Reconhecimento

Iniciativa indígena vence prêmio de arquitetura britânico

Localizado no Tocantins, o projeto "Aldeia das Crianças" trata-se de moradas infantis para escola da Fazenda Canuanã.
Na Mira, com informações do Ministério da Cultura 26/11/2018 às 08h00

BRASIL - O projeto arquitetônico "Aldeia das crianças", de Marcelo Rosenbaum e do grupo Aleph Zero, venceu o Royal Institute of British Architects (RIBA) 2018. O prêmio, um dos mais prestigiados do setor, é concedido a cada dois anos para um edifício que mostre excelência em design, ambição arquitetônica e ofereça um impacto social significativo.

A iniciativa brasileira é mais um exemplo de como a economia criativa e, mais especificamente a arquitetura, pode ser uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

As moradas infantis para escola da Fazenda Canuanã, no Tocantins, buscam o resgate cultural, a beleza indígena e seus saberes, além do incentivo a técnicas construtivas locais.

A premiação resultou não apenas do edifício mas do processo de criação dele, que envolveu reuniões com crianças em atendimento as suas demandas, além de uma ampla pesquisa para melhor uso dos materiais.

(Foto: reprodução)

"A proposta é especial, tem um olhar delicado e sensível para o lugar, para entender o lugar, as crianças e propor uma solução que fosse adequada ao uso e sonho que tinham, e que fosse adequado ao clima do cerrado, que tem muito calor", explica Gustavo Utrapo, responsável pelo projeto e sócio-arquiteto da Aleph Zero.

Para que saísse do papel, foi um ano de projeto e 14 meses de obras. Desde o ano passado, as crianças já aproveitam o espaço. "Fabricamos a estrutura de madeira em outro lugar e montamos lá. Tudo que era leve trouxemos, o resto fizemos localmente, com terra do próprio lugar e enfatizando a questão da sustentabilidade e da terra do lugar", afirma.

O espaço se organiza em duas vilas, uma masculina e outra feminina. A redução de grandes dormitórios em 45 unidades de 6 alunos (cada) teve por objetivo melhorar a qualidade de vida das crianças, sua individualidade e, por consequência, seu desempenho acadêmico.

Na escola também há espaços de convívio como sala de TV, espaço para leitura, varandas, pátios e redários. "O projeto se configurou com uma grande sombra, que permite que crianças brinquem, corram e tenham imaginação desperta. Esse espaço que não é ocupado, essa grande sombra, é latente para a imaginação das crianças", comenta.

Concorrência acirrada

A inciativa brasileira desbancou projeto da Universidade da Europa Central, em Budapeste, por O'Donnell + Tuomey; a Escola de Música Toho Gakuen, Tóquio, por Nikken Sekkei e a Il Bosco Verticale (Floresta Vertical), Milão, por Boeri Studio. (Veja os projetos: https://bit.ly/2umTl6F).

Em declaração dada à organização do prêmio, o presidente da Riba, Bem Derbyshire, elogiou a obra. "Oferece um ambiente excepcional projetado para melhorar a vida e o bem-estar das crianças da escola", disse. "Isso ilustra o valor imensurável de um bom design educacional".

Economia criativa

"Aldeia das Crianças" é mais um exemplo de como a cultura gera futuro. "É normal que desenvolvimento aconteça pela criatividade. A arquitetura se insere nisso. Cada vez que constrói, gasta materiais, usa recursos naturais e tem a possibilidade de criar um espaço que encanta, que causa bem esta", fala Gustavo Utrapo. "Nosso papel fundamental é melhorar a vida das pessoas".

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