Declaração infeliz

Trump prefere imigrantes de lugares como a Noruega

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Suposta fala do presidente dos Estados Unidos ofende países, é ''esnobada'' por noruegueses e dá dor de cabeça a tradutores; procedentes de áreas como Haiti, El Salvador e da África teriam sido chamados de ''países de m...''; ele nega

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O presidente Donald Trump foi chamado de xenófobo e racista após supostas declarações
O presidente Donald Trump foi chamado de xenófobo e racista após supostas declarações (Foto: Reuters)

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou na sexta-feira,12, que tenha usado palavras ofensivas ao se referir a imigrantes de países como Haiti, El Salvador e da África em uma reunião com parlamentares na Casa Branca.

A imprensa americana havia divulgado que, segundo relatos de pessoas presentes no encontro, ele teria questionado "por que todas essas pessoas de países de m... vem parar aqui?". "Por que precisamos de mais haitianos?", teria acrescentado.

Na declaração, Trump teria usado a expressão em inglês "shithole" ou, literalmente, "buraco de m". Mesmo a tradução do termo e decisão de usá-la ou não, por conter um palavrão, gerou debates entre jornalistas de diferentes países, segundo uma reportagem do "Washington Post". Outra tradução possível é mais leve, embora ainda ofensiva: um lugar sujo ou extremamente desagradável.

Os relatos afirmam que Trump sugeriu ainda que os Estados Unidos prefiram imigrantes de países como a Noruega aos procedentes dessas regiões - cujas permissões para residência nos EUA vêm sendo revogadas ou ameaçadas ultimamente. Suposta fala do presidente é 'esnobada' por noruegueses e dá dor de cabeça a tradutores

O encontro, ocorrido na quinta-feira, 11, reuniu integrantes dos partidos Democrata e Republicano e tinha como pauta um acordo bipartidário sobre políticas de proteção aos imigrantes nos EUA.

Na sexta-feira, 12, o presidente se manifestou sobre o tema, como já é habitual por sua parte, no Twitter. Ele não confirmou o teor exato das declarações - afirmou apenas que "a linguagem usada no encontro foi dura, mas não foi essa".

Não fez esforços, porém, para amenizar o tom e partiu para cima dos democratas - embora tenha feito um aceno aos haitianos.

"Eu nunca disse algo depreciativo sobre haitianos além do fato de o Haiti ser, obviamente, um país muito pobre e problemático. Eu nunca disse 'os tire daqui'. (Isso foi) inventado pelos democratas. Eu tenho um relacionamento maravilhoso com os haitianos. Provavelmente devesse gravar futuras reuniões."

'Mérito'

Em suas mensagens na rede social, Trump defendeu suas ideias sobre imigração. "Quero um sistema de imigração baseado no mérito, e pessoas que ajudarão a levar o país a um próximo patamar. Eu quero segurança para o nosso povo. Quero parar a entrada massiva de drogas no país", escreveu.

Segundo ele, os Estados Unidos devem acabar com um sistema conhecido como loteria de vistos - por meio do qual candidatos de diferentes lugares do mundo são selecionados aleatoriamente para ter a oportunidade de residir permanentemente nos EUA.

Trump também criticou a proposta que recebeu dos parlamentares sobre o Daca e acusou uma senadora de ter vazado falas confidenciais da reunião.

"A democrata Dianne Feinstein nunca deveria ter publicado falas secretas do comitê sem autorização. Foi muito desrespeitoso com os membros do comitê e, possivelmente, ilegal", escreveu ele. Os supostos comentários levaram o presidente a ser chamado de "xenófobo e racista" por políticos e internautas.

Reações no mundo

Rupert Colville, porta-voz de direitos humanos da ONU, classificou os supostos comentários de Trump como "chocantes", "vergonhosos" e "racistas".

A União Africana, grupo que reúne os 55 países do continente, afirmou ter ficado preocupada com a suposta fala.

"Diante da verdade histórica do grande número de africanos que chegaram aos EUA como escravos, essa declaração vai de encontro a todos os comportamentos e práticas hoje aceitos", afirmou Ebba Kalondo, porta-voz da organização, à agência de notícias AP.

Os comentários atribuídos à Trump também foram mal recebidos por internautas da Noruega, país que, segundo os relatos, foi apresentado por ele como origem desejada de imigrantes.

"Eu moro na Noruega e nunca me mudaria para o Estados Unidos. Nós temos sistema de saúde, educação superior gratuita, cinco semanas de férias e oito horas de trabalho diárias. Não, Trump, obrigado", afirmou uma usuária do Twitter, em uma mensagem compartilhada centenas de vezes.

Noruegueses

Alex Nowrasteh, analista de políticas de imigração que atua em Washington, publicou dados apontando que, entre 1850 e 1913, o imigrantes noruegueses se mostraram entre os mais malsucedidos nos EUA, se analisadas as rendas obtidas no país pelas primeiras e segundas gerações de europeus que migraram para os EUA.

"Os imigrantes noruegueses se deram tão mal nos Estados Unidos que 70% deles voltaram e ficaram na Noruega", acrescentou. "Eu não tenho nada contra noruegueses ou a Noruega, mas isso mostra que os "imigrantes perdedores" vindos dos "países m". de ontem tendem a se tornar excelentes, ricos americanos depois de algumas gerações, enquanto seus países melhoram substancialmente."

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