FH triplica área protegida da Floresta Amazônica

CNN 04/09/2002 às 11h21

JOHANNESBURGO, África do Sul -- O governo brasileiro e o Banco Mundial (Bird) firmaram nesta terça-feira, em Johannesburgo, um programa destinado a triplicar a área de floresta tropical protegida pelas autoridades locais.

Pelo programa Áreas Protegidas da Amazônia, a superfície da floresta preservada pelo governo brasileiro durante os próximos anos deverá ser de 12 por cento da selva amazônica.

"Salvar a floresta é crucial para o desenvolvimento sustentável", disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, acrescentando que "esta é a maior iniciativa da história para a preservação da floresta e a grande conquista do Brasil nesta Cúpula de Desenvolvimento Sustentável".

No encontro o Brasil não conseguiu avançar com sua proposta de energia renovável - 10 por cento do total até 2010.

No total, serão 50 milhões de hectares protegidos a partir desta terça-feira, que equivalem a 3,6 por cento das florestas tropicais do mundo.

O custo do programa é de 395 milhões de dólares, a serem financiados pelo governo brasileiro, o setor privado e agências internacionais.

"Este programa vai garantir para as populações locais e para todo Brasil a preservação dos recursos naturais da Amazônia, com o objetivo de garantir a biodiversidade e promover o desenvolvimento socioeconômico da região, graças ao uso racional da selva", explicou Garo Batmanian, o secretário-geral da Wild World Fund do Brasil, organização ecologista que também participa do projeto.

A floresta amazônica brasileira ocupa 4,1 milhões de quilômetros quadrados, metade do território nacional, e equivale a 20 países europeus juntos.

Além disso, tem 350 espécies diferentes de mamíferos, 950 tipos de aves, duas mil classes de peixes e 2,5 milhões de insetos.

Há doze dias, o governo brasileiro criou o parque nacional da Montanha de Tumucaque, com 38.867 quilômetros quadrados, o maior do mundo de floresta tropical.

"Como o consenso entre países parece difícil, todos os latino-americanos deveriam imitar este tipo de iniciativa para preservar seus recursos naturais", disse FHC.

Frustração

O presidente admitiu que ficou frustrado com a decisão dos países participantes da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, de não acatar a proposta brasileira de que, até 2010, pelo menos 10 por cento da matriz energética mundial seja gerada por fontes renováveis de energia.

"Eu acho que isso demonstra uma falta de vontade de alguns países no sentido de, realmente, quantificarmos e termos objetivos, isso me parece que não é positivo", afirmou.

O presidente, entretanto, disse que o Brasil continuará lutando pela meta e o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, adiantou que o país já fez uma declaração de voto, lamentando que a proposta não tenha sido acolhida pela Cúpula.

O governo brasileiro também recomendou aos negociadores internacionais que retomem, no âmbito da Comissão de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, as discussões sobre o tema.

"Pelo esforço que nós realizamos, não me sinto derrotado, mas estou frustrado pelo fato desta iniciativa não ter prosperado da maneira que nós havíamos imaginado", admitiu Carvalho.

Kofi Annan

Fernando Henrique Cardoso reuniu-se nesta manhã com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e recebeu elogios pelo desempenho do Brasil na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que acompanha o presidente, Anan disse que o tema da energia não-renovável não teria avançado na conferência sem a clara liderança do Brasil, assim como o tema da biodiversidade.

Fernando Henrique informou que Kofi Annan lhe perguntou se estaria disposto a conversar sobre uma possível missão na ONU, ao final de seu mandato.

O presidente não revelou, no entanto, se aceitou ou não o convite. Por enquanto, Fernando Henrique disse ainda não ter definido seu futuro próximo. "Depois que terminar o mandato, vou descansar um pouco", brincou.

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