Saúde mental

"Internação não resolve", diz especialista sobre hospitais psiquiátricos

Segundo Marlene Lima, a busca por novos modelos de tratamento é constante.
Rhaysa Novakoski/ Imirante Imperatriz07/05/2015 às 10h02

IMPERATRIZ – Desde a época do surgimento da luta pela reforma psiquiátrica, que se iniciou no fim década de 1970, no Brasil, as discussões em torno de um tratamento e acompanhamento humanizado de pessoas com esse tipo de transtorno se tornaram essenciais para análise de políticas públicas específicas.

Segundo a assistente social, especializada em saúde mental, Marlene Lima, apesar de cada pessoa necessitar de um tipo diferente de tratamento – e, às vezes, segundo ela, uma reclusão curta ser recomendada –, a história mostra que a internação de longo prazo em hospitais psiquiátricos não resolve.

“É importante saber que, em saúde mental, cada caso é um caso. Mas, sem sombra de dúvida, a história tem mostrado que tratar essas pessoas de maneira reclusa, tirá-las da sociedade, às vezes, é um alívio para nós, considerados normais, às vezes, é um alívio para a família, que não tem que conviver intensamente, diariamente, com uma pessoa com transtorno. E para a pessoa? Como ela vai evoluir?”, questiona a especialista.

Segundo ela, além da falta de humanização e integração com a família, o que mais indignou os profissionais que viveram a era dos chamados manicômios foi a falta de avanço dos pacientes.

“Não havia melhora. O que é espantoso. Eu acho que foi isso que foi indignando uma boa parte dos profissionais da área da saúde da década de sessenta, setenta. Se via que não tinha resultado nenhum”, afirma.

Em Imperatriz, a Clínica Pisiquiátrica foi fechada em dezembro de 2011, depois de uma grande agitação por parte de estudantes e funcionários da saúde do município. A assistente social afirma que, muito além de derrubar esse antigo sistema, a luta pela reforma psiquiátrica tem buscado novos modelos, com a criação outros serviços.

“A maior luta dos profissionais em saúde mental é extinguir os hospitais psiquiátricos. Porém, criando outros serviços, que possam dar resposta, também, à sociedade, às famílias. Os CAPs são um desses serviços”, exemplifica.

Ao todo, a rede de saúde mental do município possui três Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), além de outros serviços, como Consultório na Rua, Residência Terapêutica e Serviço Ambulatorial. O atendimento abrange, em um sistema rotativo, a cerca de 10 mil pessoas.

Marlene explica que a rede toda é muito importante para o tratamento dos pacientes, desde o motorista, que estabelece contato fora dos CAPs, até os médicos, psicólogos e outros especialistas.

“Esses serviços custam bem mais barato do que um hospital psiquiátrico, e quem é que cuida? Cuida toda a equipe. Isso é muito importante, quando você está em um serviço em que todos se colocam como cuidadores. Por outro lado, é um grande desafio”, finaliza Marlene.

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