de que o vídeo estava circulando nas redes sociais.

“Eu não sabia que eu estava sendo televisionado nas minhas costas, porque eu não vi nada”, disse.

Trajetória de trabalho

Seu Antônio trabalha há 37 anos vendendo lanches em Balsas. Mesmo com deficiência auditiva, mantém a rotina de trabalho e conta que a atividade foi fundamental para sustentar a família e ajudar a criar três sobrinhos como filhos.

Ele também relatou que convive há cerca de 12 a 13 anos com problemas de audição, que às vezes o impedem de ouvir quando alguém fala com ele, principalmente quando está de costas. No depoimento, ressaltou que essas situações não acontecem por falta de vontade de atender as pessoas.

ACIB e CDL divulgam carta de repúdio

Em meio à repercussão do caso, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Balsas (ACIB) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) divulgaram, nesta quarta-feira (28), uma carta de repúdio à divulgação de listas que atribuem preferências eleitorais a empresas, empresários e cidadãos e incentivam boicotes a estabelecimentos comerciais.

No documento, as entidades afirmam que a prática, independentemente da orientação política dos envolvidos, afronta princípios democráticos e garantias constitucionais relacionadas à liberdade de pensamento, consciência e convicção política.

A carta destaca que o boicote a estabelecimentos comerciais pode prejudicar não apenas os proprietários, mas também empregados, fornecedores, prestadores de serviços e famílias que dependem dessas atividades.

As entidades também alertam que a exposição indevida de nomes e a atribuição pública de preferências políticas podem, conforme as circunstâncias, configurar violações à honra, à imagem e à proteção de dados pessoais, sujeitando os responsáveis às medidas legais cabíveis.

Ao final, a ACIB e a CDL pedem que a população não compartilhe listas desse tipo e defendem o respeito às diferenças como condição para a convivência democrática e o desenvolvimento do município.

A carta é assinada por Márcio Ferreira Nunes, presidente da CDL de Balsas, e Erivaldo Alves da Fonseca, presidente da ACIB, e tem data de 28 de outubro de 2026.

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