COLUNA
Pergentino Holanda
O colunista aborda em sua página diária os acontecimentos sociais do Maranhão e traz, também, notícias sobre outros estados e países, incluindo informações das áreas econômica e política.
Pergentino Holanda

PH: São Luís completa 414 anos

E mais: Ensinamentos da cidade velha

PH

Um encontro inusitado no fim de semana: José Nilson Maciel e este Repórter PH. Tarde de abraço fraterno fortalecendo uma amizade de mais de meio século. Há quase dois anos a memória de José Nilson começou a falhar e hoje são raros os amigos que ele ainda reconhece

414 anos

São Luís, uma cidade que nasceu presépio, vive na primeira metade deste século o mesmo drama de outras capitais brasileiras que viraram refúgio de retirantes do campo desassistido, tiveram as periferias urbanas inchadas de carências e viram sendo levados à exaustão os seus equipamentos sociais.

Nem por isso, porém, a cidade perdeu seu encanto de cheiros e cores, de trabalho e afeto, de fartura de águas e do calor da hospitalidade.

O tempo nos mata

Na São Luís de 1966 – dois anos antes do AI-5, na fase menos virulenta da “Redentora” – não havia lombadas, nem assaltos, nem mafuás ou garagens de ônibus no aterro. Aliás, nem havia aterro.

São dessa época as crônicas de Lago Burnett, criando uma espécie de Leopold Bloom da terra – não a Dublin de Joyce, mas a São Luís de José Chagas. O retrato da vida “no outro lado da ponte”. A vida dos mais jovens que faziam a travessia da ponte a pé. Era a vantagem de ser jovem e não precisar de transporte para alcançar a praia.

Até hoje não tenho a menor dúvida dessa circunstância, até porque é sempre maravilhoso ser jovem em qualquer lugar e em qualquer situação...

Os velhos barcos sem leme estavam se aposentando e eu delirava com as vitórias desse mesmo Botafogo, enriquecido de Mané Garrincha. Mais importante: as meninas do Colégio Santa Teresa pareciam jovens Ingrid Bergmans em seus uniformes azul e branco, saias plissadas, que a versão de gala transformava em grenás.

O tempo nos mata...2

Trânsito manso como o daquelas tardes fagueiras, só fui encontrar num domingo de 1982, em Dusseldorf, na Alemanha. Era o exemplo do dócil trânsito de São Luís, início dos anos 1960: ir de bicicleta da Praça João Lisboa até a Praça Gonçalves Dias, levava cinco minutos. A bordo de um romântico bonde, dez minutos.

Um dia desses, cumpri o mesmo percurso, de carro, via Rua dos Afogados, em 40 minutos, graças a uma passeata de “servidores”. O fluxo de veículos era “normal”, a três quilômetros por hora.

De dentro dos carros, naquela época, podia-se ouvir a conversa do “comadrio” nas calçadas da Rua da Paz e da Rua do Sol, a vizinhança ligada no rádio que mandava para o éter Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Nat King Cole, Chuby Checker, Elvis Presley – e, por fim, inaugurando a nova década, os besouros cabeludos de Liverpool.

O tempo nos mata...3

Não há nada mais delirante nesta São Luís do século 21 do que o trânsito – com os automóveis tomando o lugar das árvores, das calçadas.

Poucas cidades sofreram tamanha brutalização em 60 anos. Em 1960, não só era possível atravessar-se as ruas do centro lendo um jornal, comprado na banca do Mondego, como era natural fazê-lo cumprimentando os motoristas, que gentilmente “contornavam” o pedestre para não perturbar a leitura.

Como diria Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho:

– O tempo não passa. Nós é que mudamos. Matamos o tempo; o tempo nos mata.

Ensinamentos da cidade velha

Na São Luís antiga havia a São Luís velha. Velhas prostitutas estavam sempre dispostas a facilitar orgasmos novos. Pouco importava se os novos marinheiros, imbuídos em tesões novas, procuravam vaginas suntuosas ou gargantas profundas.

Ali, poderia muito bem ter servido de palco para uma daquelas farras homéricas de Orson Welles, cansado das deusas de veludo de Hollywood e já apascentando o tédio de ter de morar, no futuro, com Rita Hayworth.

Nunca houve uma mulher como Gilda. Havia, sim, ele próprio chegaria à desilusão.

Os homens não esperavam tirar as calças nas pensões subnutridas da rua 28 de Julho ou da Herculano Parga, e as mulheres, vapt-vupt, eram especialistas em arrancar as próprias calcinhas com manchas de fetos que jamais nasceriam.

Ensinamentos da cidade velha...2

Hoje, a Praia Grande mudou. Tudo ali é puro como uma Ave Maria, inclusive a exploração turística.

