Pergentino Holanda

O fim de uma era

Mais: Tenista maranhense no Chile

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A Rainha Elizabeth II usando um elegante vestido verde
A Rainha Elizabeth II usando um elegante vestido verde

O mundo se despede de Elizabeth II, a rainha que andou de braço dado com a História, assistiu ao declínio britânico na fila da frente e foi uma das figuras mais marcantes das últimas décadas.

Ao longo dos 70 anos de reinado, Elizabeth Alexandra Mary foi sobretudo um símbolo de estabilidade para a família real e seus súditos, mas também foi uma personalidade admirada ao redor do planeta pela postura de discrição, dignidade e decência.

Proclamada rainha aos 25 anos, em 1952, por uma casualidade desencadeada pela decisão do tio Edward VIII de abdicar ao trono para se casar com uma plebeia divorciada, Elizabeth II foi testemunha e protagonista de alguns dos mais dramáticos episódios dos séculos 20 e 21.

Elizabeth II atuou nas Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial, viu já como monarca o processo de perda de influência do Império Britânico, a tensão da Guerra Fria, o esfacelamento da União Soviética e, mais recentemente, o Brexit e a pandemia da Covid-19.

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Apesar de não exercer função política ou administrativa pela característica da monarquia constitucional britânica, Elizabeth II foi, no transcorrer de perturbações geopolíticas, conflitos bélicos e crises internas, uma voz firme mas acalentadora a passar mensagens de união e de resiliência para a população.

Como alicerce moral do Reino Unido moderno, deixa como legado a prova de que carisma e serenidade podem caminhar juntos na personalidade de uma liderança.

Assim, conquistou profundo respeito e admiração, administrando com retidão inclusive os escândalos que envolveram a família real.

Construiu a sua reputação pelo exemplo, preservando a instituição da monarquia.

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Por coincidência, a última mensagem oficial da rainha foi direcionada aos brasileiros. Elizabeth II parabenizou o país pelo Bicentenário da Independência e lembrou recordar-se com carinho da visita que fez ao Brasil em 1968.

Com o falecimento, após sua saúde vir gradativamente se deteriorando nos últimos meses, a coroa britânica será assumida pelo filho mais velho da monarca, o príncipe Charles, 73 anos. Reinará como Charles III e chega ao trono em meio ao grave conflito entre Rússia e Ucrânia, que causa consequências duras na Europa, principalmente quanto ao fornecimento de energia e à inflação.

Espera-se que o novo soberano e chefe de Estado tenha sabedoria e temperança para que, com suas atribuições, mesmo que de caráter mais simbólicos, ajude o Reino Unido e o mundo a perseverar na busca por dias melhores.

 

A Rainha Elizabeth II com o agora Rei Charles III
A Rainha Elizabeth II com o agora Rei Charles III

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Há quem diga, sem reduzir a importância histórica de Margaret Thatcher, que recebeu esse epíteto em vida, mas até pelo tempo de vida pública e pelas atribulações enfrentadas, a verdadeira dama de ferro britânica foi Elizabeth II.

Basta lembrar que, dois dias antes de sua morte, deu posse formal à nova primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss.

Foram 70 anos de reinado, superando outras duas mulheres que ocuparam o trono deixando marcas na história de seu país e do mundo, Elizabeth I e Vitória.

Se não teve as glórias militares das antecessoras e assistiu ao encolhimento de seu império, conseguiu manter a monarquia, mesmo em meio a altos e baixos de popularidade. Foi um elemento de estabilidade em tempos de incerteza.

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Elizabeth II foi uma rainha acidental. A linha sucessória era a de seu tio, Edward VII, que abdicou por pressões que envolviam a decisão de casar com uma mulher divorciada (em 1936) e suposta proximidade com nazistas. Quando assumiu, em 1952 – com coroação em 1953 –, o reino vivia a recessão do pós-guerra, com racionamento de comida.

Embora não tenha se envolvido no governo, por ter papel meramente simbólico, foi o símbolo que permaneceu enquanto seu país sofria perdas: a das colônias – do ponto de vista econômico, um bom negócio, porque reduziu despesas –, a de centro industrial do planeta, a do papel da libra esterlina na regulação do sistema monetário global, da fase de maior popularidade da monarquia com a princesa Diana e até da parceria com a União Europeia.

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A verdadeira dama de ferro, a rainha acidental mas longeva, vai fazer falta como elemento de estabilidade em um momento em que o Reino Unido enfrenta crises múltiplas: inflação alta, agravada pela crise de abastecimento acentuada pelo Brexit, alta no custo de mão de obra pelas restrições à imigração e uma guerra na Europa que ameaça o fornecimento de energia às frias ilhas que comandou por mais de sete décadas.

Sua igual frieza, criticada especialmente por se tratar de uma mulher, priorizou a liturgia do cargo a questões pessoais. Seu legado mais reconhecido pelos britânicos é o senso de dever.

A morte de Elizabeth II também pode marcar o fim da era em que o papel do governante era mais importante do que a pessoa que ocupa o cargo.

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Somando aos marcos históricos as lideranças políticas, o atestado de longevidade da vida pública da monarca britânica é igualmente admirável: quando Elizabeth Alexandra Mary, da Casa de Windsor, ascendeu ao trono, havia Winston Churchill, Harry Truman, Josef Stalin e Mao Tsetung.

No dia da sua morte havia Elizabeth Truss, Joe Biden, Vladimir Putin e Xi Jinping.

