PH: A vitória de virada
E mais: A hora é de reconstruir pontes
A vitória de virada
A 10ª eleição para o Palácio do Planalto desde a redemocratização levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao quarto mandato como presidente da República.
O petista fez história. Alcançou um feito inédito e se consagrou com uma vitória contundente de mais de 4 milhões de votos sobre o adversário.
Pela primeira vez, um candidato que saiu atrás no primeiro turno reverteu a desvantagem e conseguiu triunfar.
Lula foi reeleito ao conquistar 51,7% dos votos válidos ontem, contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ou seja: a gangorra eleitoral pendeu para a esquerda. Será a quarta vez que Lula irá comandar os destinos do país – e esta foi a vitória mais espetacular, porque foi de virada.
Nunca antes na história brasileira um candidato à Presidência havia perdido o primeiro turno e ganhado no segundo.
E foi também a maior votação já obtida em uma eleição presidencial.
Esta segunda-feira é decisiva
É manhã de segunda-feira, 26 de outubro de 2026. O vencedor da eleição de domingo entrou pela noite em comemorações. Por isso, o presidente que tomará posse em 5 de janeiro acordou mais tarde, mas já não terá um segundo de descanso. A campanha foi tão disputada, e tão repleta de promessas mirabolantes, que o vencedor será cobrado, questionado e contestado a partir desta segunda-feira.
Sua primeira missão é mais complexa ainda do que arrumar dinheiro para fazer valer a promessalhada de palanque. Sua tarefa prioritária é juntar os cacos da nação. O fosso entre as duas metades – a esquerda e a direita – apenas se aprofundou nos últimos anos.
As torcidas de Lula e dos Bolsonaro veem os apoiadores do outro lado como iludidos, na melhor das hipóteses, ou degradados morais, no mais das vezes. Nestes termos, não há entendimento possível se o presidente eleito e suas forças políticas não absorverem as motivações alheias para detestá-los com tanto ardor.
Esta segunda-feira é decisiva...2
O racha do país em blocos antagônicos vai bem além do problema político. Ele separa famílias, destrói amizades e apaga consensos mínimos em torno de agendas primárias, como a convivência em harmonia e o fato de que a nação deveria estar acima de questões eleitorais transformadas em batalhas de vida ou morte. Se não houver racionalidade, o futuro é sombrio.
A partir de 6 de janeiro o governo tem tudo para dar errado do ponto de vista econômico, porque prometeu o céu enquanto flertava com o inferno fiscal. Quando essa conta não fecha, impopularidade, frustração popular e crises sociais são apostas certeiras.
Lá fora, embora as campanhas se mantivessem à margem do que ocorre no Exterior, a situação não ajuda. O mundo desenvolvido está atolado em dívidas, o extremismo avança, protestos violentos explodem em razão do desalento dos jovens e as guerras ameaçam se conectar para desembocar em conflito de alcance internacional.
O Brasil pode tirar proveito da instabilidade ou ser tragado por ela. Depende de como o vencedor se portar.
Esta segunda-feira é decisiva...3
Reeleito para seu quarto mandato como chefe da Nação, o presidente Lula precisa agir rápido para desmontar rancores e lidar com os previsíveis desencantos. Terá de construir pontes e não alijar os adversários em um desterro moral sem saída.
Para esfriar o ânimo bélico, ajudaria refrescar a memória do país dividido que o inimigo de hoje muitas vezes é o aliado de amanhã, como demonstram as forças que se uniram em torno de Lula e Flávio no segundo turno.
O discurso da vitória, ainda no domingo, foi um prenúncio, mas é pelo comportamento do vencedor a partir desta segunda-feira que saberemos o que nos espera ali na frente.
A história de Lula, que amanhã completa 81 anos, se confunde com a do Partido dos Trabalhadores, do qual foi um dos fundadores, na década de 1980.
Nordestino que migrou para São Paulo, metalúrgico de profissão, ele surgiu para a política ao liderar as greves operárias no final dos anos 1970, durante o regime militar, quando chegou a ser preso. Foi deputado federal e acabou derrotado três vezes na disputa para a Presidência da República (em 1989, 1994 e 1998), antes de sua primeira vitória.
Lula permanece no cargo após uma eletrizante campanha contra os maiores adversários que a esquerda já teve em tempos democráticos no Brasil: a família Bolsonaro, herdeira da maioria dos votos da direita.
Aos 96 anos, exercendo o voto
Aos 96 anos, o ex-presidente José Sarney votou ontem. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele chegou à seção eleitoral em São Luís, de cadeira de rodas e acessando a cabine de votação. Na gravação, Sarney também tirou fotos com eleitores e usou um adesivo do candidato Lula.
– Recordo que as eleições diretas no Brasil foram realizadas por mim, como presidente da República. Restaurei as eleições diretas e mandei ao Congresso Nacional a emenda que possibilitou isso. E hoje estamos vendo, depois de 40 anos, o quanto a nossa transição foi efetiva, foi forte, garantindo ao povo brasileiro a continuidade, para que sejamos, como somos, a segunda maior democracia do mundo ocidental – disse em vídeo.
DE RELANCE
A hora é de reconstruir pontes
Não há como negar: foi uma virada histórica, sem precedentes. Nunca na jornada da Nova República, um candidato à Presidência havia perdido no primeiro turno e revertido o jogo no segundo.
