Virtuosismo musical maranhense

Papete: de Bacabal o mundo para fazer barulhinho bom à base de música e percussão

Compositor Josias Sobrinho e o jornalista, poeta Celso Borges falam sobre a importância do CD Bandeira de Aço, a obra prima que mostra a força da música produzida no Maranhão para o mundo. Uma unanimidade nacional.
Pedro Sobrinho/Jornalista 26/06/2020 às 13h37
Papete homenageado no Barracão Pão com Ovo (Papete)

José de Ribamar Viana, conhecido no meio artístico como Papete, foi o homenageado dessa quinta-feira (25/6). Ele é um dos filhos ilustres de Bacabal. E foi nesta região de clima quente e úmido, quase constante, cujo o principal acidente geográfico é o rio Mearim, que nasceu Papete, músico virtuoso que mais se tornou cidadão do mundo.

Perfil

Papete nasceu em 8 de novembro de 1947, e morreu em São Paulo, no dia 26 de maio de 2016. Ele estudou no colégio Marista Maranhense. Também estudou reportagem fotográfica em São Paulo. Trabalhou por sete anos em uma casa de música, o Jogral, onde deu início a sua trajetória musical.

Papete também trabalhou como produtor, pesquisador e arranjador da produtora Discos Marcus Pereira. Foi eleito um dos três melhores percussionista do mundo quando participou do Festival de Jazz de Montreaux, na Suiça, no anos de 1982, 1984 e 1987. Acompanhou o músico italizano Ângelo Branduardi, na década de 80. Fez apresentações com o saxofonista Sadao Watanabe, com Toquinho e Vinícius de Moraes, e posteriormente, com Toquinho, por treze anos fazendo mais de mil apresentações em mais de vintes países.

No seu extenso currículo constam apresentações com Paulinho da Viola, Miúcha, Rosinha de Valença, Chico Buarque, Sá & Guarabira, Rita Lee, Almir Sater, Martinho da Vila, Diana Pequeno, Paulinho Nogueira, entre tantos outros arquitetos da música brasileira.

Bandeira de Aço

O Festival BR-135, idealizado pelo duo Criolina, Alê Muniz e Luciana Simões, reverenciou no dia 28 de maio de 2013, no Teatro Artur Azevedo, os 35 anos do disco Bandeira de Aço, este trabalho antológico, interpretado por Papete, gravado em 1978, pela Disco Marcus Pereira.

A homenagem dos criolinos veio em formato de show e documentário. Um filme, com produção assinada pelo jornalista e poeta maranhense, Celso Borges, fez um passeio pela linha do tempo dos compositores Sérgio Habibe, Josias Sobrinho, Ronaldo Mota, César Teixeira e suas músicas inseridas no repertório do Bandeira de Aço, da cena musical ludovicense produzida no fim dos anos de 1970, da importância dela no cenário maranhense da época, em que o Laborarte, o bairro da Madre Deus, a catuaba do Diquinho, as viagens para Alcântara, os bares existentes na periferia e Centro Histórico de São Luís, serviram de apoio para que surgisse um movimento de artes integradas à base de autenticidade, frescor, poesia, lirismo, boêmia, uma curtição sem vaidade, cujo o tempo jamais vai apagar.

Enfim, Bandeira de Aço é um disco de nove faixas, atemporal, em que cada pessoa que ouve tem a sua música de cabeceira. É um divisor de águas na música maranhense e unanimidade nacional. Que o diga Josias Sobrinho, um dos compositores maranhenses com mais presença no disco, e Celso Borges responsável em resgatar a história desta obra prima da música brasileira. A dupla participou da edição dessa quinta-feira (26/6), no Barracão Pão com Ovo, apresentado por João Marcus, César Boaes (Clarisse Milhomem), Adeilson Santos (Dijé) com produção Pedro Sobrinho.

O último disco

Além de Bandeira de Aço, entre outros tantos registros, que têm como marca o regionalismo, o cancioneiro popular do Maranhão, em forma de toadas, Papete fechou a sua passagem aqui na terra em grande estilo com o songbook "Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão, lançado em 26 de maio de 2015, um ano antes de sua morte.

O trabalho reúne um acervo completo, único e inédito de entrevistas, fotos do maranhense Márcio Vasconcelos, pesquisa, demais detalhes sobre aqueles que fizeram e fazem acontecer uma das maiores manifestações culturais do Maranhão e do Brasil, os mestres e mestras do bumba meu boi, este patrimônio Imaterial do Brasil e da Humanidade.

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