Sara Vallejo, argentina, campista e apaixonada por viajar

80 anos e o mundo para desbravar

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A argentina tem muita vitalidade e nenhuma pressa de chegar; deixou a família em seu país de origem para, a bordo de um motorhome equipado, percorrer a América do Sul e outros caminhos aonde o mapa a levar

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80 anos e o mundo para desbravar
Sara Vallejo ao lado de seu motorhome, no qual ela viaja pela América do Sul (Foto: Diego Chaves/ O ESTADO DO MA)

SÃO LUÍS - Uma simpatia em pessoa e que viaja quilômetros ao sabor do vento. A argentina Sara Vallejo nem parece que tem 80 anos, tamanha é sua disposição. A bordo de seu motorhome, ela desgarrou-se do aconchego da família para pontilhar o mapa da América do Sul com sua alegria de viver. Agora, está em São Luís, desde 30 de março, estabelecida de frente para o mar da Baía de São Marcos, na Península da Ponta d’Areia. Pelo menos por enquanto.

Minha família diz que estou mais nova”


É assim a rotina da alegre campista, que adora conhecer pessoas e lugares. Com o olhar voltado para o horizonte, ela nunca sabe o que vai encontrar do outro lado da fronteira. Cada dia, uma nova descoberta. Natural de Tucumán, província ao noroeste da Argentina, a pisciana decidida partiu de Montevidéu, no Uruguai, no dia 8 de agosto, depois de a família ter cedido a sua vontade de adotar o nomadismo. Pelos caminhos do desconhecido, já percorreu 21 mil quilômetros até agora, mas parece se sentir confortável para continuar a viagem no veículo comprado nos Estados Unidos, pela internet. Ainda não sabe se visitará outras Américas, mas ela nem está preocupada com isso.
Vallejo vendeu tudo para se aventurar nesse estilo de vida despretensioso e que está conquistando muita gente ao redor do mundo. Os filhos Alejandro, Fernando e Guilhermo se comunicam com freqüência com a mãe aventureira e que esbanja saúde. “Nunca senti uma dor de cabeça. Carrego dezenas de caixas de remédio, mas ainda não precisei”, conta a octogenária.

Argentina Sara Vallejo: “80 anos não são nada” (Foto: Diego Chaves/ O ESTADO DO MA)

Conforto
A casa da argentina, movida à gasolina, tem tudo de que ela precisa, com conforto. São 100 dólares a cada 100 dias para abastecer a residência. “A cada viagem, é preciso recarregar também a dispensa e o reservatório de água. A eletricidade é externa, mas posso usar bateria também. O sofá vira uma cama. Basta apertar um botão e o corredor alarga-se para que eu receba as minhas visitas”, mostra.
Divorciada depois de 43 anos de casada, a aposentada, que trabalhava como professora de inglês, não sabe onde vai parar e nem quanto tempo durará sua aventura, mas pensa em retornar à Argentina. Não para voltar à maneira convencional, mas alugar um terreno e estacionar seu motorhome. “Vendi tudo e não quero voltar a viver como antes. Já fiz tudo o que tinha de fazer. Os meus filhos estão bem e não precisam mais de mim. Quero conhecer pessoas, lugares, fazer novas amizades, sem me preocupar com o tempo e nem para onde irei”, diz.

Já fui roubada aqui no Brasil. Em João Pessoa. Levaram um computador, uma mala e todos os meus documentos. Mas nada demais”

Vallejo, assessorada pelo GPS do celular, percorre o litoral brasileiro e aonde vai, desperta a curiosidade das pessoas. “Minha família, que às vezes me encontra em algum lugar do mundo, diz que estou mais jovem e nunca tive tantos amigos quanto agora”, revela.

Nunca tive tantos amigos como agora"


No veículo que dirige, mandou inscrever a frase “Adonde me lleve El viento”, ou seja, “Aonde me levar o vento”. É exatamente a tradução literal da experiência de Vallejo. E depois de São Luís, talvez o vento a leve para o Amazonas, para a Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, para o Chile. Mas são lugares que ela apenas especula passar, caso não mude de rota.

Sara Vallejo no conforto de seu motorhome, este mês, no Maranhão (Foto: Diego Chaves/ O ESTADO DO MA)

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