Crime

Polícia investiga denúncia de racismo contra enfermeira em Caxias

Milka Passos foi vítima de comentários preconceituosos em uma agência bancária, no Centro da cidade.
Imirante.com, com informações da TV Mirante24/09/2020 às 14h17
Polícia investiga denúncia de racismo contra enfermeira em CaxiasA enfermeira Milka Passos foi vítima de de comentários preconceituosos em agência bancária, no Centro de Caxias, no Maranhão. (Foto: Reprodução / TV Mirante)

CAXIAS - A enfermeira Milka Passos foi vítima de ataques com ofensas raciais, em uma agência bancária, no Centro de Caxias, no Maranhão. A vítima estava esperando atendimento quando foi vítima de comentários preconceituosos de outros clientes, que também esperavam atendimento.

“Meu Deus, não deixa eu chorar, eu tenho que me impor e ser forte”, o desabafo é uma mensagem nas redes sociais de Milka Passos, que teve grande repercussão na internet com comentários de apoio à enfermeira.

“Nunca tinha passado por nenhum tipo de situação assim parecida, mas eu continuei fazendo o saque e ouvindo as coisas que eles estavam falando. E eu fiquei assim na minha cabeça tentando formular frases do que eu ia falar, porque eu tinha que voltar lá para falar alguma coisa, aí quando terminei de fazer o saque, volte lá onde eles e falei, repeti as mesmas frases que eles falaram para mim: Olha, vocês não estão acostumadas com esse tipo de macacada não, né? Mas vocês têm que me respeitar”, relatou Milka Passos.

As imagens das câmeras de segurança da agência bancária foram solicitadas e devem ajudar a identificar os suspeitos, que podem responder por racismo e injúria racial.

A União de Negros pela Igualdade de Caxias acompanha o caso. Segundo a diretora de Direitos Humanos, é preciso punir com rigor atitudes preconceituosas como a vivenciada pela enfermeira.

“Quando ele coloca: ‘Eu não suporto a macacada dessas pretas’. Quando ele diz isso, ele comete um crime de racismo, porque ele está colocando ”as pretas”, então ele está ofendendo toda uma população de mulheres negras, de mulheres pretas. Então é um crime que vai atingir toda essa população, é um crime de racismo. Ele comete injúria racial quando ele diz “essa preta”, então aí é injúria, porque ele ofendeu a pessoa, a partir de suas características físicas, então isso está colocado na lei como um crime de injúria racial”, explicou a diretora de Direitos Humanos da Unegro/Caxias, Valdênia Menegon.

As penas são diferentes para cada caso:

Injúria racial - pode levar de um a três anos de prisão e admite a suspensão condicional do processo.

Racismo - é inafiançável. Não depende da representação da vítima para investigar, processar e punir os racistas.

Para quem passa pela situação são momentos lamentáveis e difíceis de serem esquecidos. “Fere a nossa honra como pessoa. Fere nossos direitos e na hora eu me senti assim, muito constrangida, bem pequeninha. A gente não sabe nem como reagir a esse tipo de situação. Eu vejo um lado bom nessa história, porque isso inspira outras pessoas que já passaram ou passam por esse tipo de situação a não se calarem, a buscarem seus direitos, porque isso é um direito nato da gente”, declarou Milka Passos.


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