Plugado

Atriz maranhense, Lorena Garrido, diz que "Existe Amor em SP"

Lorena Garrido, que também é advogada, falou da importância do teatro em sua vida e dos trabalhos encenados pela Satyros.
Pedro Sobrinho / Jornalista08/01/2019 às 12h48
Lorena Garrido em bate-papo informal no Plugado (Lorena Garrido)

A atriz Lorena Garrido disse estar de recesso em São Luís para rever os amigos e abastecer as energias. Ela falou do seu envolvimento com o teatro e da peça "O INCRÍVEL MUNDO DOS BALDIOS", da Companhia Satyros (SP), na qual integrou o elenco.

Num bate-papo informal, no último domingo (6/1), no Plugado, na Mirante FM, Lorena, nascida na tradicional e imponente, rua Grande, em São Luís, contou um pouco da sua história e da sua relação afetiva com o Maranhão e São Paulo, onde reside desde os 18 anos..

Ela disse que foi morar na capital paulista, para estudar e se formou em Direito. Lorena exerce a profissão de advogada do Instituto Ayrton Sena, em São Paulo, mas também tem no teatro um modo de vida.

- Meu primeiro envolvimento com teatro profissional, de fato, foi com o Satyros. Aqui pisei no palco pela primeira vez, morrendo de medo. O bicho me pegou e o frio na barriga virou vício - complementa.

Satyriana

E quando indagada sobre a importância da Companhia Satyros, ela disse estar há cinco anos, a ser completado em 2019. Para ela, a companhia paulista de teatro tem um significado especial.

- Estou há quatro anos no Satyros. Fiz as oficinas da companhia e fui acolhida. A primeira delas resultou no espetáculo “O Balcão de Alice”, a partir da obra de Jean Genet. A direção era do Henrique Mello, com ajuda do Gustavo Ferreira. Meus amores, e hoje, colegas de cena que admiro muito! Ficamos em cartaz por seis meses. Foi muito especial. Enfim, a Satyros ressignificou boa parte da minha vida, me tirou do automático e me faz mais humana. Me retoma isso todos os dias estar aqui, refletir sobre a existência e não apenas passar por ela - assegura.

Os Satyros é baldio

Desde a sua fundação em 1989, Os Satyros tem se dedicado a ter em seus processos criativos artistas vindos de minorias silenciadas que, além de sua posição social historicamente vulnerável, foram alijados de qualquer acesso ao mundo teatral.

A chegada dos Satyros à então deteriorada Praça Roosevelt, em 2000, aprofunda o interesse da companhia em abordar as questões dos grupos sociais subalternizados, transformando radicalmente a trajetória estética,do próprio coletivo.

Após pouco mais de dois anos em que Os Satyros estavam na Praça Roosevelt, travestis, traficantes, ex-presidiários e adolescentes carentes passaram a fazer parte do grupo em várias funções. Isso fez despertar no coletivo o interesse pelas questões desses grupos sociais, transformando-os em temas e parceiros da sua investigação teatral.

Foi neste contexto que a companhia integrou artistas transexuais (como Phedra de Córdoba e Savanah Meirelles), ex-traficantes, egressos do sistema prisional (como Léo Moreira Sá) e adolescentes da periferia (Emerson Fernandes).

Em 2006, o grupo monta “Joana Evangelista”, de Vange Leonel, e passa a desenvolver programas de trabalho com o movimento feminista. Durante alguns anos, Os Satyros cederam seus espaços pra reuniões do Grupo de Ação Lésbica Feminista, o GALF.

A partir de 2009, com o início das oficinas com adolescentes da rede pública de ensino, o coletivo passou a dialogar com um segmento invisível nos grandes meios de comunicação: os jovens em situação de risco.

Finalmente, em 2016, em outra vertente de trabalho, o grupo produziu o espetáculo “Haiti Somos Nós”, composto por um elenco de 20 refugiados haitianos. Desde então, vários haitianos vêm trabalhando com o coletivo.

Diante dessa vasta vivência com grupos socialmente vulneráveis, Os Satyros sentiram a necessidade de aprofundar um projeto que desse continuidade a essa investigação político-estética, contribuindo para o debate sobre os temas destas comunidades.

O crescimento da intolerância e da violência na sociedade brasileira contemporânea, a luta dos transgêneros, a ocupação das escolas públicas pelos adolescentes, a crise do sistema prisional, a xenofobia crescente da sociedade brasileira, a intolerância religiosa e as estatísticas alarmantes sobre a violência contra a mulher são mais do que justificativas para o engajamento dos Satyros neste projeto. Demonstram a urgência absoluta desta iniciativa teatral que também é política

Audição

Lorena Garrido ainda indicou no Plugado, uma de suas músicas e banda prediletas: Tame Impala - Feels Like We Only Go Backwards.

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