Roubo

Obra criada por Salvador Dalí é roubada de museu na França

Obra de 210 quilos estava exposta no Centro de Arte Contemporânea de Issoire e é considerada uma peça excepcional e única pela Justiça francesa.

Na Mira

Capa de bronze criada pelo artista espanhol pesa 150 quilos e é decorada com ouro, pedras preciosas e conchas. (Foto: divulgação)

FRANÇA - A capa de um livro criada pelo artista espanhol Salvador Dalí foi roubada do Centro de Arte Contemporânea de Issoire, na França, na noite de domingo (4) para segunda-feira (5). A obra, considerada pela Promotoria de Clermont-Ferrand como uma peça excepcional e única, estava exposta no museu localizado na região de Auvergne.

Trata-se da capa do “Livro do Apocalipse”, obra inspirada no texto de São João e criada pelo editor de arte Joseph Forêt. O conjunto pesa 210 quilos, sendo 150 quilos correspondentes apenas à capa, esculpida por Dalí em bronze e decorada com ouro, pedras preciosas e conchas.

Obra histórica

O livro foi idealizado por Joseph Forêt na década de 1950 e reúne trabalhos de 14 artistas e escritores do século XX. Entre os nomes envolvidos estão Salvador Dalí, Bernard Buffet, Georges Mathieu, Ossip Zadkine, Jean Cocteau, Jean Giono e Emil Cioran.

A produção levou cerca de três anos e envolveu trabalhos realizados manualmente. O conteúdo foi registrado em grandes pergaminhos, com textos e ilustrações produzidos pelos artistas participantes.

A obra foi apresentada em 1961 no Museu de Arte Moderna de Paris e, posteriormente, passou por cerca de 150 exposições em diferentes países entre 1961 e 1972. Depois, permaneceu durante um período armazenada na Suíça e acabou sendo vendida a compradores japoneses.

História da obra

O exemplar foi adquirido em 2003 pelo francês Christian Karoutzos, diretor de uma empresa de restauração de obras de arte em Issoire. Ele recuperou a peça quando os então proprietários japoneses planejavam colocá-la à venda, separadamente, em um leilão.

Na época de sua criação, o livro chegou a ser avaliado em dois milhões de francos franceses, valor equivalente a cerca de 305 mil euros atualmente. A avaliação fez com que a obra fosse considerada, naquele período, o livro mais caro do mundo.

Karoutzos mantinha a obra em seu centro de arte contemporânea em Issoire, onde a capa e alguns dos pergaminhos estavam em exposição.

Investigação

A Promotoria de Clermont-Ferrand abriu uma investigação para apurar o roubo. Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes sobre como a obra foi retirada do local ou quantas pessoas estariam envolvidas no crime.

O prefeito de Issoire, Bertrand Barraud, classificou o prejuízo como incalculável e afirmou que a peça representa o trabalho de uma vida do proprietário. A investigação está sob responsabilidade da polícia francesa.

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