Muito Além da Lava-Jato

Curiosidade: quais são os piores escândalos da política brasileira?

O Imirante.com listou alguns dos casos de corrupção mais conhecidos da história do país.
Imirante.com15/09/2019 às 21h20
Curiosidade: quais são os piores escândalos da política brasileira?Foto: Divulgação

"A gente é saco de pancada há muito tempo e aceita. Porrada da esquerda, porrada da direita...". O verso da música "Chega", de Gabriel O Pensador, fala que os casos de corrupção na política brasileira se espalha ao longo de muitos anos e por meio dos fatos, ele não está errado. Infelizmente, a história do país está marcada por escândalos envolvendo fraudes, desvios de verbas e outros crimes envolvendo o sistema político.

Se engana quem pensa que a Lava Jato, operação de investigação que delatou grandes nomes do ramo empresarial e político brasileiro e ganhou muita visibilidade nas mídias, é o único caso envolvendo corrupção no meio político. Os casos se tornaram públicos desde a década de 70, mas foi a partir do ano 2000 que os relatos de corrupção se tornaram frequentes. Veja uma lista com cinco casos de corrupção política no Brasil:

Escândalo da Mandioca

Quando: entre 1979 e 1981

Quantia desviada: R$ 20 milhões

No final da década de 1970 esse caso veio à tona e se tornou o maior escândalo financeiro de Pernambuco. O crime envolver o Banco do Brasil de Floresta e houve um desvio de Cr$ 1,5 bilhão, aproximadamente R$ 20 milhões, do Proagro - programa de incentivo agrícola criado pelo Governo Federal em 1973.

O crime consistia basicamente na produção de documentos falsos para que créditos agrícolas fossem liberados para o plantio de feijão, cebola, melão e melancia e principalmente de mandioca, por isso o nome do caso. Após o empréstimo ser liberado, alegava-se que a seca destruíra as plantações e ninguém pagava nada, sendo os prejuízos cobertos pelo seguro agrícola. O escândalo teve 26 envolvidos

De acordo com a Polícia Militar, a fraude contou com a participação de um deputado estadual, do major da polícia e de funcionários do próprio banco.

Caso Jorgina Maria de Freitas Fernandes

Quando: entre 1989 e 1990

Quantia desviada: R$ 20 milhões

O escândalo ganhou o nome da ex-advogada brasileira que era procuradora previdenciária e organizou um esquema de desvio de verbas de aposentadorias. O total da fraude chegaria a R$ 500 milhões, mais de 50% de toda a arrecadação do INSS na época. Entre 1988 e 1990, Jorgina de Freitas era cúmplice de um bando que desviou U$ 310 milhões dos cofres da Previdência (dos quais apenas 82 milhões foram reavidos) usando até nomes de pessoas mortas e os delinquentes forjaram centenas de processos de indenização milionários. A rede de corrupção começou a ser desmontada em março de 1991, quando uma investigação interna do INSS descobriu como haviam sido desviados R$ 90 milhões, supostamente pagos ao motorista de empilhadeira Alaíde Fernandes Ximenes.

Escândalo do Banestado

Quando: entre 1996 e 2001

Quantia desviada: US$ 30 bilhões

Em 2001, durante a Operação Macuco, a Polícia Federal investigou crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão ilícita. Durante o processo, foi quebrado o sigilo das contas CC-5, que são de pessoas não residentes no país. Através delas, descobriu-se que cerca de US$ 30 bilhões haviam sido movimentados irregularmente durante a privatização do Banco do Estado do Paraná, conhecido como Banestado, sendo desviados para uma agência em Nova York, Estados Unidos.

Nesse período, Alberto Youssef, que atualmente teve seu nome citado na Operação Lava Jato, foi investigado e preso. Nos mais de 20 acordos de colaboração, foram recuperados apenas R$ 30 milhões, e 631 pessoas foram denunciadas.

Os Mensalões

Quando: entre 2005 e 2012

Quantia desviada: R$ 105,1 milhões

Foi um esquema de corrupção de parlamentares, onde deputados que compunham a chamada “base aliada” recebiam, periodicamente, recursos do Partido dos Trabalhadores para votar a favor do partido. O primeiro relato surgiu com os tucanos do PSDB, em 2005, onde o desvio de dinheiro do governo de Minas Gerais para a campanha de reeleição do candidato Eduardo Azeredo, do PSDB, com aproximadamente R$ 3,5 milhões desviados.

Em um segundo momento, entre 2005 e 2012, foi a vez do PT se envolver no escândalo. O pagamento de propina a parlamentares da base do governo do partido, que segundo o Ministério Público, o “valerioduto” comandado por José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, desviou mais de R$ 101,6 milhões. Segundo delatou o ex-deputado federal Roberto Jefferson, acusado de envolvimento em fraudes dos Correios, políticos aliados ao PT recebiam R$ 30 mil mensais para votar de acordo com os interesses do governo Lula. Dos 40 envolvidos, apenas três deputados foram cassados.

Máfia da Merenda em SP

Quando: entre 2016

Quantia desviada: R$ 10 milhões

Deflagrada em 2016 através da Operação Alba Branca, a fraude na compra da merenda escolar para o Governo do Estado de São Paulo teria favorecido políticos, que cobravam propina para que integrantes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar, Coaf, tivessem contrato de fornecimento com diversos municípios do Estado de São Paulo e com o Governo do Estado de São Paulo. Assessores de Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de SP, foram acusados de negociar as propinas em contratos que valiam mais de R$ 10 milhões.

Fontes:

Livro: Brasil e corrupção - Análise de casos (Lucas Rocha Furtado)

Sites: Wikipedia, Z1portal, Mega Curioso, Jus.com.br;

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