Ficou sem luz

Maranhense passa mais de um ano sem energia elétrica e ganha causa na justiça

A autora relatou que utiliza lamparina para ter luz em sua residência.
Imirante.com, com informações da Assessoria22/07/2016 às 12h30

LAGO DA PEDRA - Uma decisão da Justiça determinou o imediato bloqueio de R$ 432 mil da Companhia Energética do Maranhão (Cemar) por descumprimento de ordem judicial. Segundo a autora da ação, a Cemar a deixou mais de um ano sem energia elétrica. A ação foi movida por uma moradora do Município de Lago da Pedra.

A autora alega que recebeu, há um ano, imóvel do Minha Casa, Minha Vida e que, desde então, mesmo com todos os vizinhos tendo luz em casa, ela nunca teve a energia elétrica ligada. Ela afirmou, em audiência, que continua recebendo contas relativas à sua casa antiga, mesmo não tendo nenhum eletrodoméstico ou equipamento eletrônico lá. Ela teria pedido o desligamento da luz da residência antiga, mas técnicos da empresa teriam dito que isso só poderia ser feito quando a ligação da nova casa fosse realizada.

Intimada a fazer a ligação da casa da moradora em 22 de maio de 2016, a empresa alegou dificuldades técnicas. Nessa oportunidade, foi imposta a multa de R$ 50 por hora de descumprimento. Passados 90 dias, a moradora continua sem energia, o que já representa R$ 108 mil de multa. A decisão tem como base artigos do Novo Código de Processo Civil. O juiz Marcelo Santana, titular da 1ª Vara de Lago da Pedra, explica que esse valor será imediatamente desbloqueado depois que a requerida comprovar nos autos o cumprimento da medida.

“Percebe-se que por uma conduta morosa da requerida. A autora está há mais de um ano sem energia elétrica, sendo obrigada utilizar lamparina com querosene para não ficar no escuro, ficando inclusive impedida de utilizar televisão, geladeira, entre outros eletrodomésticos. Ora, percebe-se que a conduta da requerida ofende um dos fundamentos da nossa República, a dignidade da pessoa. A autora narrou que todos os vizinhos têm energia elétrica, o que verifica maior negligência por parte da empresa”, relatou o juiz.

E segue: “Assim, diante da fundamentação acima, tenho como proporcional, razoável e eficaz, que a requerida tenha um valor significativo bloqueado de suas contas-correntes, como forma adequada de fazê-la cumprir a ordem. Naturalmente, que assim que o réu comprove ter cumprido a ordem, tal valor será desbloqueado”.

O juiz determinou o imediato bloqueio do valor de R$ 432 mil da Cemar, no sentido de obrigar a empresa a cumprir a ordem já referida. “Por outro, registro que este valor de astreintes parece ter sido insuficiente para que o requerido cumprisse a determinação. Assim, nos termos do Art. 537, § 1º, inciso I, do Código de Processo Civil, majoro a multa para R$ 200 por hora de atraso, em favor da autora, a qual passará a incidir depois de 24 horas depois da intimação. Saliento ainda que a requerida está sujeita a incidir nas penas da litigância de má-fé, além da responsabilização pelo crime de desobediência, conforme Art. 536, § 3º do Código de Processo Civil”, finalizou Marcelo Santana.

Em nota, a Companhia Energética do Maranhão (Cemar) informou que já tem ciência da decisão da Justiça e que está avaliando a possibilidade de interposição de eventual recurso ou outra medida processual cabível ao caso.

Veja a nota íntegra:

A Cemar esclarece que já tomou ciência da decisão judicial em questão e que está avaliando, nesse momento, a possibilidade de interposição de eventual recurso ou outra medida processual cabível ao caso.

Vale reiterar que a CEMAR respeita os provimentos judiciais, no entanto, faz-se necessário esclarecer que o recurso às instâncias superiores da justiça é direito constitucionalmente assegurado a todo e qualquer cidadão, órgão público ou privado e que, portanto, adotará as medidas cabíveis para a proteção de suas prerrogativas legais.

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