Restaurantes e barzinhos imitam áreas boêmias de outras cidades encantadas. 

Perderam-se os rumores de antigas sacanagens. Agora é a vez da armação de bandalheiras sentimentais carinhosas, da organização de complôs virtuosos e da fidalguia de homens e mulheres que deixaram de urinar no meio da rua.

Rua Grande

Se me perguntassem quando eu era garoto como era São Luís, não teria a menor dificuldade em esclarecer: é uma cidade com bondes, ruas de paralelepípedes, o Largo do Carmo e a Rua Grande. Nada mais disso resiste.

Pouco ou quase nada sobrou da Rua Grande, que era um lugar com cinemas, confeitarias de variado gosto e vitrines que se podia visitar à noite, sem a mais remota noção do que fosse medo.

As esquinas da Rua Grande eram pontos de encontro da Capital com ela mesma, com direito à torre do Edifício Caiçara, um atrevimento arquitetônico que lembra a ousadia de Zenith, a metrópole de um dos melhores romances da literatura norte-americana – o Babbitt, de Sinclair Lewis.

Peguei ainda o footing, que era assim: pelas calçadas desfilavam algumas das mais encantadoras garotas que você possa imaginar, e que encantavam com sua elegância e sua beleza os rapazes postados junto ao meio-fio, mendigando um olhar de suas deusas.

Rua Grande...2

Todo esse fascínio se foi, sepultado por um calçadão.

Hoje a Rua Grande é um lugar de pessoas tensas e apressadas, receosas de suas bolsas e de suas carteiras, caminhando por entre lojas que estão longe de ter o toque de refinamento do Magazine Serrano, das privilegiadas janelas das sacadas dos sobradões habitados por famílias ricas ou do mármore das mesas dos cafés.

Hoje, a Rua Grande é um caminho sem alma, o espelho da degradação do que foi um dia o centro rutilante de uma capital que não existe mais.

Nesta data, há 49 anos, partia para a eternidade um dos maiores poetas maranhenses do século 20: Bandeira Tribuzi. Em 2027 será o centenário do seu nascimento e os 50 do seu falecimento

DE RELANCE

Balada de São Luís

Em cada esquina te vais

Em cada esquina te vejo

Esta é a cidade que tem

Teu nome escrito no cais

A cidade onde desenho

Teu rosto com sol e anil

Canoas te levaram

Barcos te perderam

Esta é a cidade onde chegas

nas manhãs de tua ausência

tão perto de mim tão longe

tão fora de seres presente

Esta e a cidade onde estás

como quem não volta mais

tão dentro de mim tão que

nunca ninguém por ninguém

Em cada dia regressas

Em cada dia te vais

Em cada rua me foges

Em cada rua te vejo

Tão doente da viagem

Teu rosto de sol e anil

Esta é a cidade onde moras

Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se

Às vezes pergunto quem

Esta é a cidade onde estás

Com quem nunca mais vem

Tão longe de mim tão perto

Ninguém assim por ninguém.

Justiça e acesso

Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil têm direito à gratuidade de justiça sem ter de comprovar que não têm condições de cobrir as despesas do processo.

Quem recebe acima desse valor também pode ter acesso ao benefício, mas deverá demonstrar a insuficiência de recursos.

A decisão foi tomada em julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade proposta pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro  para questionar as regras da Reforma Trabalhista (Lei sobre a gratuidade na Justiça do Trabalho).

A lei passou a prever a concessão automática do benefício para quem recebe salário de até 40% do teto do Regime Geral de Previdência Social. Acima desse limite, é necessária a comprovação da falta de recursos.

Urnas eletrônicas

Os eleitores encontrarão novidades na urna eletrônica durante as Eleições 2026. Uma das principais mudanças será a inclusão de uma barra de progresso na parte superior da tela, que permitirá acompanhar os cargos já votados e aqueles que ainda aguardam o preenchimento.

A interface do equipamento também passará por atualização, com novas telas e uma fonte desenvolvida para proporcionar maior facilidade de leitura. Os recursos de acessibilidade em Libras serão ampliados e poderão indicar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda.

As mudanças foram implementadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de facilitar o acompanhamento da votação, melhorar a experiência do eleitor e tornar o processo eleitoral mais acessível.

Marluce e Antonio Gentil (fundador do Grupo Gentil Negócios) desembarcam hoje em São Luís especialmente para participar da Missa de Sétimo Dia do falecimento de Ana Paula de Holanda Cavalcante Araújo, mãe do executivo do Grupo no Maranhão, José Roberto Araújo

Eleições e Contas

Começa amanhã (9) o prazo para o envio, pelos candidatos, da prestação de contas parcial pelo sistema Conta+JE.

O documento deve ser apresentado até 13 de setembro e conter a movimentação financeira e os recursos estimáveis em dinheiro recebidos ou utilizados desde o início da campanha até 8 de setembro deste ano.

