Dia do Professor

Professores devem ter cuidados com a voz; especialistas dão dicas

Imirante.com conversou com especialistas e obteve orientações sobre uso correto do aparelho vocal.
Maurício Araya / Imirante.com15/10/2014 às 08h18

SÃO LUÍS – Essencial para alguns profissionais, a voz requer alguns cuidados. Um desses profissionais é o professor, que, para transmitir os conhecimentos aos alunos, acabam exagerando na projeção e, como consequência, têm alterações na voz. No Dia do Professor, o Imirante.com conversou com especialistas e obteve algumas dicas e orientações sobre o uso correto do aparelho vocal.

O otorrinolaringologista Rubens Santos ressalta a importância da hidratação, e ilustra: comparativamente, para que se tenha uma ideia, o esforço de um cantor de ópera é semelhante ao de um maratonista. A hidratação deve ser constante, sobretudo, na infância e terceira idade. Para um bom funcionamento da voz, a hidratação serve como óleo no motor de um automóvel. "Primeiramente, hidratação. Para turmas muito grandes, é muito bom eles fazerem um corredor dividindo a turma para se posicionarem mais próximos aos alunos; assim, eles diminuem o esforço vocal para que todos possam ouvi-lo. Os cuidados em casa: além da hidratação; evitar o tabagismo; o alcoolismo; fazer exercícios vocais; e ter, sempre, o acompanhamento periódico – não necessariamente mês a mês, mas pelo menos uma vez ao ano –, fazer uma avaliação fonoaudiológica também, para verificar como é que está o padrão respiratório dele, padrão vocal, se necessita de exercícios e quais exercícios", afirma – ouça a entrevista na íntegra.

Exercícios

A fonoaudióloga Dorlene Caldas – que dá dicas de cuidados com a voz na internet –, por sua vez, destaca a necessidade de aquecer e desaquecer a voz. "Eu sempre aconselho que é necessário, na realidade, que seja feito um aquecimento antes da aula; a gente aconselha que coma uma maçã, porque a maçã ajuda, também, na articulação, e quando eu articulo bem as palavras eu não causo tensão; e, ainda, desaquecer após a aula; ficar 15 minutos em silêncio já é um desaquecimento", explica.

Segundo a fonoaudióloga, os exercícios podem ser repetidos logo no início da manhã e no fim do dia. Há de se ter cuidado com o controle da respiração, que é feito com a diafragma – simplificando, a respiração deve ser com a barriga, e não com o peito. Dorlene Caldas destaca, também, a importância de manter a postura – já que, dessa forma a voz se projeta melhor – e evitar falar de costas para o aluno. "Dependendo do horário da aula, que faça durante o dia, mas que faça pelo menos uma vez no dia ele aqueça essa voz, desaqueça, tome bastante liquido, leve a garrafinha com água para que seja constante; se puder utilizar microfone, é interessante; e que use outros métodos, com os alunos ajudando, para estar diminuindo ele falar tanto, fazendo algumas pausas", diz.

Alimentação

Rubens Santos recomenda que, para manter a qualidade da voz, evite-se o consumo de alimentos condimentados – como pimenta e produtos enlatados – e massas, que podem provocar, mesmo que em baixo nível, o refluxo gastrointestinal, que nem sempre, alerta, vem apenas com uma queimação ou ardência. "Existe uma quantidade pequena que ultrapassa a barreira do esôfago, que é um dos órgãos por onde passam os alimentos, e acaba caindo na garganta, que é em cima da laringe. Então, é uma acidez que vai causando alterações estruturais, processo inflamatório e, aí, vem um hábito que é tão danoso quanto gritar muito que é o ato de pigarrear. É um impacto na prega vocal muito grande", esclarece.

Acompanhamento

Além de seguir as recomendações, o especialista destaca a necessidade para o acompanhamento de especialistas. Alguns concursos públicos destinados aos professores já exigem exames laringoscópicos, mas há uma deficiência na continuidade desse trabalho. "Eu não observo um programa permanente de acompanhamento desses professores", conclui.

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