Natural de Açailândia

Quem é o jovem do MA recrutado para a guerra da Ucrânia e que mãe diz ter morrido em combate

Natural de Açailândia, Mateus Sandyel da Costa Campos tinha 24 anos, chegou a cursar Engenharia Civil e se voluntariou para integrar as forças ucranianas; morte ainda não foi confirmada oficialmente.

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Maranhense de 24 anos teria morrido em combate na guerra da Ucrânia. (Foto: reprodução / redes sociais)

AÇAILÂNDIA – Natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão, Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, deixou o Brasil, viajou por países da Europa e se voluntariou para integrar as forças militares da Ucrânia. 

Segundo a mãe dele, Diana Silva, o jovem teria morrido na sexta-feira (31 de julho), durante um combate na guerra contra a Rússia. A morte, no entanto, ainda não havia sido confirmada oficialmente pelo Ministério das Relações Exteriores nem pelo Exército ucraniano.

Solteiro e sem filhos, Mateus chegou a cursar Engenharia Civil na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), mas concluiu apenas um período da graduação.

Antes de ingressar nas forças ucranianas, o jovem compartilhava nas redes sociais registros de viagens e de trabalhos realizados em diferentes lugares da Europa, como Amsterdã, na Holanda, cidades da Bélgica e Paris, na França.

Viagem para a Ucrânia

Após passar por outros países europeus, Mateus decidiu viajar para a Ucrânia com a intenção de ser recrutado para atuar na guerra contra a Rússia. Segundo a mãe, ele se voluntariou para integrar as forças ucranianas em 26 de março deste ano.

Diana Silva afirmou que o filho teria recebido a promessa de uma bonificação pelo recrutamento, além de um bom salário, em um contrato com duração de seis meses. No entanto, de acordo com ela, o jovem encontrou uma realidade diferente ao chegar ao país.

Comunicações com filho foram cortadas após morte na guerra da Ucrânia. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Mateus teria passado por cerca de quatro meses de treinamento e ainda estava em período de experiência quando foi enviado para uma área de combate. Faltavam aproximadamente dois meses para o encerramento do contrato.

“Era um menino fora da curva”, diz mãe

A mãe descreveu Mateus como uma pessoa inteligente, carinhosa, corajosa e dedicada à família. Segundo ela, o jovem era querido por onde passava e costumava poupar os familiares das notícias mais difíceis sobre a guerra.

“Ele era um menino fora da curva. Era muito inteligente, com uma inteligência excepcional, um amor excepcional e um carinho excepcional. Por onde ele passava, era querido. Eu só podia admirá-lo. Eu só admirava o meu filho. Não o impedi, porque ele era homem, e eu admirava a sua coragem. Eu admirava o fato de o meu filho, tão jovem, ter assumido essa missão. Esse era o meu conforto: admirar a coragem dele. Mas eu não tinha noção de que ele passaria por isso. Meu filho era um menino muito bom e muito corajoso. Ele abdicou do conforto, da família e dos planos para lutar por outro país. Eu esperava que ele voltasse”, declarou.

Diana afirmou que admirava a coragem do filho ao decidir deixar o Brasil para participar do conflito, mas não tinha conhecimento da dimensão dos riscos enfrentados por ele.

Nas conversas com a família, Mateus evitava relatar os momentos mais difíceis vividos na Ucrânia. Segundo a mãe, ele falava principalmente sobre assuntos cotidianos e sobre os planos para quando retornasse ao Brasil.

Família foi avisada por outros brasileiros

A notícia da suposta morte foi divulgada por Diana no domingo (2 de agosto), por meio das redes sociais. Segundo ela, a informação foi repassada por brasileiros que estavam com Mateus na Ucrânia.

A mãe contou que passou vários dias sem contato com o filho, pois o telefone dele teria sido recolhido antes de uma missão. A família começou a desconfiar de que algo havia acontecido depois que um amigo publicou diversas fotos de Mateus nas redes sociais.

Maranhense teria ido para guerra em março, segundo mãe. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

“Eu só fiquei sabendo que mataram o meu filho porque um colega avisou. Quando vi os stories de um amigo dele, vi várias fotos do meu filho e desconfiei. Esse amigo não falou nada. Ele estava se despedindo do meu filho por meio das fotos”, afirmou.

Posteriormente, outro companheiro de Mateus entrou em contato com uma das irmãs do jovem e comunicou a suposta morte. “Eu só fiquei sabendo porque um colega teve a compaixão de me comunicar”, afirmou Diana.

Corpo estaria em área de combate

De acordo com as informações recebidas pela família, o corpo de Mateus estaria em uma área de alto risco e sob controle das forças inimigas. Por causa das condições de segurança, os militares ainda não teriam conseguido retirá-lo do local.

Diana afirmou que o Exército da Ucrânia não teria reconhecido oficialmente a morte porque o corpo ainda não foi resgatado. Segundo o relato recebido pela família, os soldados teriam que percorrer cerca de 30 quilômetros carregando o corpo até um local onde um veículo pudesse levá-lo para uma base militar.

A mãe pretende buscar auxílio do consulado brasileiro e orientação jurídica para entender os procedimentos necessários. Inicialmente, a família desejava trazer o corpo para o Brasil, mas teria sido informada sobre as dificuldades e os custos elevados do traslado.

Uma das possibilidades seria o sepultamento de Mateus em um cemitério destinado aos militares mortos na guerra, na Ucrânia.

“No Cemitério dos Heróis, onde são enterrados os soldados mortos na guerra, pelo menos haverá esse reconhecimento. Mas isso não tira o reconhecimento que ele já tem aqui. Meu filho é um herói. Lembrem-se dele como um herói. A mãe do herói está aqui. Eu sou a mãe do herói”, declarou.

Mãe faz alerta a outros brasileiros

Durante o relato, Diana alertou brasileiros que estejam pensando em viajar para participar da guerra na Ucrânia.

“Então, fica o alerta para qualquer outra pessoa que esteja pensando em ir para lá: não vá. Lidar com esse luto não é fácil. O consulado não faz nada. Eles não fazem nada”, afirmou.

A mãe disse que continuará buscando informações sobre o resgate do corpo e sobre o reconhecimento oficial da morte.

“Mãe nenhuma deveria passar pelo que estou passando. Eu não desejo essa dor para ninguém. Não sabia que passaria por essa dor tão cedo. Nenhuma mãe quer enterrar um filho. Eu não sabia, gente, que passaria por isso. Nunca esperava receber essa ligação", disse. 

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