Em debate!

Audiência debate segurança e regulamentação do Kitesurf em São Luís

Debate na Câmara Municipal reuniu atletas, praticantes de Kitesurf e representantes do poder público após acidente que matou kitesurfista de 29 anos.

Eduardo Lindoso / Imirante Esporte, com infomações da Ascom

Audiência foi realizada na Câmara Municipal de São Luís (Divulgação)

SÃO LUÍS - A segurança, a regulamentação e o potencial turístico do kitesurf em São Luís foram discutidos durante audiência pública realizada na tarde da segunda-feira (14), no Plenário Simão Estácio da Silveira, da Câmara Municipal. O encontro reuniu representantes do poder público, entidades esportivas, profissionais e praticantes da modalidade.

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A audiência foi promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto e Lazer e ganhou importância após a morte do kitesurfista Alan Wesley Pinto Ribeiro, de 29 anos, em agosto. Ele desapareceu na manhã do dia 15, após cair no mar enquanto praticava kitesurf na Praia de São Marcos. O corpo foi localizado no dia seguinte, na Praia do Bonfim, na região do Itaqui-Bacanga.

Durante o debate, os participantes defenderam medidas para melhorar a organização da modalidade, ampliar a fiscalização e estabelecer critérios mais rigorosos para a formação de novos praticantes e instrutores.

Kitesurf em São Luís precisa de regulamentação

O vereador Cléber Verde Filho destacou que São Luís já possui legislação municipal que disciplina a prática do kitesurf. As normas estabelecem regras relacionadas às áreas destinadas à modalidade, preparação, distanciamento e fiscalização.

Segundo o parlamentar, entretanto, é necessário aperfeiçoar as regras para que elas tenham maior efetividade.

Em 2026, foi criada uma comissão com representantes das áreas de Turismo, Esporte, Meio Ambiente e Urbanismo, além da Capitania dos Portos, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e comunidade de praticantes.

A proposta é reunir diferentes setores envolvidos com o kitesurf em São Luís para estabelecer medidas que atendam tanto às necessidades dos atletas quanto à segurança dos frequentadores das praias.

Bruno Lobo defende critérios para formação de atletas

O atleta olímpico maranhense Bruno Lobo defendeu o fortalecimento da regulamentação e a criação de critérios para o ensino do kitesurf.

Segundo ele, o crescimento da modalidade na capital maranhense também aumentou os desafios relacionados à formação de novos praticantes.

“Temos a condição perfeita para transformar São Luís na capital do kitesurf. O esporte cresceu e, com isso, também veio um crescimento, de certa forma, desordenado do ensino. É preciso regulamentação e respeito a um processo de formação para que o esportista esteja preparado diante de um eventual incidente”, afirmou.

Bruno Lobo também defendeu que os instrutores sejam credenciados e tenham capacitação, inclusive em salvamento aquático.

Entre as medidas apontadas pelo atleta estão:

  • credenciamento dos instrutores;
  • capacitação em salvamento aquático;
  • utilização obrigatória de equipamentos de proteção;
  • uso de capacete e colete;
  • organização das áreas destinadas à prática;
  • treinamento adequado dos novos praticantes.

O atleta também ressaltou que o kitesurf divide o espaço das praias com os banhistas e que estes devem ter prioridade. Para ele, organização e formação são fundamentais para reduzir os riscos durante a prática esportiva.

Corpo de Bombeiros alerta para equipamentos de segurança

O capitão Gilberto, do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, reforçou a preocupação com a segurança dos praticantes.

Durante a audiência, o representante da corporação chamou atenção para situações em que kitesurfistas deixam de utilizar equipamentos de proteção.

A discussão sobre equipamentos, treinamento e condições do mar foi apontada como parte importante das medidas necessárias para tornar a prática do esporte mais segura.

Turismo esportivo também entrou no debate

Além da segurança, o potencial econômico do kitesurf em São Luís foi um dos assuntos abordados durante a audiência.

Antônio Carlos, inspetor e gestor do Grupamento de Guarda-Vidas de São Luís, defendeu o respeito às condições marítimas e às normas existentes para a prática da modalidade.

Representando a Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdel), Romário Barros destacou que o ordenamento precisa considerar toda a cadeia econômica movimentada pelo esporte.

Segundo ele, a atividade envolve não apenas atletas, mas também professores, vendedores e outros profissionais que dependem direta ou indiretamente do kitesurf.

Já Ruan Tavares, secretário adjunto de Estado do Turismo (Setur), ressaltou o potencial do turismo náutico para São Luís.

“São Luís tem uma grande capacidade de desenvolver esses esportes, gerando renda e impulsionando o turismo”, afirmou.

Kitesurfistas apresentam demandas

A comunidade de praticantes também participou das discussões e apresentou demandas relacionadas à organização da modalidade.

Vinícius Félix, representante da escola Kanaloa, destacou que o kitesurf movimenta diretamente diversas famílias e defendeu que o esporte não seja associado exclusivamente à elite.

Representantes de empresas e trabalhadores do segmento também apresentaram sugestões para melhorar a segurança nas praias e as condições para os esportistas.

Entre as demandas discutidas estiveram a necessidade de garantir maior segurança aos banhistas, melhorar as condições para os praticantes e ampliar a integração entre kitesurfistas de diferentes municípios.

Propostas serão encaminhadas ao Executivo

Ao final da audiência, Cléber Verde Filho afirmou que propostas relacionadas à legislação, normas e planejamento já foram encaminhadas ao Executivo Municipal.

O vereador também defendeu o fortalecimento da Guarda Municipal para acompanhar o crescimento do kitesurf em São Luís e contribuir para o cumprimento das regras.

“Estamos à disposição do segmento para contribuir com a efetivação do que foi discutido e garantir que o kitesurf seja praticado de forma mais segura para todos, esportistas e banhistas”, concluiu.

O debate na Câmara Municipal reuniu diferentes setores ligados à modalidade e colocou em discussão os desafios para conciliar o crescimento do kitesurf, a segurança nas praias e o potencial do esporte como atividade turística e econômica em São Luís.

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