Afirmar que o mundo mudou enquanto Elizabeth II reinou a partir do Palácio de Buckingham não gera, só por si, grande debate. Mas a acompanhar a transformação política, social, econômica e cultural, de várias e distintas fases e faces, ocorreu também uma mudança no papel, na autoridade e na própria relevância da Família Real para além do canal da Mancha.

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No plano político é difícil argumentar que rainha contribuiu, decisivamente, para grandes revoluções ou que tomou decisões que alteraram o curso da História. Pessoalmente era acanhada e introvertida. E no exercício das suas funções acreditava que a monarquia não devia intervir na disputa política, antes se manter neutra, oferecendo um apoio tácito ao Governo em funções.

No entanto, no que toca à evolução do ofício do poder real ao longo das últimas décadas, Elizabeth II teve participação bastante ativa.

Ela contribuiu para a abertura da Família Real à população, auxiliada pela evolução tecnológica; ajudou a reformular parte da relação entre o Reino Unido e as ex-colônias, em incontáveis visitas aos países da Commonwealth; e conseguiu, através de uma extraordinária imperturbabilidade, transmitir integridade, colhendo, com ela, o reconhecimento da maioria dos britânicos.

 

Na visita ao Brasil, a Rainha Elizabeth com o nosso Rei Pelé
Na visita ao Brasil, a Rainha Elizabeth com o nosso Rei Pelé

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Tudo isto enquanto, à sua volta, abundaram escândalos familiares e se tentaram conter os estilhaços mediáticos causados por mortes dramáticas, apetecíveis para a imprensa mais mordaz – como a da nora princesa Diana, vítima de um acidente de carro em 1997, ou a do tio lorde Mountbatten, assassinado pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1979.

“É uma rocha de estabilidade num mundo em constante mudança”, disse, sobre ela, David Cameron, o “seu” 12.º primeiro-ministro, quando em 9 setembro de 2015 Elizabeth II ultrapassou os 63 anos, sete meses e dois dias de reinado da rainha Vitória (1837-1901), tornando-se a monarca britânica com mais anos de chefia do Estado – no ano seguinte, com a morte do rei tailandês Bhumibol Adulyadej, Elizabeth II subiu ao topo mundial da lista de reinantes mais duradouros ainda vivos.

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Aos 96 anos e com uma longa vida pública , Elizabeth II deixou o Reino Unido e as suas tradições mais pobres, num tempo de guerra e de pandemia, crises às quais, essencialmente por debilidades físicas, não foi capaz de dar mais atenção, e que foram tratadas, em grande parte, através de uma dimensão mais protocolar.

Como provam as celebrações e o entusiasmo generalizado no seu Jubileu de Platina, em junho deste ano, nas ruas de muitas cidades do país, mesmo com a protagonista ausente por problemas de saúde, Elizabeth II foi símbolo de unidade, de resiliência e de sentido de Estado, em tempos e experiências políticas atribuladas, em que muitos não o teriam sido.

Deixa também o futuro da monarquia britânica nas mãos de Charles e de William, dois homens, também eles, de tempos diferentes, a quem o mais devoto dos monárquicos apenas pede uma coisa: que herdem da rainha o dom de ser consensual. Não é coisa pouca. E ela teve 70 anos de reinado para o dominar.

DE RELANCE

Maranhense no Chile

A maranhense Bruna Liotto joga hoje na cidade de Concepción, no Chile, sua primeira final de uma etapa do Circuito Sulamericano de Tennis/COSAT.

A parceira na final da Copa Ciudad de Concepción, nas duplas da categoria até dezesseis anos, será a chilena Renata Elena Montoya, com quem Bruna joga pela primeira vez.

Para chegar à final, Bruna e Renata Elena venceram as chilenas Trinindad Canete e Rocio Sarria, segunda dupla melhor ranqueada no campeonato.

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A dupla adversária na final da Copa será formada pela peruana Micaela Pleuss e a chilena Carmenluz Calderón, cabeça de chave número um do torneio.

Nesta temporada, Bruna disputou quatro etapas do Circuiro COSAT no Paraguai e Chile, e esta, é a primeira final da atleta maranhense.

Além de liderar o ranking maranhense da Primeira Classe feminina, Bruna chegou ao décimo sexto lugar do ranking brasileiro de tênis, em sua categoria.

Monólogos Históricos

Dando continuidade ao ciclo de apresentação dos quatro monólogos vencedores do Projeto "Monólogos Históricos para o PEN Clube em tempos de confinamento e reclusão - 2020", o PEN Clube do Brasil, por seu Presidente Ricardo Cravo Albin, está convidando para o terceiro evento, a encenação do monólogo “O mundo cabe no meu quarto”, de autoria da escritora Ana Luiza Almeida Ferro, da Academia Maranhense de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia, a qual ocorrerá em sua sede social na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, a partir das 17h do dia 16 de setembro (próxima sexta-feira).

Ana Luiza, autora do monólogo vencedor, estará presente e apresentará e dirigirá pessoalmente a encenação.

Após a apresentação, será servido vin d'honneur para brindar o exitoso Projeto e o monólogo inédito. 

Para escrever na pedra:

“E assim, enquanto espero sinceramente continuar a servi-los, espero que este Jubileu reúna famílias e amigos, vizinhos e comunidades – depois de alguns momentos difíceis para muitos de nós – para aproveitar as celebrações e refletir sobre os desenvolvimentos positivos em nossas vidas diárias que coincidiram tão felizmente com o meu reinado”. Discurso da Rainha Elizabeth II no Natal de 2021.

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