Trajetória na folia

Forte ligação com os blocos tradicionais

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Compositor e intérprete Coqueiro da Ilha está completando 48 anos de ligação com os blocos tradicionais e defende a preservação de um dos ritmos mais originais do Brasil; artista também canta outros ritmos

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Coqueiro da Ilha tem uma história ligada aos blocos tradicionais
Coqueiro da Ilha tem uma história ligada aos blocos tradicionais (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS-São 48 anos de envolvimento com os blocos tradicionais do Maranhão. O compositor e intérprete Reinaldo Coqueiro Rodrigues, o Coqueiro da Ilha, já passou por diversas agremiações e, atualmente, está nos “Inacreditáveis”, de São José de Ribamar, e que este ano completa quatro décadas de histórica na folia momesca. Na avenida, Coqueiro interpretará uma música de Augusto Marciel, presidente da Academia dos Blocos Tradicionais de São Luís, em parceria com o carnavalesco e compositor Privado.

Coqueiro começou nos “Vigaristas”, na gestão do presidente Francisco de Assis Carvalho, e depois foi convidado para o extinto bloco “Brotos”, “Os Brasinhas”, “Os Foliões”, “Príncipe de Roma”, “Companhia do Ritmo”, “Os Versáteis” (onde homenageou a matriarca da brincadeira, Socorro Leitão), “Os Tremendões”, “Os Reis da Liberdade”, “Dragões da Liberdade”, “Os Feras” (foi o primeiro intérprete da agremiação), “Os Guardiões” e “Os Boêmios do Ritmo”, que fez 70 anos em 2017.

“Em 2018, já fui convidado pelo bloco ‘Os Versáteis’ para o desfile que marcará o seu retorno à avenida, já que eles estão parados há cinco anos e irão comemorar as Bodas de Ouro, com o título ‘Venha ser Versáteis outra vez’, com minha interpretação”, disse.

Coqueiro já compôs 550 músicas para blocos tradicionais e tem know-how para falar do assunto. Segundo ele, o ritmo da batucada ficou mais acelerada e essa modificação seria para atrair a nova geração e participar dos eventos ao longo do ano.

“Mas acho que seria preciso manter o ritmo original, para não deixar a tradição morrer. Além disso, acho que é necessário estimular as oficinas de percussão, para que as crianças e os jovens aprendam a tocar esse ritmo, que só existe no Maranhão e também precisaria ser reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil. Os antigos quando morrem, com eles morrem a sabedoria e os ensinamentos”, destacou ele, que sabe tocar ganzar, contratempo, marcação, retinta, agogô, reco-reco e cabaça.

O intérprete lembra que o reco-reco e o agogô foram substituídos pela roca (que tem uma força maior do que o ganzar e vem das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo). O desejo de Coqueiro da Ilha é que o poder público valorize mais o ritmo. “Para que pudesse ser tocado não somente no Carnaval, mas o ano inteiro”, finalizou o compositor, que também introduziu o violino nas apresentações.

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