BUENOS AIRES – A morte de Diego Maradona foi "súbita" e "fulminante", segundo o perito oficial Pablo Ferrari, que prestou depoimento nesta terça-feira (23) no julgamento que apura as circunstâncias da morte do ídolo argentino, ocorrida em novembro de 2020.
Convocado pela defesa, Ferrari apresentou uma versão diferente da sustentada pela acusação. Segundo o perito, não é possível afirmar que Maradona tenha passado cerca de 12 horas em agonia durante a internação domiciliar.
Sete profissionais de saúde são acusados de homicídio com dolo eventual pela morte do ex-jogador. A acusação sustenta que os profissionais teriam ignorado a situação clínica de Maradona durante sua recuperação de uma cirurgia no cérebro.
Perito contesta versão sobre morte de Diego Maradona
Durante seu depoimento no tribunal de San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires, Ferrari afirmou que o período de agonia de Maradona teria durado de poucos minutos a algumas poucas horas.
"O período de agonia foi de poucos minutos a algumas poucas horas, (...) bem curto, não posso afirmar academicamente que tenha havido longas horas de agonia, foi súbito", declarou o médico legista.
Segundo a perícia apresentada no tribunal, Diego Maradona morreu após uma parada cardiorrespiratória associada a um edema pulmonar. Ferrari afirmou que o edema teria provocado asfixia.
O especialista também argumentou que, diante de um quadro de sufocamento prolongado, seriam esperados sinais físicos de luta.
"O paciente que se sufoca entra em desespero, aqui não havia nenhuma lesão de luta, a agonia dele deve ter durado poucos minutos", afirmou.
Na sequência, Ferrari classificou a morte como "fulminante".
Covid-19 não foi descartada por perito
Outro ponto apresentado por Ferrari durante o julgamento foi a possibilidade de Diego Maradona ter morrido em decorrência de uma infecção por covid-19.
O perito afirmou que essa hipótese não poderia ser descartada porque não foi realizado um teste específico para determinar se o ex-jogador estava infectado.
Para Ferrari, a ausência do teste representou um "erro metodológico".
Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, durante o período mais crítico da pandemia de coronavírus. A hipótese levantada pelo perito, porém, integra seu depoimento no processo e não representa uma conclusão definitiva sobre a causa da morte.
Exames também são questionados
Ferrari também apresentou divergências em relação às conclusões da junta médica responsável pela análise da morte de Maradona.
O relatório da junta apontou problemas hepáticos, renais e cardíacos como fatores relacionados ao quadro clínico do ex-jogador.
Segundo Ferrari, porém, os exames laboratoriais analisados não apresentavam indicadores compatíveis com disfunção renal.
O perito também afirmou não ter encontrado "a menor indicação de problema cardíaco" nos documentos examinados.
Em relação ao fígado, Ferrari reconheceu que houve piora dos indicadores entre 2018 e 2020. Segundo ele, entretanto, as alterações estavam "dentro de uma margem de tolerância que não exigia intervenção de emergência".
Sete profissionais são réus no julgamento
A investigação sobre a morte de Diego Maradona colocou sete profissionais de saúde no banco dos réus.
Eles são acusados de homicídio com dolo eventual pela forma como teriam conduzido os cuidados do ex-jogador durante sua internação domiciliar.
A acusação sustenta que Maradona, que havia passado por uma neurocirurgia pouco antes de morrer, teria permanecido em sofrimento durante aproximadamente 12 horas sem receber o atendimento adequado.
A defesa dos profissionais contesta essa interpretação e apresenta versões diferentes sobre a evolução do quadro clínico do ex-jogador.
O julgamento busca determinar se houve responsabilidade criminal dos profissionais envolvidos no atendimento de Maradona.
Julgamento entra na fase final
Com o depoimento de Pablo Ferrari, foi encerrada a fase de testemunhas do longo julgamento sobre a morte de Diego Maradona.
A próxima etapa será a apresentação das alegações finais das partes envolvidas no processo. Essa fase está prevista para começar no dia 8 de outubro.
O tribunal espera apresentar um veredito em novembro.
Diego Maradona morreu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, em uma residência na cidade de Tigre, na província de Buenos Aires. O ex-jogador havia passado por uma cirurgia para tratar um hematoma subdural semanas antes da morte.
O julgamento deverá definir se os profissionais responsáveis pelo atendimento de Maradona tiveram responsabilidade criminal pelas circunstâncias que levaram à morte do ídolo argentino.
Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.