Protagonismo na nova MPB

Luciana Oliveira fala da sua relação afetiva com o Maranhão e diz que voltar a São Luís é um presente sem tamanho

A cantora brasiliense, radicada em SP, ex-integrante da banda Natiruts, participa da roda de conversa e divide o palco com a banda maranhense de reggae Canal Raja, dias 22 e 23 de novembro, no Centro Cultural Vale.
Pedro Sobrinho/Jornalista 20/11/2019 às 07h39
Cantora Luciana Oliveira, ex-backing vocal da Natiruts (Divulgação)

A cantora brasiliense, Luciana Pinheiro, radicada em São Paulo, ex-backing vocal da Natiruts, desembarca em São Luís, neste fim de semana, para participar do Festival Cabeça de Nêgo, no Centro Cultural Vale Maranhão, na Praia Grande. projeto selecionado pelo Edital Ocupa CCVM, com o objetivo de refletir sobre a importância do povo e da cultura africana no Brasil. Idealizado pelo jornalista e DJ Pedro Sobrinho, o festival irá promover debate, mostra de moda, baile com discotecagem e show.

Em entrevista ao programa Plugado, na Mirante FM, no último domingo (17/11), a artista falou da relação afetiva com o Maranhão.

- Essa minha relação com o Maranhão vem da adolescência, desde que eu comecei a cantar reggae, morava em Brasília e lá tive alguns amigos maranhenses que foram importantes na minha vida por apresentar para mim um pouco da música do Maranhão. E quando tive a oportunidade de visitar pela primeira vez São Luís foi uma felicidade gigantesca. Fui com a banda Natiruts, que cantava na época e fiquei mais alguns dias em São Luís em que conheci você (Pedro) e outras pessoas daí da cidade e fui tratada com muito carinho. Tenho a oportunidade de voltar a São Luís o que é um presente para mim sem tamanho. Vou ter a oportunidade de conhecer o Canal Raja, ouvi o som deles e achei muito gostoso, bem potente, modernoso, enfim adorei o som deles. Vai ser uma alegria gigantesca dividir o palco, cantar com eles, no Festival Cabeça de Nêgo. Fazer esta troca, ter este intercâmbio musical é super importante, levar um pouco da minha bagagem e conhecer bagagem deles e concretizar a interação - ressalta.

Vidas negras importam

E sobre a participação no Festival Cabeça de Nêgo, Luciana elogia a iniciativa e diz que é importante se ocupar os espaços culturais públicos ou privados, a mídia para se protagonizar os problemas do racismo e buscar soluções para a criação de uma sociedade mais justa, igualitária, em um Brasil ainda segregador e racista.

- Dentro de um Brasil em que estamos numa corda bamba, vamos que vamos se equilibrando, firme e forte, seguro, se juntando, se fortalecendo. Fico feliz pela iniciativa de você criar este festival dentro do mês da Consciência Negra que é importante a gente valorizar, ocupar mesmo os espaços da mídia, os espaços culturais, trazer a nossa arte, nossa negritude, nossas diferentes vozes, expressões, reflexões. A gente está num momento produtivo neste sentido, de protagonismo negro. Fico extremamente feliz em ver esta cena tão intensa, com tanta coisa boa sendo produzida, peça de teatro, lançamento de livros, poesia, roda de conversa, filmes. Estamos com uma expressão de negritude bem potente ocupando os espaços. São Luís tem que ficar enegrecida no festival, tendo como ideia principal a nossa reparação histórica. Temos que levar estas reflexões, para de fato, conseguir chegar em uma sociedade mais justa, mais igualitária, com oportunidades para todos, com menos violência, um dos grandes desafios a ser enfrentado pela população negra deste país. Não podemos mais conviver com estes números, esta triste realidade nacional. Vidas negras importam, nossa vida tem valor e parem de nos matar. Isto é que precisamos e queremos mostrar para a sociedade - argumenta.

Histórico

Realizou shows pelo Brasil, com destaque para Festival 061 em Brasília, projeto Quintas no BNDES no Rio de Janeiro, Festival Bohemia em São Paulo e foi contemplada com os prêmios de circulação de shows do SESI, Caixa Cultural e Proac edital e Icms em São Paulo.

Gravou em 2011 com a lenda viva do dub Mad Professor, em seu estúdio em Londres, um projeto que mescla música brasileira e reggae.

Em abril de 2017 idealizou o show Canções de Liberdade que aconteceu em duas apresentações no Sesc Pompéia com sucesso de público e crítica. O show contou ainda com as participações de Liniker, Maíra Freitas, Jesuton e Eduardo Brechó.

O fato do novo álbum, e terceiro da carreira, da brasiliense Luciana Oliveira ter o mesmo título da faixa de Elza Soares, lançada em 1974, não é uma coincidência – trata-se de uma homenagem e culto à rainha da música que inspirou Luciana neste projeto.



Foi em uma audição despretensiosa do disco “Negra” de Elza que Luciana teve a ideia e passou a trabalhá-la e desenvolvê-la, mas ainda sem imaginar o quão grande se tornaria seu plano.

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