Ressocialização

Presos de Cururupu fazem reforma da delegacia

Presos fazem a capina, pintura, serviços hidráulicos e retelhamento.
Divulgação/Delegacia de Cururupu10/07/2014 às 18h20

CURURUPU - Diante da necessidade de reforma do prédio da Delegacia de Polícia Civil de Cururupu, o delegado Carlos Renato decidiu realizar as melhorias emergenciais como capina, pintura, serviços hidráulicos e retelhamento, com os próprios detentos da delegacia.

De acordo com o delegado, houve uma escolha entre os presos de bom comportamento e, após essa análise, foi constatado que, dentre os detentos, havia muitos profissionais da construção civil. “Primeiro, realizei a triagem, percebi que existem, na carceragem, pedreiros, pintor, carpinteiros e muitos auxiliares. Depois da triagem, sugeri aos detentos que realizassem o trabalho de forma voluntária, e eles aceitaram”, enfatizou o delegado.

Ainda segundo Carlos Renato, o próximo passo foi comunicar ao juiz da Comarca de Cururupu a intenção da realização do trabalho com os detentos, no intuito de reduzir o ócio e melhorar o ambiente onde vivem dezenas de pessoas apenadas como na Delegacia de Cururupu. “O principal objetivo é levar dignidade ao detento, dar oportunidade de ser útil. Dessa forma, outros detentos também vão querer participar, mas para isso precisam ter bom comportamento. Com isso, ganha a carceragem com um ambiente limpo e agradável e ganha, também, a polícia com menos indisciplina e rebelião nas celas”, afirmou o delegado.

O trabalho prisional dá ao preso o direito da remissão da pena, isto é, o condenado pode reduzir pelo trabalho o tempo de duração da pena privativa de liberdade. De acordo com a Lei de Execuções Penais no Art. 126. parágrafo 1°, a cada três dias trabalhado é remido um dia da pena. A remissão é um estímulo para abreviar o cumprimento da sanção e, assim, alcançar a liberdade condicional ou definitiva.

A última reforma da Delegacia de Polícia Civil de Cururupu foi em novembro de 2009. Hoje, existem 40 presos distribuídos em quatro celas. Nesse primeiro momento, seis presos de bom comportamento se colocaram à disposição para a reforma da delegacia que começou na última segunda-feira (7). Está sendo feita toda a capina na área externa da delegacia, a pintura dos cômodos internos e das celas, pintura da fachada e dos muros, além de uma nova fossa asséptica para acabar com o problema de esgoto escorrendo pelas ruas próximas ao DP.

Para Edivaldo Silva, condenado a 12 anos de reclusão e que já cumpriu mais de três anos, o trabalho é uma oportunidade de reduzir a pena e, também, passar algumas horas fora da cela. “Quando o doutor Renato convocou a gente, eu fui um dos primeiros a aceitar. Quero reduzir minha pena e, só o fato de ficar fora da cela, já valeu a pena”, disse o detento.

O investigador Joaquim Jorge, que trabalha desde fevereiro deste ano na Delegacia de Cururupu, faz a escolta dos detentos que trabalham na reforma. Ele enfatiza a oportunidade da diminuição da pena. “Com o trabalho, o detento produz, ocupa a mente e, consequentemente, perdemos menos tempo com problemas na carceragem, podendo atender melhor a população e, em médio prazo, vamos acabar com a superlotação nas celas”, disse Joaquim.

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