Caixa 2?

Empresa usada pelo PCdoB em 2014, recebeu mais de R$ 200 mil dias após a eleição

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Empresa Aldoimagem foi utilizada pelo PCdoB na campanha eleitoral de 2014 e não recebeu de fato, na conta, R$ 1,3 milhão que estavam previstos no contrato

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Flávio Dino e Márcio Jerry têm muito a explciar
Flávio Dino e Márcio Jerry têm muito a explciar

SÃO LUÍS - A empresa Aldo Oberdan Pereira Montenegro-ME, a Aldoimagem - que foi utilizada pelo PCdoB para a produção de programas de rádio e TV e vídeos do partido na campanha de 2014 - recebeu mais de R$ 200 mil pouco mais de uma semana depois da vitória do governador Flávio Dino (PCdoB), em outubro daquele ano.

Extratos da conta bancária da produtora a que O Estado teve acesso apontam que, depois gastar em apenas cinco dias os R$ 500 mil pagos pelo PCdoB no mês de agosto daquele ano, a empresa passou um mês e meio sem qualquer movimentação financeiro.

No dia 17 de outubro, no entanto - 12 dias após o primeiro turno da eleição de 2014 - houve quatro vultosos depósitos na conta corrente da Aldoimagem: um de R$ 52,5 mil, outro de R$ 40 mil, um terceiro de R$ 129 mil e o último de R$ 50 mil. Já no dia 20 do mesmo mês, mais R$ 15 mil.

No total, foram R$ 286,5 mil creditados, sem qualquer identificação de origem, em dois dias.

Quase todo esse dinheiro - mais de R$ 280 mil - foi retirado da conta da produtora no mesmo dia 20 de maio.

Suspeitas - As movimentações financeiras suspeitas da Aldoimagem foram denunciadas pelo próprio proprietário da empresa, Aldo Oberdan Montenegro.

Ele emprestou a firma a um segundo empresário, identificado como Carlos Alberto Miranda, mas disse acreditar que este a utilizaria para serviços de filmagem de eventos, como aniversários e casamentos.

Ele disse que só soube da quantidade de dinheiro que entrou nas contas da sua produtora quando começou a ser cobrado pelo Fisco por conta do não pagamento de impostos, já em 2017.

Foi a partir daí que ele descobriu que, naquela campanha de 2014, apesar de haver emitido uma nota fiscal de R$ 500 mil e outra de R$ 880 mil, a Aldo Oberdan Pinheiro Montenegro-ME só recebeu efetivamente em conta corrente R$ 500 mil.

“Na época eu não autorizei ninguém a movimentar a minha empresa através de campanha. Autorizei o Carlos a dar empresa pra ele pra trabalhar que ele já trabalhava na rua na divulgação de casamento, formatura, essas coisas, mas quando aconteceu isso não tinha ciência do grau de dificuldade que tava acontecendo ali. Quando eu soube disso tudinho que fui no banco, puxei tudinho, puxei as notas fiscais, o que aconteceu? Quero dizer pra vocês que eu não tenho responsabilidade nenhuma nisso, eu não autorizei isso. Embora eu tivesse autorizado a mexer na minha empresa, ele não me comunicou, não me fez uma comunicação, eu não tive participação em ganho nenhum até porque o dinheiro tá lá, entrou na conta e saiu”, afirmou.

Saque - O Estado revelou em sua edição de ontem que um extrato da conta-corrente da Aldo Oberdan Pinheiro Montenegro-ME mostra um saque de R$ 60 mil em espécia dias depois do pagamento de R$ 500 mil do PCdoB à empresa.

O valor foi depositado pelo partido no dia 12 de agosto de 2014 e liberados pelo banco no dia seguinte.

Já no dia 14 de agosto daquele ano ocorre a primeira operação com o recurso oriundo da campanha comunista: um saque de R$ 60 mil, em espécie, na boca do caixa.

Depois disso, no mesmo dia, foram efetivadas operações totalizando mais de R$ 220 mil. No dia 15 de agosto, a empresa transferiu a terceiros mais de R$ 160 mil – só em uma transação, a primeira daquele dia, foram transferidos R$ 101 mil.

O saldo restante, de R$ 43,4 mil é retirado da conta no dia 18 de agosto.

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