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Matheus Nachtergaele revela paixão por animações desde a adolescência: “Bambi me faz chorar”

Matheus Nachtergaele relembra curso de animação aos 15 anos e detalha o desafio de dublar o cachorro Bacalhau no filme O Filho da Puta, de Otto Guerra.

Na Mira, com informações do Omelete

Matheus Nachtergaele revela paixão por animações desde a adolescência: “Bambi me faz chorar”. (Foto: Divulgação)

BRASIL – Antes de se tornar um dos atores mais conhecidos do cinema brasileiro, Matheus Nachtergaele já experimentava a criação de filmes quadro a quadro. Aos 15 anos, ele fez um curso de animação no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, experiência que influenciou sua relação com o cinema e permanece viva em seus trabalhos. Em entrevista ao Omelete, durante o Festival do Rio 2026, o ator falou sobre essa ligação antiga com a animação e revelou que ainda assiste a “Bambi”, clássico da Disney, em casa.

“Sou aquele tipo que ainda assiste a Bambi em DVD em casa, porque me faz chorar. O Bambi da Disney, imagina!”, contou ao veículo.

A paixão também aparece em seu trabalho como dublador. Nachtergaele empresta a voz a Bacalhau, um cachorro vira-lata de três pernas em “O Filho da Puta”, longa-metragem de animação dirigido por Otto Guerra e Érica Maradona. O filme marca a terceira colaboração do ator com Guerra, depois de “Rocky & Hudson – Os Caubóis Gays” e “A Cidade dos Piratas”.

De um curso aos 15 anos à dublagem de animações brasileiras

Na entrevista ao Omelete, Nachtergaele contou que o interesse pela animação começou antes de sua carreira como ator. Quando era adolescente, desenhava e pensava em seguir pelas artes plásticas. Ao completar 15 anos, pediu ao pai um curso de animação ministrado por Sérgio Tastaldi no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.

Durante as aulas, chegou a produzir um curta-metragem em acetato, com imagens criadas quadro a quadro. Para o ator, aquela experiência ajudou a desenvolver seu olhar para a construção das cenas e para o trabalho de cinema.

“Com 15 anos eu já estava envolvido em cinema sem saber que ia ser ator, fazendo um filmete quadro a quadro”, relembrou.

Ele também relaciona essa vivência à maneira como encara as gravações. Mesmo com a chegada das tecnologias digitais, Nachtergaele considera importante preservar a atenção dedicada a cada imagem. Na entrevista, compartilhou uma ideia que costuma usar para pensar a qualidade de um filme: uma cena deveria ter significado mesmo quando pausada em um único quadro escolhido aleatoriamente.

O interesse segue presente em seus trabalhos. O ator contou ao Omelete que também gravou a voz de um personagem no longa “O Pinguim Tupiniquim”, da Coala Filmes, produção em stop-motion que ainda está em desenvolvimento.

Matheus Nachtergaele dá voz a cachorro de três pernas

Em “O Filho da Puta”, Nachtergaele interpreta Bacalhau, um vira-lata de três pernas que acompanha Ismael, personagem dublado por Gabriel Martins, em uma viagem à procura de um pai que ele nunca conheceu.

Ao comentar o roteiro, o ator descreveu a história como uma fábula sobre a busca paterna que, ao mesmo tempo, afirma a maternidade. Ele também destacou a personalidade do cachorro, que combina malandragem e sabedoria.

“Uma espécie de grilo falante politicamente incorreto”, definiu.

A familiaridade com o personagem também vem de sua convivência com animais. Nachtergaele contou ao Omelete que tem seis cachorros e já chegou a cuidar de 28 ao mesmo tempo. Segundo ele, conhecer os diferentes tons dos latidos ajudou na composição de Bacalhau.

O trabalho exigiu ainda a criação de sons específicos, como rosnados, grunhidos e latidos. O ator explicou que algumas dessas vocalizações podem exigir bastante da voz e que precisou organizar as gravações para evitar esforço excessivo. A rouquidão do personagem, porém, foi uma escolha deliberada.

“Eu evitava ficar limpando a garganta durante a gravação, achava que o Bacalhau era um cachorro velho de guerra, meio como eu de uma certa forma”, contou.

“A animação é uma arte de cinema tão grande quanto qualquer outra”

Na conversa com o Omelete, Nachtergaele também defendeu o reconhecimento da animação como uma forma de cinema com o mesmo valor artístico de outros formatos. Para ele, mesmo com os avanços tecnológicos, a escolha de cada quadro continua sendo parte essencial do processo criativo.

O ator afirmou que se sente conectado ao menino que desenhava e fazia pequenos filmes sempre que participa de uma animação brasileira. É uma relação que atravessa décadas e que, agora, ganha mais um capítulo com “O Filho da Puta”.

A entrevista completa com Matheus Nachtergaele foi publicada pelo Omelete, durante a cobertura do Festival do Rio 2026.

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