Roteiros Culturais

Museu Cafua das Mercês realiza atividades em alusão ao mês da Consciência Negra

O prédio histórico, serviu como local para a comercialização de escravos no século XVIII.
Rádio Mirante AM19/11/2021 às 08h16
Museu Cafua das Mercês - Foto: Reprodução

SÃO LUÍS - No próximo dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, completará um ano em que o museu da Cafua das Mercês ou Museu do Negro, localizado no Centro Histórico de São Luís, foi entregue depois de passar por uma reforma.

O Museu Cafua das Mercês é um prédio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e um dos poucos prédios das Américas onde funcionaram mercados de negros durante o período escravocrata, no século XVIII, que permanecem com a estrutura intacta.

Nos dias atuais, o Museu do Negro, em São Luís, é a memória da luta de um povo que assim como disse Maria Firmina dos Reis, no conto 'A Escrava', em 1877, carrega o "estigma da escravidão", e "por qualquer modo que a encaremos, ela é, e será sempre um grande mal".

A história do Brasil e do mundo não nos deixa mentir. E nem é preciso ir tão longe.

Basta lembramos de Jeremias Pereira da Silva. Cantor maranhense, negro, confundido com assaltante, espancado até a morte por policiais em São Luís no ano de 2007.

Gerô era cantor e foi morto após ser torturado por policiais em São Luís - Foto: Arquivo/TV Mirante

Cledenilson Pereira da Silva, homem negro, amarrado nu em um poste, assim como um escravo no pelourinho e linchado até a morte por populares no bairro do São Cristóvão em São Luís, em 2015.

Cledenilson teria tentado assaltar bar. Ele foi amarrado a poste e linchado no Jd. São Cristóvão, em São Luís. — Foto: Biné Morais / O Estado

João Alberto, morto por seguranças em um supermercado, em Porto Alegre, em 2020, ou George Floyd, asfixiado por policias nos Estados Unidos nesse mesmo ano.

Foto: Reprodução

O Gestor do Museu Cafua das Mercês, Wender Pinheiro, destaca que o local hoje "é uma forma de empoderamento, contra a intolerância religiosa, racial. É uma forma de mostrar que esse povo está ali, que tem nome, tem cultura, tem religião, tem culinária".

Wender Pinheiro (Gestor da Cafua) à esquerda; Marcelo Rodrigues à direita; Alessandra Rodrigues ao centro.

Wender acrescenta que o museu conta com inúmeros símbolos, como máscaras de países como Benin, Gana e Togo que carregam significados religiosos, uma réplica do pelourinho, além da representação de figuras importantes no nosso estado como Maria Aragão, médica e professora, e que da nome a uma das praças mais famosas de São Luís; Jorge Itaci, ou Jorge Babalaô, fundador do Terreiro de Mina Abê-Iemanjá e primeiro gestor da Cafua das Mercês.

Neste mês, em alusão ao dia da Consciência Negra o museu está com uma programação especial, com palestras e exposições. No dia 29 de novembro acontece a exposição com degustação da culinária africana Ajeum Baba-Nla.

Quer conhecer o Museu Cafua das Mercês? Ele está localizado na rua Jacinto Maia,54 – Praia Grande. Funciona de terça-feira à sábado das 14:00 às 18:00 com agendamento prévio para grupos especiais e instituições escolares.

A série “Roteiros Culturais” produzida pela Rádio Mirante AM é uma proposta lançada pela emissora radiofônica, para levar aos ouvintes um despertar para a valorização de alguns espaços esquecidos da Grande Ilha de São Luis e que têm um valor cultural incalculável.

Ouça.

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