A onda lulista que varreu o país nas últimas três semanas se deveu às ruas e às redes. E foi graças à estratégia que Lula atinge um inédito quarto mandato, com virada em Minas Gerais, onde venceu Flávio Bolsonaro por 0,78 ponto porcentual. No primeiro turno, havia perdido por 4,91 ponto porcentual.
A redução da margem no Rio de Janeiro (de 13,6 pontos para 6,2) e em São Paulo (de 13,7 pontos para 7,7) também garantiram a vitória.
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Agora, passada a euforia da eleição, será hora de, primeiro, garantir a governabilidade. Lula enfrentará um Congresso mais hostil, majoritariamente conservador – ainda que o centrão normalmente fareje para onde o vento sopra.
E terá, também, um Supremo Tribunal Federal (STF) em crise de legitimidade, mas com direito a mais quatro indicações possíveis para ministros, ou seja, ao final de seu mandato, a Suprema Corte será dominada por nomes alinhados a seu campo político.
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O segundo desafio será reconstruir pontes: passado o dia 25 de outubro, o Brasil segue dividido. São fissuras difíceis de serem costuradas. Mas o mapa do caminho do desenvolvimento passa por tentar.
Não haverá paz nem prosperidade sem diálogo. Lula venceu com mais de 64 milhões de votos, mas terá obrigação de governar para todos, inclusive para os mais de 59 milhões que optaram por Flávio.
Mais do que isso, terá de mudar radicalmente sua política econômica, com desafios das contas públicas, da dívida, do juro alto, uma conta que pesa sobretudo graças ao pacote de benesses dos últimos meses.
Balança de forças na região
A reeleição de Lula mantém o mesmo equilíbrio de forças na balança de poder entre a direita e a esquerda na América do Sul. O Brasil segue como a principal força de esquerda do subcontinente, ao lado do Uruguai de Yamandú Orsi. Ainda há a Venezuela de Delcy Rodríguez – apesar de sua aproximação recente com Donald Trump –, a Guiana de Irfaan Ali e o Suriname de Jennifer Simons.
Do lado da direita, seguem no comando a Colômbia com Abelardo de la Espriella, o Equador com Daniel Noboa, o Peru com Keiko Fujimori, a Bolívia com Rodrigo Paz, o Chile com José Antonio Kast, o Paraguai com Santiago Peña e a Argentina com Javier Milei.
Dicas para quem não votou
Quem não apresentou justificativa no dia da votação pode regularizar a ausência em até 60 dias após cada turno das eleições.
O procedimento pode ser feito pelo aplicativo e-Título, pelo sistema de autoatendimento da Justiça Eleitoral ou presencialmente em um cartório eleitoral.
Em qualquer uma das modalidades, é necessário anexar documentação que comprove o motivo da ausência para análise da autoridade judiciária da zona eleitoral responsável pelo título.
Caso a justificativa seja aceita, o registro será incluído no histórico do título eleitoral. Se o pedido for rejeitado, o eleitor deverá quitar o débito correspondente.
O histórico de justificativas, com os pleitos em que houve ausência, pode ser consultado pelo aplicativo e-Título. O acesso ao serviço está disponível apenas para quem possui título eleitoral regular ou suspenso.
Vila Galé em São Luís
A rede portuguesa Vila Galé irá inaugurar amanhã, dia 27 de outubro, a partir das 18h30, seu primeiro hotel no Maranhão, o Vila Galé Collection Ópera São Luís.
Trata-se de um investimento internacional no Centro Histórico de São Luís, que envolveu a recuperação de um imóvel histórico.
Além disso, o evento celebrará o voo inaugural da TAP Air Portugal partindo de Portugal com destino ao Maranhão.
A celebração terá a presença do presidente e fundador da Vila Galé, Dr. Jorge Rebelo de Almeida, do governador do Maranhão, Carlos Brandão, além do presidente da TAP Air Portugal, Carlos Oliveira.
Para escrever na pedra
“Chorar purifica a alma e nos lembra que sentir profundamente nos faz viver mais tempo.” A lição é de Heráclito, filósofo grego.
TRIVIAL VARIADO
Dois atos: Toda eleição tem dois atos. O primeiro é nosso, dos eleitores, e acaba às 17h. O segundo é de quem perdeu, e começa quando sai o resultado. A urna dá o cargo ao vencedor, e quem dá a ele um país governável é o derrotado. Basta não confundir a própria derrota com uma fraude contra o país. Admirar o adversário, confiar no Supremo ou retirar uma crítica da campanha continuam opcionais.
A virada: Grupos de estudantes, aposentados, artistas e torcidas organizaram mobilizações em diversas cidades, movimento que foi reforçado por uma reformulação da rota de campanha. Com a virada histórica, Lula chega a seu quarto mandato.
Bancada feminina: A Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas, apresentada em 20 de outubro em Brasília, prioriza crédito, capacitação empresarial, simplificação regulatória e segurança jurídica para empreendedoras.
No assunto: Três projetos de lei compõem a agenda: expansão de crédito e capacitação, criação do FEE-Mulher e responsabilização por violência patrimonial. Liderada pelo CMEC, com a CACB, a rede é suprapartidária, fará encontros mensais e prevê uma frente parlamentar mista em 2027. As deputadas passam de 90 para 109, ou 21,25% da Câmara.
Saiba Mais
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