Péricles canta clássicos da Motown com personalidade
O sambista encantou a plateia do palco Sunset com texturas feitas com naturalidade e talento para canções de Marvin Gaye, Stevie Wonder, Chic, Smokey Robinson, etc e tal
O Rock In Rio chega ao final de mais uma edição e como sempre presenteando quem gosta de música é fã de um dos maiores festivais de música do planeta. E se mantém vivo e atuante porque se contextualiza a cada versão.
De Santo André a Detroit
Embora distante quilômetros da Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, aproveito quando estou em casa pra curtir alguns momentos do festival pela TV e manter os meus ouvidos atualizados com as novidades e matando saudades com gênios da música e o legado construídos por eles ao longo de uma trajetória extensa.
Entre as novidades, a Islândia tá sempre nos mandando alguma. Como gosto de experiências novas, me amarrei no show da cantora Laufey. A islandesa A artista surpreendeu o público ao cantar em português a música "Perdido de Amor", do compositor brasileiro Luiz Bonfá. Com a sua jovialidade a cantora mistura jazz tradicional, pop e música clássica com forte influência da bossa nova, agradando gerações Z e Master.
E na mesma noite do 7 de setembro, em que a islandesa encerrava o Palco Sunset, antes o sambista Péricles ou Pericão, deixou para trás a linha musical que o consagrou, abraçou hits do soul e do R&B norte-americanos e usou o português somente para conversar com o público. Dizem os críticos que estiveram presente nesta noite no festival, que Péricles foi o "The Best", alguns citam como um dos shows mais marcantes do Rock In Rio 2026.
Pra mim foi uma grata surpresa. A apresentação foi uma homenagem a Motown Records, gravadora que teve um papel crucial na integração racial da música popular norte-americana e ajudou a criar a black music. O show foi criado exclusivamente para o festival e sugerido por Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World. Péricles abraçou imediatamente a ideia.
Quem esperava o artista cantar “Até que durou”, “Melhor eu ir” ou relembrar hits do Exaltasamba, pode ter saído decepcionado.
Mas quem foi ao Sunset aberto a uma nova experiência e entendendo o apelido de “Rei da Voz” que o artista tem, se encantou. Seu talento vocal não decepcionou. E mostrou sua versatilidade.
Usando um figurino todo prateado e uma capa com fotos de artistas da Motown, Péricles abriu o show com "Ain't No Mountain High Enough", de Marvin Gaye, e emendou "I Want You back" do Jackson 5.
Arranjos fiéis e performance de altíssimo nível provam que cantor de pagode é, de fato, um grande conhecedor do soul, R&B e funk americano. Com orquestra afiada e repertório que atravessa soul, R&B e pop, cantor mostra que a distância entre Detroit e o pagode brasileiro é bem menor do que parece.
A força de sua voz, somada à escolha de músicas conhecidas, fez com que a homenagem funcionasse tanto para admiradores da Motown quanto para fãs que foram ao festival principalmente para vê-lo. O legado deixado por Péricles no Palco Sunset do Rock In Rio: “Não há nada obrigatório na arte, porque a arte é livre.”
O sucesso foi tão grande que fãs e críticos passaram a pedir nas redes sociais uma turnê oficial dedicada a esse projeto, o que seria uma boa ideia.
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