CONFUSÃO EM CAXIAS

Professores de Caxias discutem hoje salário e agressões

Categoria foi agredida na última quarta-feira por vereadores e policiais.
O Estado do Maranhão 20/10/2006 às 04h44

CAXIAS – Os professores da rede municipal de ensino de Caxias se reunirão em assembléia geral hoje para discutir os rumos que tomarão após a aprovação do projeto que concede aumento de apenas R$ 13,00 – que será pago em duas parcelas - para a categoria. Discutirão também a agressão sofrida pela categoria após sessão da Câmara Municipal na noite da última quarta-feira.

Os professores que estão em greve há mais de um mês reivindicavam aos vereadores caxienses, em frente ao Legislativo, um posicionamento contra o Projeto de Lei, de autoria do prefeito Humberto Coutinho, que concedia aumento de 3,71% sob o piso salarial de R$ 330,00, referente ao mês de março, sem a dispersão salarial, quando foram surpreendidos pela violência.

Há nove semanas, os vereadores adiavam a votação do projeto, mas quarta-feira foi apresentado no plenário da Câmara e aprovado com a assinatura de nove vereadores: Catulé, Noleto, Claúdia Coutinho, Fábio Gentil, Adelmo Soares, Antônio Luís, Ana Lúcia Ximenes, Paulo Simão e Sthephano Queiroz.

O presidente da Casa não vota e o único a se posicionar contra foi o vereador José Raimundo. Do lado de fora da Câmara, os mais de 50 professores, que acompanhavam a sessão, iniciaram um protesto gritando palavras de ordem e denunciando a falta de interesse dos parlamentares para com os interesses da população.

Ao tentarem sair da sede da Câmara Municipal, os vereadores foram recebidos com ovos, palavras de ordem e empurra-empurra. A Polícia Militar foi chamada para conter os manifestantes. O vereador Catulé (PSDB), que também representa os interesses do Governo do Estado em Caxias por meio da Gerência Regional, agrediu com um soco na cara a professora Antônia de Jesus Silva.

O vereador foi contido por policiais militares, que chegaram a derrubá-lo no chão na tentativa de conter a fúria do parlamentar, que ficou revoltado por ter sido atingido pelos ovos atirados pelos manifestantes. A professora prestou queixa de agressão contra o vereador no 1º Distrito Policial, situado ao lado da Câmara.

“Fui agredida duas vezes. A primeira quando aprovaram esse projeto que afronta os nossos direitos e a segunda vez quando o vereador me atingiu com esse soco. Na hora em que eu vi ele correr para cima da gente eu tentei correr, mas não consegui e fui a primeira a ser atingida.

Acho que se ele não tivesse sido contido teria me batido muito mais”, lembrou a professora.

Apesar da agressão física, o vereador não foi detido pelos policiais militares. Ele foi conduzido ao seu veículo, deixando o local. Segundo o comandante do 2° Batalhão de Polícia Militar, major Pimentel, apesar do flagrante, o vereador não foi preso porque o número de policiais era muito pequeno e precisava conter a fúria dos manifestantes, mas este informou que o vereador voltou a se apresentar na Delegacia por volta das 22h30 para prestar depoimento à polícia.

Quem também precisou ser escoltada para deixar a sede da Câmara Municipal foi a vereadora Claúdia Coutinho, cunhada do prefeito. Os policiais da tropa de choque fizeram uma barreira para que a vereadora, que ainda saiu debochando dos professores fazendo acenos com a mão, deixasse o local.

Em contrapartida, seu marido Ferdinand Coutinho, irmão do prefeito Humberto Coutinho, trocou socos com um professor que estava no local, mas foi contido por populares. Para tentar acalmar os ânimos e dispersar os manifestantes, os policiais militares lançaram duas bombas de efeito moral.

Irregularidade

Segundo o vereador José Raimundo, que votou contra o projeto do Executivo, este foi assinado dentro do gabinete do vereador Ironaldo Alencar, onde ocorrem as reuniões antes de qualquer tipo de decisão no Legislativo seja tomada. Ele afirma que essa foi uma manobra dos vereadores para que não houvesse maiores discussões sobre o projeto que precisava ser votado, já que era de interesse do prefeito que tem ao seu lado a maioria dos vereadores.

“Foi uma manobra suja e imoral. Eles fugiram da discussão, mas isso reflete muito bem como se encontra a atual administração municipal. Humberto Coutinho acha que pode comprar todo mundo e tem demonstrado que faz isso mesmo. O prefeito diz que não tem dinheiro para dar aumento, mas tem para comprar votos e isso eu não entendo. Ele compra a consciência, assim como tem comprado votos para eleger os candidatos do seu interesse. E digo mais, algo precisa ser feito porque já houve derramamento de dinheiro no 1° turno, para que ele pudesse eleger os seus candidatos, e haverá muito mais agora no 2° turno”, declarou José Raimundo.

Confira as imagens da agressão entre professores e vereadores

Com imagens da TV Mirante

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