A escritora Helena Taliberti transformou a dor provocada pela morte dos dois filhos e da nora grávida na tragédia de Brumadinho em literatura. No livro Tentam nos Enterrar, Não Sabiam que Somos Sementes, publicado pela editora Ofício da Palavra, ela resgata as memórias de Luiz e Camila Taliberti e aborda a luta contra o esquecimento das 272 vítimas do rompimento da barragem.
Helena perdeu os filhos em 25 de janeiro de 2019, quando a Barragem I da Mina Córrego do Feijão, da Vale, se rompeu em Brumadinho, Minas Gerais. Luiz e Camila estavam de férias no estado com Fernanda, esposa de Luiz, que estava grávida de Lorenzo. A tragédia também vitimou funcionários da Vale, trabalhadores terceirizados e moradores da região.
Escritora relata como o luto mudou sua percepção sobre a vida
Na obra, a escritora relata como o luto mudou sua percepção sobre a vida e transformou a dor em uma forma de resistência. O título faz referência à tentativa de manter viva a memória das vítimas e ao trabalho desenvolvido pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado após a tragédia. “A todo momento tentam nos enterrar”, afirma Helena, ao defender que o episódio não seja apagado da memória coletiva.
O rompimento liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração e atingiu a região do Córrego do Feijão e do Ribeirão Ferro-Carvão, chegando à bacia do Rio Paraopeba. Em 2021, a Vale firmou um acordo de R$ 37,7 bilhões para reparação dos danos. O livro de Helena se soma às iniciativas de familiares que seguem cobrando justiça e preservando a memória das vítimas.
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