Já o conjunto das prestações de contas referentes ao 1º turno deverá ser encaminhado à Justiça Eleitoral entre 5 de outubro e 3 de novembro. No caso de eventual 2º turno, o prazo para envio será de 26 de outubro a 14 de novembro.

A Justiça Eleitoral alerta que a não apresentação ou a rejeição da prestação de contas pode resultar em punições, entre elas a obrigatoriedade de devolução de recursos ao erário, pagamento de multas e a suspensão de repasses do Fundo Partidário.

Em situações graves, o candidato também pode ficar sujeito à inelegibilidade.

Urnas eletrônicas

Os eleitores encontrarão novidades na urna eletrônica durante as Eleições 2026. Uma das principais mudanças será a inclusão de uma barra de progresso na parte superior da tela, que permitirá acompanhar os cargos já votados e aqueles que ainda aguardam o preenchimento.

A interface do equipamento também passará por atualização, com novas telas e uma fonte desenvolvida para proporcionar maior facilidade de leitura. Os recursos de acessibilidade em Libras serão ampliados e poderão indicar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda.

As mudanças foram implementadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de facilitar o acompanhamento da votação, melhorar a experiência do eleitor e tornar o processo eleitoral mais acessível.

Carlinhos Veloz em São Luís

Uma presença para ser celebrada e uma voz que dispensa apresentações. O cantor e compositor Carlinhos Veloz está em São Luís e se apresenta nesta terça-feira, no Centro Histórico, em uma participação especial dedicada à cidade que tantas vezes inspirou suas canções.

Morando atualmente no exterior, Veloz aceitou o convite para retornar à Ilha do Amor e prestar uma homenagem musical à terra que ocupa um lugar especial em sua trajetória. E que privilégio para os maranhenses poder reencontrá-lo ao vivo!

Carlinhos Veloz em São Luís...2

Dono de uma das mais belas vozes da música brasileira, Carlinhos Veloz tem um timbre lírico, cristalino e de afinação impecável. Canta com suavidade, emoção e uma elegância de tirar o chapéu, transformando cada interpretação em um momento especial.

Conhecido também por suas lindas canções que exaltam São Luís e suas paisagens, Veloz retorna para matar saudades e, sobretudo, para proporcionar ao público a oportunidade de cantar junto com ele.

É daquelas noites que prometem ficar na memória. Afinal, ouvir Carlinhos Veloz ao vivo é como apreciar um diamante lapidado: raro, precioso e capaz de emocionar logo nos primeiros acordes.

O cantor e compositor Carlinhos Veloz está em São Luís e se apresenta nesta terça-feira, no Centro Histórico

Para escrever na pedra:

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”. De Madre Teresa de Calcutá.

TRIVIAL VARIADO

Movimento: A sexta-feira foi de trânsito intenso na saída da cidade. O tempo de viagem entre São Luís e a entrada dos Lençóis Maranhenses chegou a mais de quatro horas. Nos balneários mais procurados, o clima foi de férias com grande movimento de banhistas.

Independência: A Cripta Imperial com os restos mortais de D. Pedro I foi reaberta ontem, em São Paulo, após processo de revitalização.

IBGE: O Brasil tem 2 milhões de trabalhadores de apps. O rendimento-hora é 12% menor que o dos “não plataformizados”.

Inteligência artificial: Com bandeiras, slogans e marchando em círculo, 30 robôs protestaram em Varsóvia, ontem, exigindo a regulamentação da IA.

Ministro do STF: Em uma semana, André Mendonça conquistou 1,3 milhão de seguidores no Instagram, chegando a 3,3 milhões.

Educação e atraso:Prefeituras de todo o País têm reclamado do atraso na liberação dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

No assunto: A maioria dos municípios recebeu apenas valores referentes à creche e à pré-Noescola. Recursos destinados às demais etapas e modalidades, como a educação básica, por exemplo, seguem pendentes.

Ayahuasca; O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criem um grupo de trabalho para “revisar e aperfeiçoar o tratamento jurídico e regulatório para uso da ayahuasca no Brasil, especialmente quanto aos usos religioso, espiritual e terapêutico”.

Tem mais:Atualmente, o chá de ayahuasca, preparado com vegetais que fornecem substâncias como a Dimetiltriptamina (DMT), tem seu uso proibido para fins não rituais. O prazo para finalizar o estudo é de dois anos, período em que devem ser ouvidas organizações interessadas, especialmente comunidades indígenas e religiões que usam a substância em seus rituais.

Retorno lento: O Feriadão de praias lotadas nos Lençóis Maranhenses e retorno lento para a Capital. O próximo feriado será em 12 de outubro, uma segunda-feira.


 


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