SÃO LUÍS - A VI Feira Emaranhadas será realizada nesta quinta-feira (17), das 9h às 15h, na Praça Deodoro, no Centro de São Luís. O evento completa cinco anos de realização e terá como tema central o papel das mulheres na defesa da Amazônia, reunindo produção da agricultura familiar, artesanato, economia solidária, exposição e atrações culturais.
A iniciativa integra a programação do Setembro Amazônico e busca dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por mulheres de comunidades rurais, tradicionais e das periferias da Grande Ilha.
Nesta terça-feira (15), no PodCast Atualidades na Mirante News, Karoline Ramos, coordenadora executiva de projetos da Rede Emaranhadas, destacou que a realização da feira na Praça Deodoro é uma estratégia para aproximar a produção das comunidades do público que circula diariamente pelo Centro da capital.
“É um lugar super estratégico para que a gente consiga elevar a produção rural, mostrar que o Maranhão é um território amazônico”, afirmou.
Produção e economia solidária
Quem passar pela Praça Deodoro poderá encontrar hortaliças, verduras, artesanato, geleias, alimentos e outros produtos produzidos pelas participantes da Rede Emaranhadas.
A organização atua desde 2021 no fortalecimento das iniciativas desenvolvidas por mulheres em diferentes territórios da Grande Ilha. O trabalho envolve geração de renda, educação política popular, economia solidária e defesa socioambiental.
Um dos exemplos é o grupo de mulheres de Tendal Mirim, que passou a transformar a produção dos próprios quintais em fonte de renda. Atualmente, cinco mulheres conseguem obter renda extra com os produtos e também participam de outros circuitos de agricultura familiar e economia solidária.
A Rede também realizou uma edição comunitária da feira no Porto do Mojó, em Paço do Lumiar, levando a iniciativa para dentro de uma comunidade tradicional e incentivando a autonomia econômica e produtiva local.
Cultura e memória
A programação da VI Feira Emaranhadas também terá atrações culturais. Estão previstas apresentações de Yasmin Ohana, com Brasilidades, e Emanuele Paz, com Forró da Paz.
O público poderá ainda visitar a exposição “Mulheres pelo Bem Viver”, que apresenta trajetórias de mulheres que são referências para a Rede Emaranhadas e reúne registros fotográficos dos cinco anos de realização da feira.
Outro destaque será a participação do Movimento dos Atingidos por Barragens do Maranhão (MAB-MA), que apresentará a técnica de arpilagem, utilizada em trabalhos coletivos para preservar memórias, identificar potencialidades e representar impactos e lutas dos territórios.
Amazônia Maranhense
Para a Rede Emaranhadas, a feira também é um espaço de discussão sobre a identidade amazônica do Maranhão.
O estado está em uma área de transição entre Amazônia e Cerrado, e a organização busca fortalecer o reconhecimento da população sobre essa relação com o território.
“Se a gente não é Cerrado, se a gente não é Amazônia, a gente é o quê?”, questiona Karoline, destacando que o fortalecimento da identidade também pode contribuir para ampliar o cuidado e a proteção dos territórios.
A coordenadora ressalta ainda que as mulheres exercem papel fundamental na preservação dos saberes tradicionais, na produção de alimentos, na geração de renda e na defesa socioambiental das comunidades.
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