“A Música da Minha Vida”

Paula Pimenta volta ao universo de “Fazendo Meu Filme” com nova protagonista

Paula Pimenta retorna ao universo de Fazendo Meu Filme com Juju, protagonista de 14 anos que usa a música como refúgio em sua nova jornada literária.

Na Mira

Paula Pimenta volta ao universo de “Fazendo Meu Filme” com nova protagonista. (Reprodução)

BRASIL - Quase 15 anos depois de conquistar uma geração de leitores com “Fazendo Meu Filme”, Paula Pimenta está de volta ao universo que ajudou a transformar a literatura juvenil brasileira. A escritora mineira acaba de lançar “A Música da Minha Vida”, nova série derivada da história de Fani, desta vez com uma protagonista de 14 anos e uma paixão diferente da tia.

Se Fani enxergava o mundo através dos filmes, Juju encontra refúgio e identidade na música. Sobrinha da personagem que protagonizou “Fazendo Meu Filme”, ela já havia aparecido brevemente nos livros anteriores e agora ganha sua própria história, marcada por amizades, conflitos familiares, descobertas afetivas e questões sobre suas próprias raízes.

O primeiro volume foi lançado em Belo Horizonte no dia 29 de agosto, reunindo cerca de 200 fãs em uma sessão de autógrafos. A recepção também mostra como o público de Paula Pimenta atravessou diferentes fases da vida. Entre os leitores que aparecem na contracapa do livro estão crianças, adolescentes e mulheres adultas que cresceram acompanhando suas personagens.

Um universo que cresceu junto com os leitores

Parte do encanto de “Fazendo Meu Filme” está justamente nos detalhes de uma adolescência que hoje parece pertencer a outra época. Fani e Priscila trocavam cartas e bilhetinhos durante as aulas, gravavam CDs e colecionavam DVDs. Eram formas de comunicação e entretenimento que fizeram parte da vida de muitos dos leitores que descobriram os livros ainda adolescentes.

Paula Pimenta, porém, não vê essa característica analógica como um obstáculo para conquistar quem cresceu cercado por telas. Para ela, a literatura também pode incorporar os hábitos da nova geração.

“Desde o primeiro livro, sempre levei essas formas de comunicação mais atuais para a história. Vários pais me perguntam como eu faço para tirar a filha deles do celular. Eu respondo que levei o celular para dentro do livro”, afirma.

A própria filha da escritora, de oito anos, serve como exemplo dessa relação. Paula conta que, embora ela goste de ler, as telas continuam disputando sua atenção. O desafio, segundo a autora, está em encontrar uma história capaz de prender o leitor.

E esse é justamente um dos objetivos de “A Música da Minha Vida”. A nova protagonista chega a uma geração que vive uma relação muito diferente com a música, agora acessada principalmente pelo celular e pelas playlists.

Juju encontra na música uma forma de recomeçar

Na história, Juju passa por uma experiência de bullying na nova escola e começa a se fechar para novas relações. As músicas que escuta no celular acabam funcionando como uma espécie de refúgio enquanto ela tenta lidar com o que aconteceu.

Aos poucos, porém, a personagem percebe que suas playlists não precisam ficar associadas apenas às experiências difíceis que viveu.

“Ela vai descobrindo que aquelas melodias tristes fizeram quem ela é, mas ela não precisa deixar esse passado narrar o resto da vida dela”, explica Paula.

A escolha da música como elemento central também tem relação direta com a trajetória da própria escritora. Antes de se dedicar à literatura, Paula foi professora de violão e técnica vocal. Ela conta que costuma escrever todos os livros acompanhada por uma trilha sonora, mas essa é a primeira vez em que a música ocupa um papel tão importante dentro da própria narrativa.

Fani continua por perto

Apesar de a história ser construída para funcionar de maneira independente, os leitores antigos encontram algumas familiaridades pelo caminho. Fani continua fazendo parte desse universo e aparece agora em uma posição diferente, como tia e conselheira de uma nova geração.

O livro também reserva reencontros para quem acompanha a série desde o começo, incluindo o casamento de personagens já conhecidos. A proposta, porém, não é simplesmente repetir “Fazendo Meu Filme”, mas mostrar o mesmo universo por outro ponto de vista.

A mudança também permite que leitores que não conheceram os primeiros livros acompanhem a história de Juju sem precisar voltar às aventuras de Fani.

Paula Pimenta também está nas personagens

Entre todas as personagens que criou, existe uma que ocupa um lugar especialmente próximo da autora. Fani é, segundo Paula, aquela com quem mais se identifica.

A explicação está justamente no fato de ter sido sua primeira protagonista. Ao escrevê-la, a autora acabou colocando na personagem gostos e características pessoais, além de transformar parte das próprias experiências de adolescência em elementos da história.

“Eu acho a Fani porque é a minha primeira protagonista e acho que a gente sempre acaba escrevendo a primeira com as coisas que a gente gosta, que a gente é”, contou Paula em entrevista à CNN.

A paixão por filmes e o gosto por ficar em casa são algumas das semelhanças entre as duas. Ainda assim, a autora ressalta que existe um pouco dela em todos os personagens que criou.

Com mais de 20 títulos publicados e mais de 2 milhões de exemplares vendidos, Paula Pimenta construiu uma carreira especialmente ligada às histórias de adolescentes descobrindo o amor, a amizade e a própria identidade. Agora, quase 15 anos depois de apresentar Fani aos leitores, ela abre novamente a porta daquele universo, mas deixa outra personagem escolher a trilha sonora.

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