COLUNA
Pedro Sobrinho
A cultura é rica e diversa. Como jornalista convido você pra colar na coluna PEDRO SOBRINHO com resenhas e abordagens sobre: artes visuais (pintura, escultura, fotografia), música, literatura
Festival

Ilha Sinfônica e o domingo no Parque Rangedor

Programação gratuita reuniu diferentes gerações neste domingo (13), com circo, atividades infantis, bumba meu boi e um concerto especial da Orquestra Ilha Sinfônica com Flávia Bittencourt e Nando Cordel

Pedro Sobrinho / Jornalista

Ocupar os espaços públicos é sempre necessário. Foi assim o domingo no Parque do Rangedor em que as pessoas se divertiram e cantaram no festival “Vale no parque”, realizado neste domingo (13), no Parque do Rangedor, em São Luís. Com programação gratuita, o evento reuniu famílias, crianças, jovens e idosos em uma experiência marcada pela alegria que o fazer arte nos proporciona.

Flávia Bittencourt e Nando Cordel acompanhados pela Orquestra Ilha Sinfônica. Foto: Divulgação

Programação

Apresentado e patrocinado pela Vale, com realização da Interart Produção Criativa, o festival ocupou o espaço público com cultura sustentabilidade, convivência, coletividade e interação. E o público não ficou apenas na condição de espectador. Ele foi convidado a também fazer arte.

O Circo Tá Na Rua garantiu a diversão de todas as gerações. Foto: Divulgação

Abrindo a programação, por volta das 16h30, o cortejo do coletivo “O Circo Tá na Rua”, acompanhado pela charanga e pelos mascotes “Os Recicladores”, percorreu o parque chamando, especialmente, as crianças e suas famílias para entrar na brincadeira, com arte e educação ambiental em cena. Depois, os personagens e artistas circenses realizaram oficinas de circo, com experiências de malabarismo, equilibrismo e acrobacias.

Tarde cheia de atividades no Festival Vale no Parque no Rangedor. Foto: Divulgação

Na sequência, o grupo Vem Brincar se apresentou no palco do festival, com um repertório que passeou por clássicos infantis das décadas de 80, 90 e anos 2000 até chegar à atualidade. Dessa maneira, as famílias se divertiram juntas desde o início da programação.

A magia e a tradição do bumba meu boi da Floresta no Sotaque de Orquestra no Festival Vale no Parque. Foto: Divulgação

Do circo ao bumba meu boi

Já no fim da tarde, o som, as cores e a ancestralidade da cultura popular maranhense tomaram conta do Rangedor com o Boi da Floresta com o seu sotaque de zabumba fez o couro comer e tremer.

Sob a regência do maestro Jairo Moraes, a Orquestra Ilha Sinfônica protagonizou um concerto concebido para aproximar universos: música sinfônica e popular, Foto: Divulgação

Um concerto de encontros

À noite, o palco recebeu um dos momentos mais aguardados da programação. Sob a regência do maestro Jairo Moraes, a Orquestra Ilha Sinfônica protagonizou um concerto concebido para aproximar universos: música sinfônica e popular, Maranhão, Nordeste e Brasil, tradição e contemporaneidade. Flávia Bittencourt e Nando Cordel foram os convidados especiais, em uma apresentação que contou, ainda, com a participação de integrantes da Cia Encantar e do Boi de Maracanã.

A plateia se divertiu e cantou Louvação à São Luís no Festival Vale no Parque. Foto: Divulgação

A abertura do concerto foi também uma declaração de amor à capital maranhense. “Louvação a São Luís” iniciou a apresentação, conectando a música à cidade que recebeu o espetáculo.

Orquestra Ilha Sinfônica acompanhou Flávia Bittencourt e Nando Cordel. Foto: Divulgação

Flávia Bittencourt levou ao palco canções como “Ilha Bela”, “Vazio”, “Que Faço Eu da Vida Sem Você”, “Mar de Rosa” e “Boi de Lágrimas”, esta última com participação da Cia Encantar. A Orquestra Ilha Sinfônica também apresentou “Ilha Magnética”.

Integrantes da Cia Encantar e do Boi de Maracanã participam do Festival Vale no Parque. Foto: Divulgação

Para Flávia, cantar em São Luís, ao ar livre e diante de um público tão diverso, deu um significado especial à apresentação. “Cantar em casa sempre mexe comigo de um jeito diferente. E estar no Parque do Rangedor, vendo tantas famílias reunidas, crianças acompanhando, pessoas cantando junto, torna tudo ainda mais especial. Foi um encontro muito bonito entre a música, a cidade e a nossa identidade. Quando a gente vê uma orquestra dialogando com a música popular e com elementos tão nossos, percebe o quanto a cultura maranhense é potente e pode ocupar todos os palcos”, ressalta Flávia Bittencourt.

Festival Vale no Parque cultura e sustentabilidade no Rangedor

Depois da apresentação de Flávia, o público foi brindado por duas canções instrumentais que são verdadeiros hinos da cultura maranhense: “Ilha Magnética”, de autoria do compositor César Nascimento, e “Maranhão, meu Tesouro, meu Torrão”, de Humberto de Maracanã.

A chegada de Nando Cordel ampliou esse passeio musical pelo Nordeste brasileiro. O cantor e compositor pernamucano apresentou músicas que atravessam gerações, como “Aconchego”, “Gostoso Demais”, “Você Endoideceu Meu Coração” e “Minha Doce Estrela”.

“Foi uma noite de muito carinho. Música tem essa força de aproximar as pessoas. São Luís me recebeu com uma energia linda, e dividir esse momento com Flávia, com a orquestra e com o público tornou tudo ainda mais emocionante”, comenta Nando Cordel.

Um dos símbolos desse espírito de encontro veio justamente na reta final da apresentação: Flávia Bittencourt e Nando Cordel dividiram o palco em “Terra à Vista” e “Isso Aqui Tá Bom Demais”, reunindo duas trajetórias profundamente ligadas às raízes nordestinas.

O concerto da Orquestra Ilha Sinfônica teve regência do maestro Jairo Moraes, arranjos de Elder Ferreira e Jesiel Bives, produção executiva de Ellen Soares e direção geral de Emanuel Jesus, por meio da Interart Produção Criativa.

Quando cultura e espaço público se encontram dessa forma, o evento ganha uma dimensão muito maior”, destaca Emanuel Jesus.

Conexão: espaço público e cultura

Para o diretor da Interart Produção Criativa, Emanuel Jesus, a resposta do público traduziu a essência imaginada para o projeto.

“Queríamos criar uma experiência em que as pessoas não viessem apenas para assistir a um show, mas para viver o parque, encontrar outras pessoas e transitar por diferentes expressões artísticas. Foi muito bonito perceber crianças, seus pais e mães, jovens e idosos participando da mesma programação, cada um encontrando no parque que o tocava. Quando cultura e espaço público se encontram dessa forma, o evento ganha uma dimensão muito maior”, destaca Emanuel Jesus.

Enfim, levar a arte ao Parque Rangedor foi democratizar o belo, transformando o passeio de domingo em um mergulho na cultura.


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