SÃO LUÍS – O Maranhão ganhou destaque no cenário nacional das artes visuais. O fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos recebeu, no dia 6 de agosto, o Prêmio Aquisição do 2º Salão de Arte Contemporânea de Goiás, reconhecimento concedido a apenas cinco artistas entre 1.320 inscrições de todo o país.
Márcio foi selecionado com os trabalhos “Juradas de Morte” e “Bruxos e Curandeiros”, produções que mergulham em temas ligados à cultura religiosa, à tradição popular e às experiências de comunidades afrodescendentes. O salão reúne artistas de diferentes regiões brasileiras e propõe um diálogo entre variadas linguagens da produção contemporânea.
Além do reconhecimento, o prêmio garante a incorporação das obras premiadas ao acervo do Centro Cultural UFG. Conforme o regulamento do salão, 30 artistas foram selecionados e cinco receberam o Prêmio Aquisição, no valor de R$ 20 mil cada.
Uma câmera comprada com o primeiro salário
A história do fotógrafo maranhense Márcio com a fotografia começou de maneira quase despretensiosa. Na juventude, ele cursou Engenharia Mecânica e Educação Física e, posteriormente, entrou para o Banco do Brasil. Foi depois de comprar a sua primeira câmera fotográfica que ele passou a registrar o que encontrava pela frente.
"Com o primeiro salário comprei a melhor câmera fotográfica da época e comecei a fotografar compulsivamente tudo. Depois de um tempo aquilo que era hobby passou a ficar mais sério", rememorou.
Cultura afro-maranhense virou foco de fotógrafo maranhense
No início da carreira, Márcio trabalhou principalmente para agências de publicidade. Com o tempo, porém, passou a se dedicar cada vez mais a pesquisas próprias e encontrou nas manifestações religiosas e culturais dos afrodescendentes no Maranhão uma de suas principais fontes de inspiração.
O interesse levou o fotógrafo maranhense a atravessar fronteiras. Entre seus projetos estão trabalhos realizados no Benim e em Cuba, experiências que ajudaram a ampliar seu olhar sobre religião, ancestralidade e cultura.
"No começo trabalhei muito para as agências de publicidade, em seguida comecei a me dedicar a trabalhos mais autorais. Dessa forma mergulhei em temas relacionados às manifestações de cultura religiosa e popular dos afrodescendentes no Maranhão", revelou.
Obras de fotógrafo maranhense nasceram de pesquisas e parcerias
Os trabalhos premiados em Goiás também foram resultado de encontros com pessoas que contribuíram para que Márcio pudesse acessar histórias e territórios específicos.
Para realizar “Bruxos e Curandeiros”, o fotógrafo maranhense contou com a parceria da antropóloga Ana Stela Cunha, especialista na religião cubana do Palo Monte. A colaboração ajudou na aproximação com um universo novo. “Isso facilitou muito a entrada nesse universo meio secreto e misterioso”, contou o fotógrafo.
Já em “Juradas de Morte”, Márcio contou com o apoio do advogado Rafael Silva, responsável por levá-lo a quilombos da Baixada Maranhense e apresentar as dificuldades enfrentadas pelas quebradeiras de coco babaçu.
Segundo Márcio, foi Rafael que o “levou aos quilombos da baixada maranhense e contou das dificuldades das quebradeiras de coco babaçu em realizarem seus trabalhos dada a perseguição dos fazendeiros, posseiros e invasores das terras quilombolas”, relembrou.
Ele também deixou um obrigado a quem o recebeu. "Agradeço imensamente a confiança e colaboração das quebradeiras de coco fotografadas e principalmente ao MIQCB [Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu] por acreditar neste trabalho", afirmou.
Prêmio amplia visibilidade do Maranhão
Para Márcio, o reconhecimento em Goiás vai além da conquista individual. Ele considera que premiações e editais ajudam artistas a colocar suas produções em circulação e a estabelecer contato com curadores, editores e outros profissionais do setor.
O próprio regulamento do salão prevê uma seleção nacional, com 30 artistas escolhidos e cinco premiados. A comissão de seleção é formada por cinco profissionais da área de artes visuais, representantes das diferentes regiões do país.
“É a possibilidade de ser visto e analisado por editores, curadores e profissionais de reconhecida importância no segmento das artes”, comemorou.
A mostra segue aberta para visitação até 25 de setembro, no Centro Cultural da UFG, em Goiânia. O calendário oficial estabelece o período de exposição entre 7 de agosto e 25 de setembro.
Fotógrafo maranhense dá conselho para quem está começando
Com uma carreira construída ao longo de décadas, Márcio também deixa um recado para quem está começando agora na fotografia e em outras áreas artísticas. Para ele, além do talento, é preciso dedicação, pesquisa e disposição para aprender com quem já percorreu esse caminho.
"Os artistas de um modo geral que começam a mergulhar numa vocação devem acreditar no seu potencial e fazer com muita dedicação, pesquisas, procurando parcerias com profissionais mais experientes dentro da mesma área", finalizou.
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