ALCÂNTARA – Aprender novas formas de preparar alimentos cultivados no próprio quintal, registrar em imagens a cultura da comunidade e descobrir novas possibilidades por meio do esporte. Essas são algumas das experiências proporcionadas pelo Conexão SESI Alcântara – Arte, Vida e Movimento, projeto do Serviço Social da Indústria do Maranhão (SESI-MA) que desenvolve ações em comunidades quilombolas e empresas do município. As atividades realizadas nos dias 7 e 8 de agosto levaram oficinas às comunidades de Peru, Marudá, Cajueiro e Oitíua. O projeto beneficia 90 mães no eixo Sabores da Tradição Quilombola, 90 crianças nas atividades esportivas e outros 90 participantes no curso de Fotografia e Vídeo. As ações também alcançam empresas industriais que funcionam na região.
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A iniciativa é realizada pelo SESI Maranhão em parceria com o Conselho Nacional do SESI, com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Prefeitura de Alcântara, e integra as comemorações pelos 80 anos do SESI. “O Conexão SESI Alcântara é um projeto muito significativo, uma vez que Alcântara é o maior território quilombola do Brasil”, afirma Fabiano Lobato, profissional especialista em esporte e lazer do SESI-MA e representante da coordenação do projeto nas atividades de agosto. Segundo ele, a presença do SESI por meio de ações de promoção da saúde, qualidade de vida, esporte e lazer contribui para ampliar o acesso a oportunidades e fortalecer a cidadania nas comunidades. Para Fabiano, as atividades também têm como objetivo preservar a identidade local. “O SESI, através dessas ações, pretende trazer dignidade a essas comunidades, com alto reconhecimento enquanto comunidade quilombola, preservando as suas raízes, os seus valores e as suas tradições”, afirma.
No eixo Sabores da Tradição Quilombola, as oficinas utilizam alimentos que já fazem parte da produção das famílias, como macaxeira, banana, milho, abóbora, buriti. A proposta é ampliar as possibilidades de preparo, incentivar o aproveitamento integral dos alimentos e mostrar que os produtos locais também podem se transformar em alternativas de renda. “A intenção do SESI foi trazer o sabor juntamente com a nutrição e com a economia”, explica a nutricionista, Gláucia Rodrigues, que atende pelo projeto.
Em Marudá e Cajueiro, cerca de 90 mulheres participam das atividades. A lavradora Elma Alves Lemos, 47, já levou o aprendizado para casa. Ela conta que passou a preparar diferentes receitas com macaxeira e a aproveitar a casca da banana, que antes era descartada. “Agora, a regra lá em casa é o bolo da casca de banana”, conta. Segundo Elma, os filhos passaram a pedir que a casca seja guardada para preparar a receita. O creme de macaxeira também entrou na rotina da família.
REPERTÓRIO ALIMENTAR AMPLIADO – A oficina também mostrou às participantes outras formas de utilizar produtos cultivados nas próprias comunidades. Para Gláucia, o resultado é a ampliação do repertório alimentar e a possibilidade de transformar conhecimentos culinários em fonte de renda.
No eixo Fotografia e Vídeo, o projeto trabalha técnicas de produção de imagens, iluminação e edição com a fotógrafa Versuka Oliveira. A intenção é estimular moradores a registrar a arquitetura, as paisagens, as manifestações culturais e o cotidiano de Alcântara, tanto na sede como nos povoados.
A quilombola Michelly Cristine Macedo, 20, moradora de Samucangaua, descobriu o interesse pela fotografia ainda na adolescência. Ela já fazia registros da comunidade e agora busca transformar a atividade em profissão. “A fotografia foi feita para registrar os momentos e também deixar um pouco da memória da gente”, afirma Michelly. Durante a oficina, ela passou a aprender recursos de edição de fotografias e vídeos que ainda não dominava. Já a técnica em meio ambiente Dielliane Viegas, 24, moradora da comunidade de Macacos, também fotografa desde o ensino médio. Seu interesse está principalmente nas paisagens e na natureza. Para ela, registrar Alcântara é uma forma de preservar para outras gerações a cultura, a ancestralidade e a arquitetura do município.
O esporte é outro eixo do projeto. Crianças e adolescentes das comunidades de Peru, Marudá e Cajueiro participam de atividades de iniciação ao atletismo, com corrida, salto, arremesso e lançamento. Nos dias 7 e 8 de agosto, as atividades incluíram uma oficina de salto em altura. Segundo Leidiane Cabral, especialista em esporte e lazer do SESI-MA, as atividades não se limitam à técnica esportiva. O trabalho também envolve respeito, cooperação, convivência e confiança. “O projeto Conexão SESI Alcântara está presente em três comunidades quilombolas, Marudá, Cajueiro e Peru, através do esporte e trazendo oportunidades de qualidade de vida, inserção ao esporte”, afirma.
O projeto também leva ações de saúde e bem-estar para empresas instaladas em Alcântara e região. Na Espacial Tecnologia de Construção, cerca de 20 trabalhadores participaram de uma programação do eixo Arte e Vida, com uma roda de conversa sobre o Agosto Lilás e uma sessão de ginástica laboral. A psicóloga Luana Rodrigues conduziu a conversa sobre prevenção à violência contra a mulher. A atividade abordou diferentes formas de violência, os impactos psicológicos sobre as vítimas e o papel dos homens na construção de relações baseadas em respeito, diálogo e confiança. Na sequência, os trabalhadores participaram da ginástica laboral. Segundo Leidiane Cabral, a atividade funciona como uma pausa ativa durante a jornada, com exercícios destinados a reduzir cansaço, fadiga, dores e estresse.
Para o carpinteiro Antônio Pedro da Silva, 53, nascido em Alcântara e funcionário da construtora desde 2008, a experiência trouxe uma sensação diferente para a rotina de trabalho. “Dá um ânimo. A gente vai vitalizado para o próximo dia”, afirma. Ele também conta que a expectativa é continuar comentando sobre a atividade no trabalho e levar as reflexões para casa.
O encarregado de obras Valdeci Ferreira, 37, que trabalha há três anos na empresa, também destacou o efeito da pausa diante da carga física e psicológica da rotina. “Às vezes a pressão psicológica é muito mais do que se sentir uma dor, alguma coisa física”, afirma. Para ele, o momento proporcionado pelo SESI ajuda os trabalhadores a retornar para casa com outra disposição.
O sócio-diretor da empresa, José Ribamar Abreu, falou da aproximação com o SESI com a Espacial, que está há 21 anos no mercado de Alcântara. Para ele, a presença do SESI agrega conhecimento, segurança e atendimento especializado aos trabalhadores.
A programação do SESI segue até o mês que vem, com atividades destinadas a trabalhadores, crianças, adolescentes, jovens e mães das comunidades alcantarenses.
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