ALCÂNTARA – A empresa sul-coreana Innospace afirmou que, durante o lançamento do foguete SEBIT realizado em agosto no Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA), o sistema responsável pelo controle das aletas do veículo não funcionou corretamente. A informação foi divulgada nessa quarta-feira (30), após a análise técnica feita pela empresa.
A companhia informou que identificou diferenças entre o comportamento previsto pelo projeto e o desempenho real do sistema durante a fase de baixa velocidade. O SEBIT foi lançado às 16h30 do dia 19 de agosto. Cerca de 35 segundos após a decolagem, o voo foi interrompido. Na ocasião, ainda não havia sido informado o motivo da interrupção.
A Innospace informou que apresentou seu relatório interno de análise da causa ao Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), que conduz uma investigação sobre a queda do foguete conjunta com a empresa. Segundo a companhia, as conclusões da investigação oficial ainda poderão acrescentar novos elementos à análise.
Problema nas aletas pode ter causado queda de foguete
De acordo com a Innospace, os dados de telemetria coletados durante o voo apontaram a necessidade de melhorias no algoritmo que controla quatro aletas instaladas na parte inferior do SEBIT.
Essas estruturas são responsáveis por ajudar no controle da atitude e da direção do foguete durante o voo. A análise da empresa identificou discrepâncias entre o comportamento esperado pelo projeto e o desempenho observado na prática durante a fase de baixa velocidade.
A companhia afirma que está utilizando os dados obtidos no lançamento para aprimorar o algoritmo e também revisar procedimentos relacionados ao projeto e aos testes do sistema. As mudanças deverão ser aplicadas no próximo voo de verificação.
Sistema de término de voo funcionou durante queda de foguete
Apesar da interrupção antecipada, a Innospace afirmou que o Sistema de Término de Voo (FTS, na sigla em inglês) funcionou conforme o previsto. O sistema criado pela empresa não utiliza dispositivos pirotécnicos (explosivos).
Ele interrompe a propulsão do foguete ao cortar o fornecimento de oxidante após receber um comando de término de voo. Em seguida, o sistema realiza a separação do veículo para concluir a operação de forma segura.
Segundo a empresa, o procedimento foi executado conforme a sequência planejada durante o voo do SEBIT. A Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelas operações no local de lançamento, também reconheceu a execução segura do procedimento, de acordo com a InnoSpace.
Empresa planeja novo lançamento após queda de foguete
Com os dados obtidos no primeiro voo, a empresa pretende realizar um novo voo de verificação do SEBIT. A previsão informada pela Innospace é de que a operação ocorra em novembro, mas a data ainda depende das discussões com as autoridades brasileiras.
A companhia também pretende ajustar o cronograma do lançamento do HANBIT-Nano para o primeiro semestre de 2027. Segundo a Innospace, os ajustes estão sendo discutidos com a ALADA – Empresa Brasileira de Projetos Aeroespaciais e a Força Aérea Brasileira. As datas definitivas ainda não foram estabelecidas.
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