Violência

Dezesseis mulheres são mortas e 920 agredidas por ano em Caxias

A residência da vítima é onde mais acontece situação de violência.
O Estado08/06/2014 às 15h29

CAXIAS - Nas últimas décadas as mulheres conquistaram aliados importantes na luta pelos seus direitos, mas isso não significa que o número de casos de violência contra elas tenha diminuído. Há um grande número de registros de agressões e assassinatos contra as mulheres em todo o país. Em Caxias, a realidade não é diferente, e se somam também aos crimes de abusos sexuais contra crianças e adolescentes.

No Plantão Central de Polícia Civil são registradas, em média, cinco ocorrências de violência contra mulheres todos os dias. A situação se agrava nos fins de semana, quando a diversão aliada ao consumo de bebida alcoólica, provoca boa parte dos conflitos, sempre motivados pelos sentimentos de possessão e obsessão.

O local onde mais ocorrem situações de violência contra a mulher é a residência da vítima, independentemente da faixa etária. Até os 9 anos, os pais são os principais agressores.

A violência paterna é substituída pela do cônjuge e/ou namorado, que preponderam como agressores de mulheres entre 20 e 59 anos. Já a partir dos 60 anos, são os filhos que assumem esse papel.

Gêneros

De acordo com dados do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, em média, 16 mulheres são assassinadas anualmente em Caxias. Só de casos de agressão, englobando todos os gêneros e faixas etárias foram notificados 920 casos em 2013.

Já o Conselho Tutelar, registrou no ano passado cerca de 20 casos confirmados de abusos sexuais contra criança e adolescentes. De janeiro a maio deste ano, essas ocorrências (sem dados em números) já superaram as do ano passado.

Segundo a secretaria Municipal da Mulher, Liana Coutinho, muitas mulheres ainda deixam de denunciar o agressor por medo, vergonha ou questões financeiras. Outro motivo é que a maior parte da população desconhece a Lei Maria da Penha.

Segundo Liana Coutinho, na sede da secretaria, essas mulheres recebem as mais variadas orientações sobre seus direitos e aquelas que também querem enfrentar essas situações de abuso recebem ajuda psicológica e até jurídica para se livrar o agressor.

Massacre

A dona de casa D.B. (42 anos) foi vítima das agressões do marido por mais de uma década. Mas foi quando viu essa situação se repetir com as duas filhas, de 15 e 16 anos, que ela decidiu dar um basta à rotina de agressões.

"A culpa toda era da bebida. Bastava ele chegar em casa que o inferno começava. Brigava por qualquer motivo. Depois que as meninas cresceram e passaram a me defender, ele agredia elas também. Eu cansei e já faz cinco anos que a gente não está mais junto. Ele tentou voltar, mas eu não quis mais. É página virada", afirmou a dona de casa.

D.B. disse que não foi fácil colocar o agressor para fora de casa. Ela teve de recorrer à Justiça para que isso acontecesse. Da experiência, ficou o trauma que mãe e filhas passaram a enfrentar com ajuda psicológica.

A psicóloga Mariana Oliveira explicou que, dependendo de cada caso, o processo pode ser longo, mas a vítima consegue encarar a vida de outra forma.

"Quando começamos a atendê-la, o principal sintoma era o medo, mas com o tempo, elas vão adquirindo segurança", enfatizou a psicóloga.

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