O Bom Filho à Casa Torna

Mano Borges fala do show "Desplugado" nesta quinta-feira, no Centro Cultural Vale Maranhão

O cantor e compositor comentou sobre o seu afastamento do palco e estúdio, além de destacar o disco "Passagem Franca para Caro Custou" e da nova geração e cadeia produtiva da música brasileira contemporânea.
Pedro Sobrinho/Jornalista 15/01/2020 às 11h56
Mano Borges conversando na Mirante FM (Divulgação)

O cantor e compositor Mano Borges deu o ar da graça em 2020, participando da edição do domingo (12/10), do Plugado, na Mirante FM. Indagado no início da conversa com o jornalista Pedro Sobrinho, sobre o que andava fazendo com a música, Mano Borges garantiu que a música ainda é o seu alimento predileto, mas só entra em ação para colher bons frutos.

- Continuo fazendo este exercício de compor sempre. Acho que tem um momento de se recolher mais um pouco para deixar fluir as ideias, tudo aquilo que você vivenciou. É o momento de plantar e de colher. A gente vai optando em fazer os eventos que mais interessam, os eventos que trazem uma visibilidade, que traz o prazer de subir ao palco e tocar. Eu acho isso fundamental, continuar tendo prazer naquilo que faz. Para o artista nada melhor exercitar a sua arte de uma forma condescendente, de uma forma de se sentir bem no palco, que possa estar à vontade. O tempo traz um pouco isso. O exercício, a carreira, trazem um pouco isso, a escolha que você faz. Acho que existe um momento de reflexão da carreira de compor, de repensar e mostrar a produção - assegura.

Sempre sereno e bem humorado, Mano Borges comentou sobre o show DESPLUGADO, que ocorre nesta quinta-feira (16/1), no Centro Cultural Vale Maranháo, na Praia Grande, pelo projeto Pátio Aberto do CCVM, com entrada gratuita. Mano destacou o projeto Pátio Aberto do CCVM e a importância da casa no fortalecimento da cultura local.

- O Centro Cultural Vale Maranhão é um espaço fundamental para nossa cidade. Ele abriu para as diversas correntes da arte, da cultura, da informação. Um espaço importante porque ele se preserva, por mostrar a diversidade que nós temos aqui, dessa cores, dos ritmos. Devemos valorizar isso. É um espaço que cuida bem dos eventos, dos artistas, de todo mundo que passa por lá. É um patrimônio importante que deve ser preservado. Quanto ao show irei apresentar um repertório com canções dos meus discos conhecidas do público. Já 30% do repertório descompromissado, desplugado, com músicas que não fizeram parte do ensaio, mas que serão experimentadas com um time de músicos que me acompanham há quase 20 anos - enfatiza.

Aventuras musicais

Entre uma música e outra, Mano lembrou do período em que morou em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e da importância para que foi conviver com a cena musical gaúcha, entre 1988 e 1990, liderada por nomes como os dos irmãos Kleiton, Kledir e Vitor Ramil, além de Ney Lisboa.

Em sua extensa discografia, Mano destacou o disco "Passagem Franca para Caro Custou". Na opinião dele foi o trabalho mais consistente, maduro, entre todos os que produziu. Nele, estão contidos canções antológicas e atemporais como "Bangladesh', dele em parceria com o saudoso Marco Cruz. Para Mano, é uma obra-prima em que agradeço o compositor Marco Cruz pela participação na materialização da música, batizada pelos críticos de plantão, como um bem bolado reggae Hindu.

No faixa a faixa tendo o disco "Passagem França para Custou" como referência, foram executadas as canções "Os Nós", com feat. luxuoso de Zeca Baleiro, preenchendo a segunda faixa do disco, além de "Você é Tudo", regravada mais tarde pela banda baiana Jamil, e a releitura feita com sabedoria para "Maranhão, Meu Tesouro, Meu Torrão", com citação do belo poema fragmento de "Os Canhões do Silêncio" de José Chagas. Como se fosse impossível esquecer a influência que os ares maranhenses exerceram sobre todo o trabalho. Enfim, Mano Borges mostrou que mesmo afastado dos estúdios ainda é um músico dono de um trabalho que resiste ao tempo, ou seja, não se deixa oxidar.

- Este disco trouxe muitas alegrias para minha carreira. É um trabalho produzido por Mazzolla. Gravei no Rio de Janeiro e contou com a participação de músicos fantásticos, entre eles, Linconl Olivetti, o saudoso percussionista argentino Ramiro Musotto, além de Zeca Baleiro. O disco teve uma aceitação boa dos críticos musicais do Brasil na épooca. O disco chegou a ganhar quatro estrelas do Jornal O Globo, quando a nota máxima é cinco, apontando como uma novidade na Música Popular Brasileira. Concedi várias entrevistas para todos os jornais do Brasil inteiro. Enfim, Passagem Franca para Caro Custou se tornou um marco em minha trajetória musical - elogia.

Modernidade na música

Indagado sobre a modernidade na música, a nova geração e a cadeia produtiva da Música Brasileira contemporânea, Mano foi categórico em dizer que não se deve bater de frente com a modernidade. Ele citou como dois bons exemplos Gilberto Gil e Caetano Veloso, além de Belchior como um compositor futurista.

- Acho que Gilberto Gil e Caetano Veloso são dois bons exemplos com relação a esta questão da inovação, reinvenção e da geração de novos músicos que surge na música brasileira. Eles não batem de frente com a modernidade. Seguem como aliados com aquilo que é novo e sem conflitos. A galera nova vai chegando, galera mais velha procurando uma linha paralela e vai seguindo com a carreira. É todo mundo fazendo arte. Pegando carona na música "Como Nossos Pais', de Belchior, feita há mais de 30 anos, permanece atual que nos leva a refletir que devemos viver contextualizados com o hoje, o amanhã - acredita.

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