Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade

"O bumba meu boi do Maranhão convence o mundo por ser uma grande celebração", diz Izaurina Nunes.

A jornalista e técnica do Iphan no Maranhão explicou de todo o processo, do envolvimento dos brincantes, importância e benefícios do status concedido ao bumba meu boi de Bem Cultural da Humanidade.
Pedro Sobrinho/Jornalista 16/12/2019 às 10h25
Izaurina Nunes: jornalista e técnica em Ciências Sociais do Iphan no Maranhão (Divulgação)

O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão foi consagrado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em reunião realizada em Bogotá, na Colômbia, na última quarta-feira (11/12). A celebração foi reconhecida por unanimidade, e com louvor, pelo Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

No Plugado desse domingo, a jornalista Izaurina Nunes, técnica em Ciências Sociais da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão (Iphan), falou da importância, de todo o processo, da participação dos brincantes na materialização do dossiê (inventário) e benefícios do status concedido ao bumba meu boi do Maranhão.

Para Izaurina, que coordenou o processo do Complexo Cultural do bumba meu boi do Maranhão como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, e também da Humanidade, foi um privilégio fazer parte da equipe que transformou uma das mais expressivas manifestações culturais do Estado em Bem Material da Humanidade.

- Pra mim foi um grande privilégio trabalhar com o bumba meu boi desde quando iniciamos entre 2007 e 2011. Recebi a incumbência da Superintendente do Iphan no Maranhão, na época, para dar início a instrução do registro do bumba meu boi como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. A gente se debruçou sobre o trabalho. Coordenamos a complementação desse inventário, com documentação fotográfica. Elaboramos um dossiê, fizemos pesquisa, produzimos um vídeo do registro e enviamos todo o material para o Conselho Consultivo do Iphan, em Brasília, para análise. Enfim, coordenamos todo o processo nesta primeira etapa da brincadeira como patrimônio brasileiro. Depois foi solicitada a inscrição na lista representativa da Unesco para que auto do bumba meu boi se transformasse um bem da Humanidade - disse Izaurina.

Inventário

Indagada sobre os critérios que convenceram o Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Izaurina esclarece que com base no inventário foi percebido que o auto do bumba meu boi é uma grande celebração que congrega diversos bens associados em uma única manifestação.

- Identificamos em toda pesquisa feita que o boi no Maranhão é uma celebração que agrega diversos bens associados em uma única manifestação. O bumba meu boi é uma forma de expressão que celebra o boi animal, porque é em torno dele que tudo acontece. Celebramos também o ciclo vital, pois o boi, assim como o homem, nasce, vive e morre. A celebração gira também em torno dos santos juninos, é pra eles que o boi é feito. Esses fatores foram significativos para o convencimento do comitê da Unesco reconhecesse o auto do bumba meu boi como um bem da humanidade - explica.

Salvaguarda

Izaurina disse, ainda, que com a entrada na lista da Unesco, o bumba meu boi ganha prestígio internacional, fortalece as ações já desenvolvidas pela comunidade e busca promover mais ações de educação patrimonial, realizar nova documentação, além de ampliar pesquisas e a valorização do bem cultural. Para ela, é necessário que os detentores das brincadeiras se organizem como entidade.

- Quanto bens culturais no Brasil não gostariam de ter o título de patrimônio nacional. Agora, imagine da Humanidade. O título traz um prestígio internacional para o bem cultural e para o Maranhão. O bumba meu boi aumenta as ações de divulgação e promoção lá fora e reverbera nos festejos juninos no Estado, onde mais turistas virão para cá. Agora, para que a gente tivesse uma consequência mais direta com o título é necessário que os próprios detentores, os brincantes, passem se organizem como entidade forte e cobrem do governo mais investimentos na brincadeira alegando que o bumba meu boi é da Humanidade e que todas ações sejam em benefício para o bem cultural e não para grupos específicos - enfatiza.

Possui graduação em Ciencias Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (1996) e graduação em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão (1985). Atualmente é Técnica em Ciências Sociais da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão. Tem publicados os livros: 'Os visitantes da hora do galo e 'Olhar, memória e reflexões sobre a gente do Maranhao', da Comissão Maranhense de Folclore, do qual foi coordenadora.

Como técnica do Iphan no Maranhão, coordenou o processo de registro do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão como Patrimônio Cultural do Brasil. Tem experiência nas áreas de Jornalismo e Antropologia, nesta última com ênfase na Cultura Popular e Patrimônio cultural, atuando principalmente nos seguintes temas: cultura popular e patrimônio imaterial.

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