RESISTÊNCIA

Interditadas, casas em área de risco se mantém habitadas

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Defesa Civil interditou 23 imóveis, sobretudo na área Itaqui-Bacanga, mas moradores se recusam a sair

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Coberta com lona, barreira ainda corre risco de desabar sobre casas na Vila Dom Luís
Coberta com lona, barreira ainda corre risco de desabar sobre casas na Vila Dom Luís (Foto: Biné Morais / O ESTADO)

“Eu e minha filha continuamos aqui porque não temos para onde ir”, relatou a dona de casa Marilene Almeida, de 37 anos, que reside em uma casa próximo a uma barreira na Vila Embratel. Esse é o dilema de muitos moradores de áreas de risco em São Luís: não ter para onde ir.

Marilene Almeida disse acreditar que a barreira que está há menos de três metros de sua residência não vá desabar, já que não há movimento nela, ou seja, não há corte em sua base, uma vez que a retirada de terra da base é um dos principais causadores do esbarreiramento. “Aqui eu acho que essa barreira não cai. Minha filha não deixa que ninguém mexa aqui para evitar de ela desabar. E mesmo que a gente fique no risco, não temos para onde ir”, apontou.

Ao lado, onde ficam seus vizinhos, que estão viajando, a barreira sofreu interferência humana e precisou de uma lona, para evitar que deslizasse sobre a residência. Segundo os moradores da área, as pessoas que residem ali também não deixaram a casa, mesmo assim, e retornarão logo de viagem.

O pintor Iroilson Silva Rodrigues, de 46 anos, que teve vizinhos com a casa interditada, também alega não ter para onde ir. “Um rapaz que mora aqui perto foi orientado a se mudar, mas continuou morando lá pelo mesmo motivo que eu continuo aqui: não tenho outro lugar para ir, nem condição para sair daqui”, relatou.

Situação semelhante, ou pior, acontece na Vila Dom Luís, onde uma barreira já invadiu algum as casas e uma pessoa precisou se mudar, mas retornou para sua casa, já que o auxílio prometido pela Defesa Civil não foi dado para que alugasse outro espaço para morar.

A dona de casa Maria Esperança Madeira, de 58 anos, que também reside próximo à barreira que já deslizou recentemente, confirmou a situação. “Minha vizinha já mudou, porque foi orientada a fazer isso, mas teve de retornar para sua casa, por não ter condição de manter um aluguel em outro lugar. Eles vêm aqui, mas, no meu caso, só mudo se tiver condições garantidas para isso”, enfatizou.

Outro trecho onde os moradores estão preocupados com o deslizamento de barreiras sobre sua casa é na Travessa da Babilônia, no Coroadinho. Ali, o deslizamento arrancou várias árvores e parou apenas no muro da casa que fica no alto da barreira, o que tira o sono de muitos moradores, que se mostraram preocupados, caso o muro desabe e caia sobre suas residências.

SAIBA MAIS

Este ano, dois pontos que não apresentaram risco anteriormente chamaram a atenção da Defesa Civil, que passou a fiscalizar imóveis instalados na região central de São Luís e no São Francisco. Um dos principais fatores para que essas áreas estejam em risco é a interferência humana, uma vez que muitos cortam as bases das barreiras, o que põe em risco tanto quem mora em cima, quanto embaixo, que podem ser vítimas de deslizamentos de terra, sobretudo após chuvas.

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